Jornalista Flávio Rezende quer transformar seu 24º livro em filme

Ele conversa com O Jornal de Hoje sobre processo criativo, eventos mundiais

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Conrado Carlos

Editor de Cultura

Na próxima terça-feira (15), o jornalista, escritor e ativista social Flávio Rezende lança seu 24º livro, “Quero que este livro vire um filme”. O evento acontecerá na livraria Saraiva do Natal Shopping, entre 19h e 22h. A história de um escritor que deseja ver um livro de sua autoria adaptado para o cinema ganha as ruas de Nova Iorque, onde, no futuro, radicais cristãos serão dominantes na sociedade (em todos os Estados Unidos). A partir de um crime na 5ª Avenida, uma reação mundial é desencadeada e a trama de Flávio ganha vida. Para adiantar algumas impressões, segue uma entrevista em que ele repassa o processo criativo, a origem da ideia para o livro e a importância que o ato de escrever tem em sua rotina.

 

O Jornal de Hoje – Flávio, escrever um livro é uma missão que pode demorar muito. Você tem 53 anos e publicará seu 24º trabalho. Um número impressionante. Como funciona seu processo criativo? Carrega bloco de anotações? Primeiro pensa no final da história ou parte de um personagem? Que horas costuma escrever?

Flávio Rezende – Não demoro para escrever meus livros. Às vezes existe um espaçamento de tempo por causa das coisas cotidianas. Se tivesse dedicação exclusiva para escrever livros, creio que escreveria livros de até 200 páginas em dois ou três dias. Quando me aposentar e tiver mais tempo, o que acontecerá em cinco anos, devo aumentar o número de página dos meus livros e escrever ficções bem maiores. Com relação ao processo criativo, não sei como explicar, todos os momentos, várias vezes, olhando coisas, assistindo filmes, lendo outros livros, viajando, olhando as pessoas nas ruas, recebo mentalmente enredos de estórias prontas, ou fragmentos, mas não escrevo e a maioria não lembro depois. Como isso ocorre constantemente, prefiro dar espaço para escrever aquela que pintar no momento em que eu me disponho a escrever. Acho tudo meio mediúnico, as coisas surgem com muita facilidade, não encontro definição e nem explicação, é um dom e acontece naturalmente. Não carrego bloco de anotações e não anoto nada. Com relação a ordem da estória, já aconteceu de todas as formas, afinal são 24 livros, já teve livro de ir fazendo sem pensar em nada, já teve livro de pensar o fim, enfim, já aconteceu de todas as formas. Os primeiros livros eu escrevia de noite, agora mais velho e cansado, depois de muitas ações durante o dia, prefiro escrever mais de dia, preferencialmente pela manhã e deixar as noites para ver tv, ler e dormir.

 

JH – Seu ritmo de produção sugere que escrever é como respirar, para você.

FR – Adoro escrever. Produzo artigos praticamente semanalmente. É um momento especial. Às vezes choro lendo as coisas que escrevi, ali estou inteiro e não invento nada, são coisas que saem do meu interior mesmo. Já nos livros ficciono, mas quem me conhece encontra em personagens dos meus livros a minha personalidade, meus gostos e pensamentos. Não consigo muito dissociar a minha realidade da realidade das estórias que crio, então sempre tem muito do meu ser nas coisas que escrevo. Se um sujeito vibra quando sola uma guitarra e um artista goza quando observa um quadro seu concluído, sinto igualmente estas gostosas sensações escrevendo e lendo o que posso produzir. Me sinto também muito bem pois todo o meu trabalho tem como objetivo provocar bem estar nas pessoas, então escrever é também um ato político de caráter até religioso e humanista.?

 

JH- Algum fato pessoal ou notícia motivou a narrativa?

FR- No caso deste livro novo a percepção do envolvimento do fato religioso na política e na gestão em alguns países, mais pelo lado muçulmano, me leva a crer que um dia haverá ingerência religiosa no ocidente e creio ser nos Estados Unidos, é mais uma percepção das coisas, a degradação dos costumes e a radicalização das posições, que deu este pano de fundo para este novo livro.

 

JH – um dos principais sonhos de todo escritor é ter um livro adaptado para o cinema. Também imagina ser esse um dos maiores prazeres que um escritor pode ter?

FR – Realmente, este é verdadeiramente um desejo que alimento e a estória do livro pode se transformar numa história com “h” no futuro, quem sabe???

 

JH – Sobre o enredo, é esse um dos maiores perigos para a humanidade, um grupo radical, supostamente em nome de Deus, tocar fogo em tudo?

FR – Existem várias coisas que podem por em risco a harmonia do planeta e elas estão ocorrendo neste exato momento em diversos locais. Se formos analisar as motivações por trás de cada conflito deste, micro, que pode descambar para algo macro, o fato religioso é a maioria, e na minha opinião o que deveria unir e promover crescimento, é hoje motivo para grande preocupação, pois essa loucura religiosa pode levar a nossa extinção.?

 

JH – O que tem lido no momento? Quais são seus autores prediletos?

FR – Tenho lido pouco, quase nada. Tenho um intenso trabalho social, filha pequena, filho adolescente, muitos trabalhos e quando tento ler de noite adormeço. Estou fazendo ainda um mestrado e preciso ler alguns livros relacionados aos estudos da mídia, então ando lendo mais revistas, mas quando folheio algum livro, continuo gostando dos livros espiritualistas de Osho, Sai Baba etc.

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