Jornalistas do RN refugaram diante de um inglês e seus asseclas anabolizados

Todos bastante atentos para o curioso caso de Lord Armstrong

Conrado Carlos
Editor de Cultura

A semana termina com reclamações para todo lado contra o presidente do Alecrim FC, o britânico Anthony Armstrong. O sujeito teria gritado com meia dúzia de repórteres que estava em São Gonçalo do Amarante para cobrir mais uma pelada do Campeonato Potiguar (o ‘derby’ contra o ABC). Pior: vetou a entrada da galera no estádio e se inchou feito uma naja, ladeado por uma penca de trogloditas. Tenho uma tese para quem é metido a valente em bando ou armado.

Certa vez, um colega praticante de jiu jitsu, no auge das confusões entre academias, foi cantado para a briga por um ‘rival’, na porta de uma universidade particular. A gritaria das menininhas foi seguida por um clarão aberto na calçada, para revelar uma gangue composta por seis indivíduos (todo mundo moleque), um deles o desafiante que exalava uma bravura indômita. Meu colega, claro, aceitou os impropérios na sua, mas deixou um aviso: “A gente se encontra por aí”.

Dito e feito. Meses depois, em uma agência bancária, ele mal parou na fila dos caixas eletrônicos, quando percebeu o desafeto, metros adiante. Ambos tinham menos de 21 anos, idade em que os pudores para fazer bobagem em público constantemente são postos em banho Maria. Meu colega foi lá tirar satisfação retroativa. “Não, rapaz, aquilo já passou, foi mal, deixe isso para lá, mais ômi”, foi mais ou menos o que disse o frouxo na frente de vários incrédulos.

Relembrei dessa história ao acompanhar o curioso caso de Lord Armstrong. Dizem que só Marcos Lopes, da Rádio Globo, teve peito para verbalizar insatisfação contra o escrete de bombados e o líder que decalcou antipatia no clube mais simpático da capital – como Eurico Miranda, no Vasco. Sei que existe ética, bom comportamento, normas de educação, respeito ao semelhante, medo da demissão e toda uma ladainha profissional, mas tem limite – e um campo invisível que jamais deve ser ultrapassado.

Tenho uma profunda ojeriza por quem banca o brabão, o dono do maior dedo em riste, da voz mais estridente numa discussão e refuga no mano a mano. Isso, para mim, é coisa de meio homem. Numa contenda, seja ela verbal ou em vias de partir para a agressão física, ou você usa de inteligência emocional (um pouquinho de autoajuda não faz mal a ninguém) ou vai pra tapa, como fazia Ernest Hemingway que, mesmo franzino, encarava qualquer um.

É mais ou menos o que fez o desembargador da padaria. Com o garçom, tocou no ombro (não se toca em ninguém, autoridade) e falou grosso. Era maior, mais poderoso, mais eloquente em todos os sentidos. Foi só um grandão fora do script dar duas lapadas numa mesa que ele sentou e se lembrou de que era um homem de Deus. “Amém, desembargador!”. Chega uma hora que o olho de tigre funciona. O lance é manter o embate até certo ponto.

As mulheres nos admiram por sermos pragmáticos e termos uma maior facilidade para o convívio em grupo – é fato que um ambiente de trabalho em que elas predominam tem mais fofocas e desentendimentos. Homem sabe que se ficar falando mal do outro vai terminar em tiro ou porrada, sem direito a futrica de bastidores. Só que existem os imbecis que renegam o corpo pequeno ou a idade avançada com um berro na cintura ou um capanga a tira colo.

Aqui no prédio tem um exemplar desse. Um tampinha de um metro e meio de pelanca que casou com uma mulher mais nova, bonita. Ele a trata mal na frente dos outros e não esconde seu ciúme doentio (como vingança ela é toda sorrisos quando está sozinha). Bota cara feia pra todo mundo. Dizem as más línguas que é advogado e que curte puxar um gatilho amuado. Um verdadeiro canalha que merece ter a cueca puxada até o meio das costas, só de sacanagem.

