Estado de saúde da Jornalista da TV Globo, Sandra Moreyra, é grave

Jornalista luta contra um câncer de esôfago descoberto no ano passado

A jornalista Sandra Moreyra, da Globo, descobriu que está com um câncer no esôfago no ano passado. Foto: Divulgação
A jornalista Sandra Moreyra, da Globo, descobriu que está com um câncer no esôfago no ano passado. Foto: Divulgação

A jornalista da TV Globo Sandra Moreyra, de 59 anos, precisa de doadores de sangue. Ela foi submetida a uma cirurgia para a retirada de câncer no esôfago que durou 14 horas, e, segundo os médicos, perdeu muito sangue. Sandra segue internada, em estado grave, no CTI do Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro.

A apresentadora Renata Ceribelli comentou no Facebook que, apesar de ainda estar entubada no CTI, Sandra Moreyra já está conseguindo se comunicar. “Continuamos juntos na luta com a certeza de que ela vai se recuperar totalmente dessa guerra saindo inteira do campo de batalha, sempre sorrindo, confiante, pronta para reassumir seu posto de repórter brilhante. Força!”.

Sandra descobriu que está com um câncer no esôfago em agosto de 2013. No mesmo mês, ela usou sua conta no Facebook para desabafar: “Pensei umas cem vezes antes de escrever e me expor por aqui, mas tenho recebido muitas mensagens de tantos amigos que aí vai: comecei a quimio”.

Ela descobriu que está com um câncer no esôfago. No dia 6 de agosto passado, ela usou sua conta no Facebook para desabafar: “Pensei umas cem vezes antes de escrever e me expor por aqui, mas tenho recebido muitas mensagens de tantos amigos que aí vai: comecei a quimio”.

A experiente jornalista afirmou na rede social que as mensagens de afeto de seus seguidores têm ajudado a animar seus dias: “Vocês todos, tão amigos, me animam muito. E tenho o Rodrigo Figueiredo (marido), ao meu lado. O que é bom demais”.

A escritora e colega de profissão de Sandra, Cora Ronai, enviou uma mensagem para a jornalista: “Na maior torcida por você! Que tudo corra bem, muito bem”.

Ela ainda usou o desabafo para criticar a demora em marcar exames no Brasil: “Nove dias pra sair o resultado! É um drama marcar exames. O sistema esta fora do ar. Vai ter que ficar pra segunda. Tenho vontade de chutar o balde!”.

Em entrevista ao site Purepeople, Sandra falou sobre sua vida profissional: “Neste momento parei para fazer os exames e me tratar, mas logo estou de volta e com tudo”.

A jornalista realiza seu tratamento duas vezes por semana no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, que vai durar 4 meses.

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HISTÓRICO

A repórter Sandra Moreyra tem lembranças diversas de sua estreia no jornalismo. Recém-formada, fora contratada pelo Jornal do Brasil e sua primeira matéria assinada seria no caderno de cultura do jornal, o prestigioso Caderno B. “Minha primeira matéria assinada foi para a capa do Caderno B, quando houve aquele incêndio horrível do Museu de Arte Moderna (MAM). Eu fiz uma matéria sobre a perda do acervo. No dia seguinte, saí de casa para comprar o jornal. Quando abro o jornal, estava lá: ‘Sandra Oliveira’. Depois me explicaram que, na revisão, disseram: ‘Não tem Sandra Moreyra. Tem Sandro Moreyra” – pai da jornalista, então funcionário do JB – “E tacaram um Oliveira! Assim, eu aprendi que não dá para ser muito vaidoso com essa coisa de jornalismo”, diverte-se.

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Hoje com 40 anos de profissão, Sandra Moreyra faz parte de uma família de jornalistas. Já são cinco gerações. Sua irmã, Eugenia, é diretora da Globo News. O bisavô paterno delas, um gaúcho que trabalhava com comércio de atacado, nas horas vagas colaborava com um jornal do Rio Grande do Sul. O avô, Álvaro Moreyra, era escritor, membro da Academia Brasileira de Letras, e dirigiu importantes revistas nos anos 1950, como Fon-Fon e Paratodos. Sandro Moreyra, um reconhecido jornalista esportivo. A filha de Sandra, Cecília Figueiredo, formou-se em jornalismo e trabalha como documentarista.
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Sandra Maria Moreyra nasceu no Rio de Janeiro, em 28 de agosto de 1954, apenas quatro dias depois do suicídio do presidente Getúlio Vargas. Sandro Luciano Moreyra, seu pai, fez história como um dos mais importantes cronistas esportivos do jornalismo brasileiro; sua mãe, Lea de Barros Pinto, ainda viva, era professora. A família de classe média garantiu que estudasse em bons colégios e pudesse fazer faculdade de jornalismo. Em 1975, após um concurso, começou seu primeiro estágio, no departamento de pesquisa do Jornal do Brasil, então um dos principais jornais diários do país. Formou-se em 1976, foi contratada e, em 1978, foi para a reportagem geral do jornal, onde de fato começou sua carreira de repórter. “Esse período foi interessante. Foi uma época em que o JB era muito bom, os grandes nomes da imprensa estavam lá: Elio Gaspari, Luiz Orlando Carneiro, Paulo Henrique Amorim, Renato Machado”, recorda.

