Jogador da Seleção faz campanha da BBom, suspeita de pirâmide

Meia-atacante, que pode jogar a Copa do Mundo pela Seleção Brasileira, é estrela do vídeo publicitário da empresa; contrato foi firmado antes do bloqueio das atividades

Empresa está com as atividades parcialmente liberadas. Foto:Divulgação
Empresa está com as atividades parcialmente liberadas. Foto:Divulgação

O meia-atacante Lucas Moura, do Paris Saint German, é a estrela uma campanha publicitária da BBom, empresa investigada por suspeita de ser uma pirâmide financeira, cujas atividades estão parcialmente liberadas por uma decisão provisória da Justiça.

O vídeo foi divulgado em 26 de dezembro de 2013 no site oficial da empresa numa rede social, segundo o texto que o acompanha. De acordo com a equipe que administra a carreira do jogador, o vídeo seria veiculado em duas emissoras de TV.

Na propaganda, Lucas, candidato a jogar a Copa do Mundo de 2014 pela Seleção Brasileira, aparece com um agasalho da BBom num vestiário. Depois, faz alguns dribles num campo e sobe as arquibancadas. O jogador está na penumbra, e seu rosto é pouco visível durante todo o vídeo.

A empresa foi bloqueada por decisão judicial provisória em julho de 2013, em razão da suspeita de ser uma pirâmide financeira, e liberada parcialmente em novembro, por uma decisão também provisória, e ainda enfrenta uma ação civil pública que pede a sua extinção.

“Adversário? Marcação cerrada? Driblo todos eles, e nada vai conseguir me parar. E sabe por quê? Porque eu acredito no meu talento. E sempre que entro em campo, jogo para ganhar. A partida vai começar”, diz o jogador no vídeo encerrado com o novo bordão da empresa “Vamo pra cima.”

O novo endereço da BBom na internet é www.vamopracima.com.br.

Segundo a equipe que administra a carreira de Lucas, o contrato com a Embrasystem – dona da marca BBom – foi firmado antes do bloqueio. A gravação ocorreu em agosto e o contrato se encerra em fevereiro deste ano.

Por e-mail, a Embrasystem  – cujos representantes sempre negaram irregularidades – informou que não iria comentar.

“A empresa não irá se manifestar, porque a matéria está sendo tendenciosa e não com interesse no foco jornalístico.”

Bloqueio, liberação

Criada em fevereiro de 2013 como braço de marketing multinível da Embrasystem, que atua no mercado de rastreamento de veículos, a BBom prometia à época lucros na comercialização de assinaturas do serviço por meio do sistema de marketing multinível – um modelo de varejo legal em que representantes autônomos são premiados pelas vendas feitas por outros representantes autônomos.

O modelo fez sucesso. Até julho, quando foi bloqueada, cerca de 300 mil pessoas se tornaram associadas do negócio. Elas pagaram taxas que variam de R$ 600 a R$ 3 mil por conjuntos de pacotes de assinaturas de serviços de rastreamento que deveriam ser revendidas.

O congelamento foi pedido pelo Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO) e pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), com o argumento de que o faturamento da BBom dependia dessas taxas, e não dos serviços de rastreamento.

Em novembro passado, o desembargador Reynaldo Fonseca, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), liberou parcialmente as atividades da empresa, por meio de um mandado de segurança.

Para o magistrado, o bloqueio total das atividades da BBom é indevido pois “algumas das formas de comercialização do produto utilizadas pela impetrante [a BBom] não apresentam, de plano, características do denominado esquema de “pirâmide financeira’.”

A decisão, entretanto, não afetou o andamento da ação civil pública em que o MPF-GO e o MP-GO pedem a dissolução da BBom e o ressarcimento de quem investiu dinheiro no negócio.

Lamborghini

A campanha com jogador Lucas é apenas uma das estratégias para atrair novos associados. Na próxima quarta-feira (8), está marcado um evento da BBom em parceria com um site de leilão de centavos em que será entregue uma Lamborghini. Segundo a página da BBom numa rede social, o carro foi arrematado no certame.

Assim como a BBom, a Telexfree – também investigada por suspeita de pirâmide e que segue com as atividades bloqueadas – recorreu a celebridades para reforçar a sua marca. Os cantores Bruno e Marrone foram contratados para fazer show num cruzeiro realizado pela empresa em dezembro. A Telexfree também sempre negou irregularidades, e também aguarda julgamento final da Justiça.

Fonte:IG

Compartilhar: