José Adécio: “Bancada governista é acentuada, mas está faltando coesão”
José Adécio, do DEM, é o novo deputado estadual do Rio Grande do Norte. Ele voltou para a Assembleia Legislativa na última sexta-feira, assumindo a cadeira deixada por Dibson Nasser, do PSDB, cassado por abuso de poder econômico. Agora, pretende usar a longa experiência de 24 anos de mandato no Legislativo para “agregar” a bancada governista e ajuda o Governo Rosalba Ciarlini, sua colega de partido.
“É claro que serei um deputado aliado ao Governo. A governadora é do meu partido. O presidente do meu partido (José Agripino Maia, senador), é um grande aliado da gestão. Sou um ex-auxiliar do Governo (foi durante dois anos diretor presidente da Centra de Abastecimento do RN, Ceasa). E acredito que posso ajudar muito sendo um pólo agregador. A bancada governista é acentuada, mas está faltando coesão”, avaliou José Adécio.
Segundo o novo deputado do DEM, com a sua experiência, poderá conversar com os parlamentares aliados e opositores para chegar a um consenso e ajudar a gestão a andar. “Tenho 24 anos de experiência na Assembleia. Sei conversar com os colegas e tenho o único pensamento de unir a bancada. O governo tem que conversar, tanto com aliados, quanto com opositores”, analisou. Nesse aspecto, na lista de “colega aliados” ainda está incluído os deputados do PMDB. O partido, porém, já anunciou diversas vezes que em março vai fazer uma avaliação da gestão e poderá deixar a base aliada do governo.
“Vou fazer o possível para o PMDB continuar aliado ao governo, porque é um aliado muito importante para a gestão, não só pelos quatro deputados que têm (Walter Alves, Gustavo Fernandes, Hermano Morais e Nelter Queiroz), mas também pelas lideranças como Henrique Alves (deputado federal) e Garibaldi Alves Filho (ministro da Previdência Social). Porém, a decisão cabe ao próprio PMDB”, avaliou José Adécio.
CEASA
A chegada de José Adécio à Assembleia Legislativa marca também o fim do ciclo dele como diretor-presidente da Ceasa, cargo que exercia desde o início da gestão Rosalba Ciarlini. “Avaliou minha passagem na Ceasa como positiva, até porque ela estava há anos só dando prejuízo e hoje, finalmente, dá lucro”, garantiu o novo deputado do DEM.
Sobre os próprios feitos na Central de Abastecimento, José Adécio destacou o rompimento do contrato com a empresa terceirizada que garantia toda a mão de obra necessária para o local, mas também cobrava um valor mensal de R$ 234 mil. “Rompemos esse contrato e abrimos licitação para todo o nordeste, contratando outras três empresas para suprir essa necessidade que nos proporcionaram uma economia mensal de R$ 100 mil”, afirmou.
Além disso, José Adécio destacou o projeto de controle de agrotóxico desenvolvido na Ceasa e que fez todos os produtos negociados por ela e levado para supermercados serem totalmente livres desses químicos que podem ser prejudiciais à saúde.
PROCESSO
José Adécio fez questão de deixar claro na entrevista concedida aO Jornal de Hoje pela manhã, que não “ganhou o mandato no tapetão”. Isso porque a participação dele no processo de cassação do deputado Dibson Nasser foi “mínima”. Afinal, até a Ação de Investigação de Mandato Eletivo (AIME), que deu origem a cassação, foi ideia dele. Foi na verdade proposta pelo PRB e, só na reta final do julgamento, absorvida pelo Ministério Público Eleitoral – e, a partir deste momento, tendo ele como auxiliar.
Vale lembrar que o pedido de cassação de Dibson Nasser foi originário de denúncias de irregularidades ocorridas durante a campanha, como os de concessão de benefícios previdenciários em troca de votos no município de Areia Branca. Depois, com as investigações do Ministério Público para a Operação Impacto (que levou a condenação do pai dele, Dickson Nasser), foram encontrados indícios de doações de recursos para a campanha realizadas por detentores de cargos comissionados da Câmara Municipal de Natal (CMN), onde o pai do deputado, à época, exercia o cargo de presidente da Casa, o que caracterizaria um possível uso do poder de nomear servidores para direcionar recursos públicos para a campanha de seu filho; e a realização de doações vultosas para a campanha por empresas que venceram licitações na CMN, bem como a prestação de serviços dessas empresas para a campanha, evidenciando que suas contratações para a campanha estariam ligadas à percepção de recursos públicos.
“Sempre achei que decisão judicial não se discute, se cumpre. Por isso, não discuto o tempo que se levou para cassar o mandato (o processo chegou ao Tribunal Regional Eleitoral em fevereiro e só terminou de ser julgado em outubro). Quando a Justiça determinou que eu assumisse, tinha a opção de fazer isso ou deixar o cargo para o segundo suplente, então assumi”, explicou.
Notícias Relacionadas