Em 1979, precisou deixar o JB, pois seu marido trabalhava numa empresa de engenharia e foi transferido para a Argélia. Chegou a produzir algum material para o jornal, engravidou, voltou para o Brasil e começou a trabalhar numa agência de publicidade, onde teve seu primeiro contato com o vídeo. Mais uma vez, o marido fora transferido, agora para Salvador, e Sandra resolveu bater na porta da TV Aratu, na época afiliada da Globo – havia gostado de mexer com imagens e queria se especializar. Foi aceita, como uma espécie de aprendiz, mas começou a ficar muito insatisfeita, pois trabalhava das 8h às 20h, sem parar, sábados e domingos inclusive. Acabou na TV Bandeirantes, que precisava de uma repórter. “A redação da TV Bandeirantes em Salvador tinha seis pessoas, então você fazia tudo. Tudo ia ao ar, porque não tinha que preencher o espaço do jornal. Então, foi um ótimo lugar para aprender”, avalia.

Ficou em Salvador até o fim de 1982, quando voltou para o Rio de Janeiro. Foi convidada para trabalhar na TV Manchete, já como subeditora de um jornal de cultura e entretenimento, o que se transformaria numa de suas marcas. Mais uma vez, porém, uma viagem mudou seus planos profissionais: o marido foi enviado para Minas Gerais, e a jornalista conseguiu uma transferência para fazer matérias especiais em todo o estado mineiro. Logo foi convidada para trabalhar na Globo, como repórter.“Cheguei em Minas no fim de 1983, e no meio de 1984 entrei para a Globo de lá. A gente mandava matéria para o Jornal Nacional quase todo dia. Ainda mais quando começou a campanha do Tancredo Neves para a Presidência”, destaca. A jornalista, aliás, participou ativamente da cobertura da morte do então presidente eleito Tancredo.
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De volta ao Rio, em 1986, na cobertura do Plano Cruzado, Sandra Moreyra acabou participando de um momento histórico da televisão brasileira.  Ela fazia reportagem dentro da Sunab, com os chamados “fiscais do Sarney”, e fez um RJTV ancorado dali. Era a primeira vez que isso acontecia. Depois, repetiu o feito ao fazer, pela primeira vez na história do Jornal Nacional, o anúncio, ao vivo, de uma das manchetes daquela edição – no caso, direto de uma festa popular após uma das vitórias da seleção na Copa de 1986. A repórter destaca, ainda, a cobertura do naufrágio do Bateau Mouche. Ela estava grávida de seu filho mais novo, Ricardo, e telespectadores chegaram a ligar para a Globo para pedir que tirassem a gestante daquela cobertura. “Eu, com o maior barrigão, fazendo flash daquilo. Uma coisa maluca, e a gente nem se tocou”, ri.

Sandra também gosta de lembrar as matérias que fez para o Globo Repórter, não por acaso matérias de comportamento, especialmente uma sobre adolescência e outra sobre sexualidade feminina. “Eu mandava pauta para o Globo Repórter, ia para lá e fazia o programa. Depois voltava para a editoria Rio. Nunca fiquei direto no Globo Repórter. Também fui duas vezes ao Peru: na eleição do Fujimori e em sua reeleição, em 1995”, explica. Em 1996, foi trabalhar no Bom Dia Brasil e, três anos depois, foi convidada para trabalhar na Globo News, onde não só fez matérias e editou, como também ajudou a cuidar de toda a parte gerencial e administrativa, ampliando sua experiência em televisão. Lá, também apresentou o programa Espaço Aberto Literatura. Em 2004, de volta à Globo, participou da série comemorativa dos 35 anos do Jornal Nacional, com a reportagem As Mudanças nos Costumes dos Brasileiros. Em 2008, dividiu com a jornalista Mônica Sanches a apresentação da premiada série 1808 – A Corte no Brasil, exibida em comemoração pelos 200 anos da chegada da família real.

Ela já dedicou praticamente 40 anos de sua vida ao jornalismo, e continua a fazê-lo. Talvez por isso seja difícil apontar em sua longa carreira uma cobertura, entre tantas e tantas, que considere mais importante ou que tenha tido maior ressonância. Mas não titubeia ao apontar uma de suas matérias mais marcantes, que mexeu com ela não apenas como profissional, mas particularmente como ser humano. Foi a reportagem que fez sobre o enterro das vítimas de uma chacina em Vigário Geral, na zona norte do Rio de Janeiro. Era o fim de agosto de 1993, e a violência mexera com toda a cidade, de tal forma que abalou a própria autoestima dos cariocas. “Na hora de escrever o texto, a matéria tinha uma carga de emoção tão forte, da dor daquelas pessoas, da violência, que pensei: ‘Tenho que botar isso nas palavras mais simples’. Quando a matéria entrou no ar, foi um soco no estômago. Ela estava muito mais forte do que eu poderia imaginar, porque consegui exatamente isso, lidar com a realidade sem querer ser mais do que ela, sem querer aparecer mais. Aquilo era tão forte, que as imagens falavam por si; o texto era só uma pequena costura. No dia em que fiz aquela matéria foi quando senti: ‘Puxa vida, cresci. Que bom!”, conta.

 

[Depoimento concedido ao Memória Globo por Sandra Moreyra em 15/05/2002.]

 

Fonte: Uol/TV Globo

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      espero q corra tudo bem e ela consiga escapar dessa! ótima profissional

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