Quanto ao Alecrim, foi o clube que me fez ir ao Castelão pela primeira vez, em 1986, na derrota de um a zero para o Santa Cruz, pelo Campeonato Brasileiro. Era o atual bicampeão estadual, creio que treinado por Ferdinando Teixeira. Só que virou protetorado do barbudo da carteira recheada. Sou adepto da opinião de Rubens Lemos aqui do jornal, que convoca um boicote da imprensa ao time. Ou então juntarmos um bonde de pesos-pesados para levarmos o presidente num rolezinho.

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Som da Mata
O domingão em Natal tem boa música também. No Parque das Dunas, dentro do projeto Som da Mata, Sérgio Groove desfilará seu carisma e talento em um repertório que mistura jazz, bossa nova, funk e ritmos regionais, como o baião. Quem já o viu em ação, sabe que não exagero. O sujeito é internacional. Ele será acompanhado de Ozi Cavalcanti (saxofone e trompete), Diego Medeiros (bateria) e Raniere Mazille (guitarra), ele começa a tocar às 16h30. Por apenas um real você curte cerca de uma hora do filé musical natalense.

Rock in the Sun
Já no litoral Sul, em Barra de Tabatinga, após a noitada de reggae da sexta-feira, o bar Macaco Pirata convoca os roqueiros simpáticos ao gênero experimental para uma nova sessão de boa musica. Intitulada Under The Sun, a noite terá as bandas Son Of The Witch, Psiconauta (PE), Anti Sapience Club, Beggar’s kingdon, Zurdo, Talude e Ex-Isto!. A farra começou agora a pouco, às 14h, mas se estenderá noite adentro. E o melhor: a entrada é gratuita.

Curso
O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/RN) divulgou na última quinta-feira a prorrogação do credenciamento de novos educadores para a Instituição até o próximo dia 24 de janeiro (sexta-feira). O credenciamento exige que os profissionais comprovem qualificação acadêmica, técnica ou experiência profissional e habilitatória. A documentação necessária e a forma para o credenciamento estão estipulados no edital e em seus anexos, acessíveis através do site www.senarrn.com.br. Para maiores informações: Comissão Permanente de Licitação do Senar, em Natal, e pelo telefone (84) 3342-0200.

Livro
Quatro ensaios do historiador italiano Carlo Ginzburg abordam as faces da política na arte. “Medo, reverência e terror” (Cia das Letras) tem como foco o papel do medo e as paixões a ele relacionadas em obras visuais planejadas para comover politicamente o público a que se destinam – e assim persuadi-lo. O historiador italiano dá continuidade a uma vertente de interpretação esboçada por Aby Warburg há mais de cem anos, como, por exemplo, as expansões de gozo erótico de helenístico, que podem reaparecer, com sentido invertido, nos gestos de dor de uma Madalena ao pé da cruz do Quattrocento florentino.

Livro – II
Outro lançamento da Cia das Letras é “Bom dia, Camaradas”, do angolano Ondjaki. O cenário é a Luanda dos anos 1980 cheia de professores cubanos, escolas entoando hinos matinais e jovens de classe média. Através do olhar lírico de um garoto, o leitor é levado a uma Angola que acabou de se tornar independente e é obrigada a repensar as regras sociais e a questionar as causas da desigualdade. Do universo do romance também fazem parte as lembranças dos cartões de abastecimento, as desigualdades sociais e os conflitos entre modernidade e tradição.

Novo disco de Beyoncé
A turma que saiu de Natal e foi bater em Fortaleza para ver o show da Single Lady deve estar animado com o primeiro lugar na parada da Billboard desde odia 13 dezembro passado, quando o álbum homônimo chegou as lojas. O CD vendeu quase 1 milhão de cópias nos dez primeiros dias e 250 mil downloads legais, segundo site Musicmetric. Quem não ouviu, encontrará mais do mesmo. O que não é ruim, se você já rebolou ao som da mulher de Jay-Z.

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