José Bezerra: “Dirceu era para estar na mais importante obra de Lula no RN: A penitenciária federal de Mossoró”
O agropecuarista José Bezerra Júnior, ex-senador pelo DEM do RN, criticou a passagem do ex-ministro e ex-deputado federal José Dirceu, considerado chefe da quadrilha do Mensalão, no Rio Grande do Norte. Ele se soma ao vereador Sandro Pimentel, do PSOL, que ontem disse que se o Brasil fosse um país sério, Dirceu era para estar preso. Para José Bezerra Júnior, o líder petista “era para estar na mais importante obra que Lula fez no RN: o presídio de segurança máxima em Mossoró”.
“Eu não sei nem o que esse homem está fazendo aqui. Estou preocupado com minha seca. Mas sei que se fosse um país sério, ele não podia está pregando. É condenado de Justiça e devia estar no presídio de Mossoró, a única obra que lula fez no RN”, afirmou José Bezerra Júnior, que durante sua passagem no Senado, no final do mandato passado do senador José Agripino (DEM), combateu as mazelas do governo federal, apontando as contradições do governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Era para Dirceu estar na mais importante obra que Lula fez no RN: a penitenciária federal de segurança máxima em Mossoró”.
O ex-ministro José Dirceu esteve em Natal na noite desta segunda-feira onde deu palestra em evento alusivo aos dez anos do PT no governo. Ele manteve agenda com o prefeito Carlos Eduardo Alves e hoje teria um encontro com a ex-governadora Wilma de Faria. A palestra de Dirceu contou com a presença de lideranças petistas e de outros partidos, como a deputada federal Fátima Bezerra, o deputado estadual Fernando Mineiro e os vereadores Fernando Lucena, Hugo Manso e George Câmara (PC do B). Ao falar para a plateia, Dirceu ressaltou o legado do PT no governo federal.
Segundo José Bezerra Júnior, pior que a passagem do ex-ministro pela cidade “é quem vai assistir” à palestra de José Dirceu. Em sua opinião, este “é mais desqualificado ainda”. E completa a comparação: “Era a mesma coisa que Paulo Queixada (bandido de alta periculosidade que fez história na criminalidade no Rio Grande do Norte) fizesse uma palestra na colônia penal, e eu fosse assistir”, compara.
“Não presto nem atenção porque quem vai assistir, quer aprender a roubar. Ele é um bandido condenado de Justiça”, disse José Bezerra, questionando a diferença entre o ex-ministro do governo Lula e um bandido qualquer. “Não tenho o que falar desse homem, para mim ele é desqualificado. Outro preso do tipo, condenado há dez anos, teria outra qualificação? É bandido como outro qualquer”.
José Bezerra Júnior conclui afirmando, porém, que o maior o problema é da população brasileira, que na sua maioria não sabe interpretar o que vê e fica satisfeita com a Bolsa Família. “Enquanto isso o país vai ficando cada vez mais deteriorado, como a Venezuela e a Argentina, querendo tolher a boca de vocês da imprensa todo dia, ensinando como fechar a imprensa com um novo marco regulatório, enquanto a população cala com a Bolsa Família”.
Sobre a postura do PT local em trazer Dirceu, o ex-senador José Bezerra Júnior preferiu não analisar, recordando apenas que quem mais conhece os petistas locais é o ex-presidente Lula. “O PT quem conhece muito bem é Lula, que já qualificou a todos eles: uns bundões do RN. Não foi assim? Foi Lula quem disse. Já eu não os considero bundões. Pelo contrário, acho Mineiro preparado e Fátima um pouco preparada”.
Antes de proferir palestra nesta segunda-feira na Assembleia Legislativa, José Dirceu, acompanhado da deputada federal Fátima Bezerra (PT), fez uma visita de cortesia ao prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT). Na oportunidade, falaram sobre a aliança nacional e a sucessão da presidente Dilma Rousseff. Hoje, Dirceu teria um encontro com a presidente estadual do PSB, ex-governadora Wilma de Faria.
FIM DE UM CICLO
José Bezerra Júnior classifica como “o fim de um ciclo de 400 anos da pecuária do Seridó” o descalabro econômico ocasionado pela seca que assola o sertão potiguar, em especial a região do Seridó. “Seca terrível, o fim de um ciclo de 400 nos da pecuária do Seridó. A pecuária do semiárido, definitivamente, chegou ao fim. Não só por causa da seca, mas por alguns outros fatores que vêm do tempo do algodão, que foi o primeiro baque. Na verdade, a dificuldade de subsídios na agricultura, deixar de subsidiar a agricultura, onde não chove regularmente, é levá-la à falência”, avalia Ximbica, como é conhecido entre amigos.
Neste cenário, além da seca e da falta de subsídios, outro fator econômico que agrava o problema é a ausência de mão de obra no campo. “A mão de obra é outro fator, a renda caiu, não remunera bem, nem igual à cidade. A cidade tem outros atrativos e as pessoas vêm trabalhar aqui, mesmo desqualificadas. O programa minha casa, minha vida emprega uma gama grande, e levou a mão de obra do campo. Quem vai ficar no campo com a cidade com grandes atrativos, mesmo pagando a mesma coisa?”
José Bezerra Júnior diz que quando vai ao Seridó “volta com uma depressão”. “Assistindo a isso, quando vou a Seridó, volto quase com uma depressão. Não estou sofrendo abalo econômico, porque minhas atividades estão aqui, e também sofrem com a seca, mas não como lá. Quem está lá, está morrendo a míngua. É calamidade pública mesmo. Não só pela seca, mas por essa série de fatores econômicos, que vêm destruindo a região”.
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