Joga direitinho
Prefiro nem lembrar a quem emprestei Minhas Mulheres e Meus Homens, de Mário Prata. Comprei à época do lançamento, em 1999 e é uma delícia. Prata, um dos cinco melhores textos de sua geração, resolveu contar a história de pessoas queridas transformadas em verbetes quando achou uma velha agenda telefônica. Para cada nome, um episódio.
Mário Prata é estilista de humor. Li tudo dele. Uma, duas, três vezes. Magro igual a um palito, talvez mais do que eu era quando criança, resolveu se internar num SPA. Tentou entrar com uísque, escondeu cigarro na cueca, foi flagrado e ficou à base de lábia.
De lá saíram histórias fantásticas como a dos irmãos Júnio e Júnia, de Diário de Um Magro 2, melhor ainda do que o Diário de um Magro 1. Júnio e Júnia urinaram na piscina e foram expulsos.
Pratinha foi roteirista de novela das sete, programada pela Rede Globo para ser engraçada, mas nenhum diretor conseguiu emprestar 5% da graça natural do autor. Nem Estúpido Cupido ou Sem Lenço, Sem Documento.
Seus livros são seduções. Paixões clandestinas. Quando você começa, só para quando não tem jeito de continuar. Na última página, no derradeiro suspiro. Linguagem fácil, invejável, leve como o corpo do dentuço que mora em Florianópolis de onde mandou um bom romance policial: Sete de Paus.
Mário Prata nasceu em Uberaba(MG) e viveu em Lins(SP). É um dos caras que idolatra Leivinha, o homem da Copa de 1974 em lugar de Pelé e de Zico. Aos 21 anos, Zico jogava por 200 Leivinhas que não me escute o Pratinha.
Perdi para um gatuno de luxo Minhas Mulheres e Meus Homens. Bem feito. Emprestei de otário. O cara aproveitou meu porre e levou para nunca mais devolver. Na moral dos cabreiros nunca se empresta: Mulher, arma, carro, escova de dente e livro.
A Editora Planeta me salvou, relançando a obra de Mário Prata. Reencontrei e arrebatei da prateleira a reedição da joia surrupiada. Mário Prata mantém os personagens, antes ordenados pelo alfabeto, agora disciplinados pela cronologia. Conserva as informações do original.
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Mário Prata reverencia o seu pai, Alberto Prata Júnior, por destino, médico em Bauru(SP) em 1954. Doutor Alberto quase estraga, sem querer, a história do futebol. É para rolar de rir o causo de Dr. Alberto, contado pelo filho em riqueza de detalhes: Alberto Prata Júnior, médico(Bauru,1954) Meu pai.
Nos anos 50 e 60, foi delegado regional de Saúde na Noroeste de São Paulo. De Bauru até a barranca do Rio Paraná. Ficava três dias em Bauru, a despachar saúde.
De origem humilde, sempre foi muito ligado aos seus servidores igualmente humildes. Assim era com o rapaz que fazia e servia o cafezinho. O nome dele era Dondinho e meu pai sempre dizia que o tal do Dondinho tinha sido jogador de futebol. E bom.
O servente Dondinho gostava do meu pai como chefe, amigo, e, em alguns momentos, conselheiro.
- Doutor Prata, lembra do Waldemar de Brito, aquele que jogava no Palmeiras?
- Grande zagueiro.
- Pois é, doutor. Ele está aqui em Bauru, viu uns treinos do meu filho e quer levar ele para treinar em São Paulo. Tá pensando no Palmeiras, no Santos. O que o senhor acha?
Diz Prata no livro:
Meu pai nem titubeou:- Dondinho, pensa um pouco, Dondinho! O menino nem terminou o ginásio. O importante é o estudo. Depois, depois o futebol. Deixa ele terminar o estudo dele e, quando ele fizer 18 anos, deixa que eu falo com o Carvalho Pinto, arrumo uma nomeação pra ele aqui na delegacia. Futuro garantido.
Dondinho:
- Mas o seu Waldemar tá entusiasmado com ele. o menino joga direitinho.
Dr. Prata:
- Bobagem Dondinho. Futebol não dá camisa pra ninguém.
Agora Pratinha, fantástico como um ponta-de-lança em dribles seriais:
Quatro anos depois do Dondinho não ouvir os bons conselhos do meu pai, fomos um dia a Bauru assistir santos 7, Noroeste 1. O filho do Dondinho, campeão do mundo, depois do jogo, foi se encontrar com a gente na casa do pai que nos serviu, com maestria, o seu cafezin ho.
O filho do Dondinho estava usando uma camisa belíssima.
- É sueca, doutor Prata – disse o Pelé.
E deu a usada no jogo(do Santos) para o meu irmão Leonel, que perdeu a fala e fez cocô nas calças.
Copa do Nordeste
No fim de semana começa a Copa do Nordeste, uma competição motivada e que reacende a rivalidade regional. Fruto, sem favor algum, do esforço do dirigente potiguar Eduardo Rocha.
Para lembrar
O americano deve se inspirar num dos jogos mais importantes de sua história contra o Vitória, o do título da Copa do Nordeste em 4 de junho de 1998. Foi 3×1 América, marcando Biro-Biro, Paulinho Kobayashi e Carioca. Flávio para o Vitória.
Escalações
América: Gabriel; Gilson, Paulo Roberto(André), Lima e Rogerinho; Montanha, Carioca, Moura e Biro-Biro; Paulinho Kobayashi e Leonardo(Wanderley). Vitória: Sérgio; Paulo César(Donizete Amorim), Flávio, Fábio Bilica e Esquerdinha; Donizete Oliveira, Preto Casagrande, Fernando(Evando) e Kleber(Alex); Agnaldo e Petkovic.
Para esquecer
O americano deve esquecer a goleada de 8×1 aplicada pelo Vitória na Taça de Ouro de 1980 na Fonte Nova. Sena, pai do ex-meia Leandro sena, fez três, Tatá, Válder(2) e Pita construíram a goleada rubro-negra. Tarso descontou na Fonte Nova.
Times
Vitória: Gelson; Valder, Zé Preta, Otávio Souto e Vinicius; Xaxá, Sena e Tatá; Silvado, Pita(Zé Júlio) e Zé Mário(Dendê). América: César; Ivã Silva, Joel Santana, Gilnei e Vassil; Ari(Borjão), Davi e Marinho Apolônio; Ito, Paulo César e Tarso.
Para lembrar
O alvinegro deve lembrar da vitória por 1×0 sobre o Ceará em 16 de outubro de 1977, gol de Maranhão Barbudo. O Ceará chegou favorito pois havia goleado o Vasco, então campeão carioca, em amistoso, por 4×1.
Escalações
ABC: Hélio Show; Orlando, Pradera, Domício e Vuca; Baltasar, Danilo Menezes e Maranhão Barbudo; Noé Silva(Serginho), Zezinho Pelé(Moreno) e Noé Macunaíma. Ceará: Sérgio Gomes, Tércio, Lineu, Pedro Basílio e Dodô; Edmar, Zé Eduardo(Jorge Luís) e Serginho; Felipe, Da Costa e Hamilton Melo.


