‘João Machado’ passará a ser Hospital Geral, revela o secretário

O Hospital Psiquiátrico receberá recursos federais, que devem girar me torno de R$ 270 mil mensais

Hospital tem atualmente 130 leitos de psiquiatria, número ainda insuficiente. Foto: Divulgação
Hospital tem atualmente 130 leitos de psiquiatria, número ainda insuficiente. Foto: Divulgação

O Hospital João Machado, referência em psiquiatria no Rio Grande do Norte, passará a ser um Hospital Geral e contará apenas com uma ala de leitos destinados a pacientes psiquiátricos. O anúncio foi feito nesta terça-feira (21) pelo secretário de Estado da Saúde Pública, Luiz Roberto Fonseca, quando participava das comemorações pelo aniversário de 57 anos da unidade.

De acordo com o diretor administrativo Edenilson Miguel, a proposta é que os leitos psiquiátricos sejam diminuídos gradativamente para a abertura de leitos de clínica médica e sejam abertos leitos de psiquiatria em outros hospitais. “Desde 2001, a reforma psiquiátrica que o Ministério da Saúde preconiza é de não existir mais hospitais psiquiátricos. Justamente por não mais priorizar isso, que os recursos destinados são muito baixos. O preço pago por uma diária é de R$ 49 e no momento que passar para um hospital clínico os valores são outros, porque serão realizados também mais procedimentos, como pequenas cirurgias, atendimentos ambulatoriais. A luta não é para deixar de existir, mas deixar de ser um manicômio. Vamos extinguindo os leitos e transformando as alas em leitos de clínica geral. Hoje o Hospital das Clínicas tem oito leitos de psiquiatria e a ideia é que outros hospitais abram mais vagas. O João Machado vai continuar sendo um hospital de referência psiquiátrica, mas quando o paciente chegar aqui vai ser avaliado e encaminhado para outras unidades. Ontem o secretário já informou a todos os funcionários que se preparem para a mudança”, disse.

Edenilson Miguel também frisou que é necessária a parceria com o município, para que os pacientes que cheguem ao João Machado não fiquem desassistidos. “Tudo o que está sendo definido sobre saúde mental é de acordo com o entendimento entre o Estado e o Município, mas para uma maior efetividade precisamos da reestruturação das duas redes. Antes tínhamos um ambulatório em psiquiatria no João Machado, onde o paciente em crise era consultado e medicado, mas foi extinto porque é de responsabilidade do município. Só que o município pouco fez. Na zona Norte existe apenas um CAPS [Centro de Atenção Psicossocial] para uma população de quase 380 mil habitantes. Então, a rede tem que ser novamente estruturada. Há o medo da população de não mais existir o hospital psiquiátrico e os pacientes não terem mais onde ir. Mas reforço que a proposta não é acabar o serviço é mudar a forma de tratar”.

De acordo com informações da Sesap, ao passar para Hospital Geral, o João Machado receberá recursos federais, que devem girar me torno de R$ 270 mil mensais. “Esses recursos virão diretamente para o Hospital e não mais para a Sesap, e poderemos administrá-lo da melhor forma. Também poderemos aumentar a produtividade dos funcionários, que justamente ganham um valor baixo porque há poucos procedimentos”, disse Edenilson.

Atualmente, o Hospital João Machado conta com 130 leitos cadastrados no Sistema Único de Saúde (SUS) e cerca de 400 funcionários atuando nas enfermarias masculina e feminina, enfermaria para tratamento de pacientes dependentes de álcool e outras drogas, além do pronto socorro.

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    • Francisco

      Em todo mundo há hospitais especializados em tratamento de pessoas com transtornos mentais. A diferença é que lá fora há estrutura, profissionais e atendimento dignos, humanos. A notícia de que vão transformar o João Machado em Hospital Geral me parece, nesse sentido, um retrocesso que, no fundo, indica um aproveitamento estrutural para suprir demandas de outros setores igualmente carentes de investimentos.

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