José Padilha conta que pediu para fazer “RoboCop” em vez de “Hércules”

Padilha não sabia, mas uma nova versão de "RoboCop" estava nos planos do estúdio

O RoboCop do brasileiro José Padilha nasceu por acaso. “Ninguém me convidou”, diz o diretor de “Tropa de Elite”, 46, na primeira entrevista desde que entregou o filme. “Fui chamado para uma reunião na MGM. Eles queriam que eu fizesse um filme sobre o Hércules. E na sala tinha um pôster do primeiro ‘RoboCop’. Aí, falei pros caras: ‘Hércules eu não quero fazer, mas esse aí, sim’, e apontei pro cartaz”, conta o cineasta.

Padilha não sabia, mas uma nova versão de “RoboCop” estava nos planos do estúdio, e o americano Darren Aronofsky (“Cisne Negro”) tinha sido convidado para tocar o projeto. “Ele chegou a escrever um roteiro, mas já tinha desistido do longa, que estava livre.” Os executivos perguntaram o que o criador dos dois “Elite Squad” tinha em mente.

O diretor brasileiro José Padilha. Foto: Divulgação
O diretor brasileiro José Padilha. Foto: Divulgação

 

“Minha ideia era fazer um filme em um futuro próximo, tipo 2030. Os drones [aviões não tripulados, comandados remotamente] são substituídos por máquinas e robôs que tomam as decisões de atirar ou jogar bombas sozinhos”, diz. O mundo inteiro usaria a nova tecnologia, menos os Estados Unidos. “Lá, os caras aprovam uma lei proibindo que uma máquina decida sobre a vida de um cidadão. Aí, um executivo de uma grande corporação decide botar um cara dentro da máquina e, assim, entra no mercado norte-americano.” Eis o novo “RoboCop: A Origem”.

O filme, com estreia prevista para 21/2 no Brasil, é bastante fiel ao que o diretor sugeriu naquela reunião, como uma maneira de se livrar de um convite no qual não tinha interesse. “Queria falar sobre a automatização da guerra e as implicações morais e éticas disso.”

Zé Padilha usa conceitos filosóficos para justificar suas escolhas cinematográficas. As histórias que ele conta em forma de ficção, como os dois “Tropa de Elite”, ou em documentário, como “Ônibus 174″ e “Segredos da Tribo”, são manifestações de seus questionamentos. Suas respostas são embaladas por citações de antropólogos, sociólogos, filósofos. “Eu tenho essas minhas construções mentais, mas você não chega a uma reunião em Hollywood e diz: ‘Olha só, eu quero falar sobre a filosofia da mente’”, ri ele. “Lá, o que interessa é se o filme vai funcionar, se o ator tem empatia com o público, se as pessoas vão sair do cinema felizes.”

O diretor não gosta de mostrar seus filmes muito antes da estreia, desde que o primeiro “Tropa de Elite” vazou antes dos ajustes finais e virou o filme mais pirateado da historia do cinema brasileiro. Segundo o Ibope, 11 milhões de pessoas assistiram à versão vendida por camelôs. Para evitar que isso voltasse a acontecer, o segundo “Tropa” foi lançado sob forte esquema de segurança, com espectadores revistados na pré-estreia.

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Fonte: Folha de SP

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