Jason Gideon
Meninos e adolescentes vivem fases. Ou viviam. O tempo de se divertir com brinquedos, de bater bola na rua ou em areia dura, a paixão paralisante do frio na barriga. Adultos em estado de velhice existencial, também ultrapassam as suas etapas. Voltei a gostar de séries policiais de TV. Tenho dedicado a elas o meu tempo livre.
Criança, vibrava com a trilha de Swat, magnífica, estimulando o quinteto de elite americana a enfrentar assaltantes, sequestradores e matadores satânicos.
A Swat antiga com suas armas ultrapassadas e enredos previsíveis, dá de dez a zero na fracassada tentativa de repetição em filme no cinema, aquela produção pra lá de mentirosa com Colin Farrell e Samuel L. Jackson, fracasso total de competência e público.
Tenho me dedicado às séries americanas com ânimo juvenil, o que é muito bom. Todas elas passam na TV aberta, da qual estou divorciado há uma década, contando por baixo. Assisto em DVDs as temporadas inteiras.
Sensacional a história dos Os Bórgias, primeira família criminosa do mundo, cujo chefe se torna o Papa Rodrigo Bórgia, corrompendo todo o colégio de votantes, exceto Juliano Della Rovere(Papa Julio Segundo), também execrável.
Bórgia, ungido Papa Alexandre Quinto, é ordenador de assassinatos, praticante, dentro de Roma, de todos os pecados considerados capitais pela igreja. Vive com uma aristocrata jovem, que seduziu durante um confessionário.
Os Bórgias correspondem a 10% da qualidade do romance de Mário Puzo, um sniper das palavras. Rodrigo Bórgia é pai de Juan, César, Lucrécia e Jofre. Juan é cruel, recalcado e invejoso.
César, transformado em cardeal, é o líder nato. Apaixonado pela irmã, Lucrécia, com quem trava relação primeiro platônica e com veneno incestuoso. César Bórgia mata Juan e torna-se chefe do Exército.
Terminaram as duas temporadas iniciais e a terceira começa em novembro, segundo informam os sites especializados. Em 2014, quando sair em DVD, comprarei a terceira etapa, torcendo, secretamente, por César, o menos vilão de todos.
Também devorei com os olhos e admiração babaca Homeland, sacrificante história de um militar de elite dos Estados Unidos preso e torturado por oito anos no Afeganistão e resgatado por seus companheiros dos SEALS, aquele pessoal fraquinho que destroçou Osama Bin Laden com Barack Obama assistindo.
O militar admite que é muçulmano e nas duas primeiras temporadas, dá um show de dubiedade. Começa terrorista e, aparentemente, renega o Islã após convencimento de uma bela e complicada agente da CIA com quem, nem precisa contar, termina entre os lençóis.
O cara sofreu demais. Além de apanhar, foi corneado pelo melhor amigo nos Estados Unidos. O pé de lã apela à atenuante de só haver invadido a cama da musa alheia por considerar o amigo morto.
Homeland também terá sua terceira etapa este ano, levantando, em riste, o dedo e o sonho americanos contra o pavor. É instigante e politicamente injusto. Os muçulmanos, todos, são tratados como carrascos e toda a unanimidade é de asno, sentenciou Nelson Rodrigues, que jamais assistiu a uma série.
Agora, do jeito que admirava Durango Kid, Daniel Boone e os caras da Swat, estou em idolatrias pelo agente Jason Gideon, da equipe de Análise Comportamental do FBI. É da série Criminal Mands ou Mentes Criminosas.
Jason Gideon é aquele cara que se pode chamar de boçal acima do suportável. Analista forense, agente especial. Pensa pelo criminoso, traça seu perfil, se possível, troca tiros com ele e não move um músculo do rosto. É um tremendo chato, mas sensível a ponto de tocar piano e levar a mulher a uma cabana no campo.
Criminal Minds parece ser a Irmãos Coragem das séries americanas(Irmãos Coragem, novela da Rede Globo em 1970, teve 328 capítulos). Até agora são oito temporadas, ou mais de setenta episódios, de quarenta minutos, cada.
Ainda estou na segunda temporada, que me consumiu o tempo de carnaval. É só crime barra pesada. Sádicos, estupradores, assassinos seriais, mutiladores.
A equipe tem a missão cerebral de descobrir os culpados pensando como eles pensam, fazendo quebra-cabeça de suas mentes pervertidas.
E Jason Gideon é o cara. Quando tudo mundo concorda numa linha de investigação,ele põe a mão no queixo, murmura contrariado e desvia o foco: “Vocês estão errados. Ele(o criminoso) pensa assim, assim, assim.” Jason Gideon, só para esnobar, sabe o alcorão de trás para frente.
Calma que vou entrar no quinto disco da segunda etapa. Linda a agente JJ e chato o CDF Dr. Spencer Reid, um moleque genial de 24 anos capaz de ler um livro em 6 minutos. Com 600 páginas.
Imagino-o diante de um discurso de Joacy Bastos, o falastrão Secretário de Esportes do Estado.Estou, vocês notaram, com uma ponta de inveja de Jason Gideon.
Queria ser ele também, por um minuto. O danado é que o seu intérprete, o ator Mandy Patinkin, também cansou de seu estrelismo e, esgotado, abandonou a série. “Ele é insuportavelmente confiante”, disse aos jornalistas. Jason Gideon, ame-o ou deixe-o. A pele deu um basta ao personagem.
Um campeão
O América sofre dois baques em uma semana. Primeiro o ex-craque e técnico Wallace Costa. Agora, o dirigente Henrique Gaspar, um vencedor. Diretor de futebol de 1979 a 1980, foi bicampeão. Presidente, de 1981 a 1984, completou o tetra em 81/82, perdendo em 1983 para o ABC insuperável de Dedé, Marinho e Silva.
Alecrim
Rico e Renan Marques estão fazendo a torcida do Alecrim abrir um sorriso de clorofila. E já estreiam amanhã contra o líder Santa Cruz, no Ninho do Periquito.
Pedrinho
Pedrinho Albuquerque e Vassil, que duelam no domingo, provam que não precisa jogada midiática para trazer gente cara de fora. Os dois dão conta. Diá também.
Início
O ABC, partindo arrasador nos primeiros 15 minutos, sob o aplauso incendiário da Frasqueira, é capaz de jogar para depois da Barreira do Inferno, o jejum contra o ASA.
Alexandre
Alexandre, o “Caca”do Campeonato do Bairro de Dix-Sept Rosado até bem pouco tempo, é titular do ABC. É bom ver Alexandre tapando a boca dos aduladores de barangas.
Andrey
Contratado pelo Santa Cruz ao Vasco(RJ), o meia Andrey,20 anos, chega amanhã e assiste ao jogo contra o Alecrim. Andrey é filho de um monstro sagrado: Geovani, melhor camisa 8 da história cruzmaltina.


