João do Coração

Entre um restaurante e uma livraria, muitos foram meus encontros com João Faustino nos últimos anos. Sempre na companhia da…

Entre um restaurante e uma livraria, muitos foram meus encontros com João Faustino nos últimos anos. Sempre na companhia da sua eterna Sônia, confessava a condição de meu leitor e iniciava uma conversa sobre livros e cinema, quase nunca sobre política.

Na última vez, puxei um papo sobre FHC, dizendo-lhe da minha profunda admiração pelo ex-presidente, fato que estava me levando a fazer-lhe uma homenagem gestual na assinatura da ficha de filiação do PSDB, o partido fundado por ele e Mário Covas.

Sabedor da importância de João na legenda, e da sua história pessoal, que ele havia derramado no livro recém-lançado, comentei: “E olha que tenho uma grande divergência com você, mas isso não será obstáculo para assinar a ficha do partido”.

Fez um olhar surpreso e quis saber da tal divergência, que em verdade era apenas uma brincadeira: “Amigo, minha natureza zodiacal de escorpião não permite o perdão, como faz você; vejo e sinto na vingança, como os chineses, um sentimento nobre”, disse-lhe.

Com um sorriso de alívio e de quem acabara de entender a brincadeira, João deu um tapinha no meu peito e devolveu: “eu sei que você sabe que nenhum sentimento supera o perdão, e se vem junto com o amor, nada será maior”. Ali falava o coração de João.

Foi um cidadão pacífico acima de tudo, perfil que moldou o político de bem que soube ser, mesmo sem merecer, algumas vezes, o reconhecimento do RN. Minha geração aprendeu na juventude a admirá-lo, como Roberto Furtado e Odilon Ribeiro Coutinho.

Os estudantes que imaginavam mudar o mundo a partir de ideologias soviéticas tinham em João a figura do bom burguês, do político católico compromissado com a democracia, mesmo militando nos partidos beneficiados pelo regime militar.

Na campanha eleitoral de 1986, em que Geraldo Melo surpreendeu o estado derrotando o stablishment da família Maia, que havia se reforçado quatro anos antes com a acachapante vitória de José Agripino sobre Aluizio Alves, João era o estranho no ninho.

O tripé encarnado num apelo publicitário, “João, Lavô e Jajá” salvou o pescoço dos dois primos na corrida ao Senado e sacrificou João numa batalha que Geraldo venceria por uma ínfima diferença de 14 mil votos, enganando até o famoso instituto Gallup.

Ainda está no arquivo virtual do Observatório da Imprensa, o site de Alberto Dines, um artigo em que eu conto do telefonema de Carlos Mateus (presidente do Gallup) para Tarcísio Maia, parabenizando-o pela vitória de João, por mais de 100 mil votos.

Mas a primeira boa imagem que eu tenho de João Faustino vem da adolescência, dos meus anos ginasiais na Escola Winston Churchill, quando ele salvou minha cabeça. Não foi bem a cabeça, mas foram os cabelos, símbolos maiores da minha vã rebeldia.

O diretor Orneles Filgueira, que comandava o colégio com pulso de ferro, determinara algumas proibições, como minissaias, sandálias de hippie e cabelos longos nos meninos. As secretárias Áurea e Lúcia vigiavam a entrada, mas às vezes faziam vista grossa.

Alguns pais, no entanto, saíram em defesa da opção comportamental dos filhos e pediram a ajuda do jovem secretário de Educação, João Faustino (já contei isso aqui citando a auxiliar do secretário, Eleika Bezerra), que decidiu em favor dos cabelos.

Foi um quiproquó administrativo danado, pois Orneles entendeu aquilo como intervenção do governo na sua filosofia educacional, e a partir daquele episódio ele começou a preparar sua saída do Churchil, que, aliás, perdeu muito sem o diretor.

Aquele singelo gesto em favor de uma dezena de meninos cabeludos já era a essência democrática e benfazeja de João. Foi seu perfil pessoal e não profissional que determinou o slogan João do Coração. Foi assim até morrer. No Hospital do Coração. (AM)

 

Arena vermelha
O latido virtual dos petistas contra Eduardo Campos e a resposta pessebista estão na ordem do dia da mídia, desde ontem. É tudo que as duas legendas sonham para estabelecer uma polêmica entre Dilma e Eduardo, escanteando Aécio Neves.

Nota do PSB
“Além do ataque covarde e despolitizado ao Governador Eduardo Campos, a nota ainda usa termos chulos para tratar a ex-senadora Marina Silva, líder da Rede Sustentabilidade e filiada do PSB, uma ativista reconhecida internacionalmente”.

PT e Wilma
A vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), não gostou nada das declarações de Fernando Mineiro (PT) considerando-a adversária e fora da aliança PMDB-PT. A guerreira tem imagens à vontade para mostrar o culto que os petistas faziam a ela.

Morde e assopra
“O Guido Mantega versão 2014 evoluiu da contabilidade criativa para a contabilidade do calote”. As aspas são do deputado Beto Albuquerque, líder do PSB na Câmara Federal, comentando sobre os truques do ministro para maquiar o superávit primário.

Rio de Janeiro
A liderança de Anthony Garotinho (PR) e o provável apoio de Dilma ao pastor Marcelo Crivella (PRB) acionou o botão de pânico do governador Sergio Cabral (PMDB) e seu candidato Pezão. Ambos estão frequentando até churrasco de condomínio.

Rio de Janeiro II
O jornal Extra! publicou nota sobre a presença de Cabral e Pezão no treino do São Gonçalo Esporte Clube, time da segunda divisão e sediado na região com muitos eleitores. A visita ao glorioso clube foi com toda a pompa, de helicóptero e tudo.

Posse do Porquinho
O primeiro evento político dos alpendres do verão 2014 será amanhã, na casa do cardiologista Ricardo Bittencourt, na Praia de Pirangi, quando a Confraria do Porquinho dará posse ao seu novo presidente, o deputado José Dias, eleito em 13 de dezembro.

Televisão
A venda de parte das ações da TV Ponta Negra ao grupo cearense Hap Vida, que passa a ser majoritário, vinha sendo articulada há muito tempo pelo genro de Miriam de Sousa, Gutto Barreto, e pelo executivo Fernando Eugênio, hoje na TV Tropical.

Herdeiros
O colunista foi procurado por alguém que está investigando a possibilidade de haver dois filhos do saudoso Aluisio Alves ainda não reconhecidos. Seriam um homem e uma mulher, filhos de mães diferentes e com idades respectivas entre 50 e 40 anos.

Aeroporto
O jornalista Alexandre Garcia, um dos âncoras da TV Globo, comentou ontem na Rádio Cidade, de Haroldo Azevedo, sobre o Aeroporto Aluizio Alves, em São Gonçalo, demonstrando preocupação com a infraestrutura e os acessos rodoviários.

Fotografia
Um erro de diagramação na edição de ontem repetiu o texto de uma nota de terça-feira na iamgem de Elvis Presley aos 2 anos com seus pais no Mississipi em 1937. Ontem foi o Dia da Fotografia e também os 79 anos de nascimento do rei do rock ‘n’ roll.

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