Agripino: derrota de Rosalba representa sobrevivência do Democratas

Democratas decide na convenção negar apoio a reeleição da atual governadora, a única da sigla no País

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Alex Viana

Repórter de Política

A governadora Rosalba Ciarlini (DEM) ficou impedida pelo partido de disputar a reeleição. A tese do presidente do DEM, senador José Agripino Maia, de chapa proporcional coligada ao PMDB, obteve 121 votos neste domingo, durante convenção do DEM. Rosalba, que defendia candidatura própria, somou 63. Ao todo, 48 convencionais se abstiveram de votar. Houve ainda nove nulos e dois brancos. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE/RN), 243 delegados do DEM estavam aptos a votar.

O DEM considerou a candidatura de Rosalba inviável do ponto de vista político, eleitoral e jurídico. A legenda optou por priorizar a reeleição do deputado federal Felipe Maia e dos deputados estaduais Getúlio Rego, José Adécio e Leonardo Nogueira. “Estou tranquila, serena e com a consciência que lutou até o fim para ter o direito de ser julgada pelo povo nas urnas”, afirmou Rosalba, após a derrota na convenção. “Esperava poder mostrar o que fiz e deixar os potiguares julgarem”, completou.

O senador José Agripino Maia, após o resultado da convenção, em entrevista à imprensa, disse que o partido optou pela sua sobrevivência, pela chapa proporcional, federal e estadual. Para que os parlamentares tenham a chance de reeleição. Ele afirmou que com a candidatura posta só da governadora, sem vice, sem senador, sem chapa proporcional, o DEM iria disputar uma eleição com chances absolutamente mínimas e de uma candidata à governadora que não ia eleger nenhum deputado federal e nenhum deputado estadual. Segundo Agripino, o partido optou pela “sobrevivência com dignidade”.

Durante a convenção estadual do DEM, foram apresentados os nomes da legenda que entrarão na disputa para deputado estadual e federal. Para federal um único nome foi aprovado, Felipe Maia. Já para deputado estadual, além dos três atuais, Getúlio Rego, Leonardo Nogueira e José Adécio Costa, também disputarão os pré-candidatos Odiléia Mécia da Costa e Carlson Gomes.

TENSÃO

O clima na convenção foi tenso, com considerações de parte a parte. Rosalba ressaltou ser credora de um gesto do DEM, uma vez que ela não abandonou o partido para assumir o PSD no momento que Agripino assumia a presidência nacional. Em 2010, o DEM elegeu apenas dois governadores: Além de Rosalba, Raimundo Colombo, de Santa Catarina, que deixou a legenda para se filiar ao PSD. “Eu não poderia abandonar o senador justo no momento que ele assumia o presidente nacional”, disse Rosalba.

Na convenção, Rosalba ainda afirmou ter três partidos para coligar em favor de sua candidatura à reeleição. Foi entregue um documento com três partidos se comprometendo a fazer coligação em prol do nome de Rosalba. O documento continha a manifestação do PP, PEN e o PRP. No entanto, o presidente estadual do PRP, Tomás Sena, afirmou à imprensa que o documento apresentado pelo grupo da governadora Rosalba Ciarlini durante a convenção estadual do DEM não tem validade.

O ex-vereador Ney Júnior disse, ao término da reunião, que irá pedir a impugnação da convenção do DEM porque a mãe dele, Abigail Lopes, foi impedida de votar. Abigail não votou porque , segundo o coordenador da votação, foi feito um acordo entre os dois grupos para votação ser encerrada às 13h30. A discussão foi intensa. O pai de Ney, ex-deputado federal Ney Lopes, voltou a afirmar que estavam tentando fazer “cassação branca” contra a governadora. Ele ressaltou ter 40 anos de advocacia, que presidiu a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados em época de reforma eleitoral e declarou que a eleição de Rosalba não prejudicaria a proporcional.

Durante convenção, Wilma é acusada de fazer licitações vazias

A governadora Rosalba Ciarlini, durante convenção do DEM, acusou o governo Wilma de Faria de fazer licitações vazias para a Copa do Mundo. Ela disse que Natal perderia a Copa porque o governo do Estado promoveu licitações vazias. “Íamos perder porque o Governo passado (Wilma de Faria) fez licitações vazias. Comecei o Governo sem saber o que teria no outro passo, mas fui em frente. A Copa era fundamental para o nosso turismo. A Prefeitura diz que tem R$ 2 bilhões para obras de mobilidade, mas se não tivesse a Copa não haveria esses recursos”, disse.

As declarações da democrata se deram um dia após Wilma de Faria acusar Rosalba de ter sido incompetente em relação ao legado da Copa. Wilma afirmou, em entrevista ao Jornal de Hoje, que obras como o prolongamento da avenida Prudente de Morais, iniciada na sua gestão, e a duplicação da avenida Engenheiro Roberto Freire, poderiam estar prontas.

Emocionada, Rosalba Ciarlini citou o pai de Agripino, ex-governador Tarcísio Maia, de ter incentivado ela a entrar na vida pública e a não conviver com improbidade. “Quem mais me estimulou a sair do meu consultório e lembro ainda hoje quando resistia foi doutor Tarcísio Maia: que chegou e me disse ‘venha fazer mais, pela cidade como um todo’. Ele foi um dos que tentou me colocar no caminho da vida pública”, disse, acrescentando que seguia os ensinamentos de não conviver com a improbidade e estar de “mãos limpas”.

José Agripino: “Se Rosalba fosse candidata, não teríamos deputados”

Em dado momento da convenção, o senador José Agripino Maia afirmou que se a tese de Rosalba Ciarlini prosperasse não haveria chapa para a eleição proporcional. “Não pretendo subtrair da governadora o risco de estar infringindo o regimento do partido. Temos um parecer da assessoria jurídica”. Ele declarou que colocaria a candidatura de Rosalba em votação “para evitar que especulações de ordem política posam surgir”. Entretanto, de acordo com Agripino, “se a chapa de Rosalba ganhasse não teríamos direito a ter candidato a federal e estadual nenhum. O momento de compor o restante da chapa passou”, disse o presidente nacional e estadual do partido.

“Vamos falar português claro. A governadora como está posta a reeleição, pleiteia ser candidata. Mas o que queremos é preservar o partido, temos chapa proporcional para deputado estadual e federal”, ressaltou ainda o senador. Ele afirmou que não havia nenhum candidato a vice. “Na hora que for registrar a chapa no TRE não acontecerá porque ela não tem vice”, disse Agripino. Ele afirmou ainda: “o momento de conseguir um vice já passou”.

Jurídico de José Agripino e Rosalba travam discussões

Durante a convenção do DEM neste domingo, destaque para a atuação dos jurídicos de ambas as teses. O advogado do diretório nacional do DEM, Fabrício Medeiros, proferiu parecer contrário ao pedido de Rosalba Ciarlini de ser candidata à reeleição. Ele justificou que o ponto inicial do parecer dele foi a liberdade que cada partido tem de fazer a coligação para as eleições e afirmou que no caso do estatuto do Democratas há exigência de que o registro deve ser feito chapa completa. “No caso da governadora Rosalba Ciarlini houve apenas o pedido dela de reeleição e não da chapa completa. O que se busca é singela e laconicamente submeter o nome de Rosalba Ciarlini para as eleições de 2014 e nada foi dito aos demais cargos da eleição majoritária”, afirmou.

O advogado da governadora Rosalba Ciarlini, Tiago Cortez, rebateu o parecer da assessoria do DEM, afirmando que o DEM também não poderia votar por uma aliança em apoio ao candidato do PMDB, uma vez que não havia formalização desta candidatura ainda. “Não sabemos nem mesmo quem é o candidato ao Governo, porque nem mesmo o candidato ao governo (Henrique Eduardo Alves, que seria apoiado pelo DEM) não fez convenção”, destacou. Tiago Cortez disse ainda que a governadora, ao apresentar o pedido de registro da candidatura dela, se propunha a apresentar um vice e já manifestação de partidos que teria interesse para se coligarem, afirmou, sem mencionar PP, PEN e PRP. “O que a governadora pede é o direito de ser votada na convenção. O direito de ser votada ela tem, mas a chapa completa, ninguém apresentou até o momento”, lembrou. Tiago Cortez ressaltou ainda que na convenção nacional do Democratas o presidenciável Aécio Neves também não havia apresentado o vice.

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