Jovem é detido por PM após ‘estar caminhando de forma apressada’

Ativista foi abordado depois de fotografar uma viatura da PM estacionada em cima de uma calçada

 

Boletim de ocorrência afirma que o jovem, "ao perceber a presença da polícia, se portou de maneira suspeita, caminhando de forma apressada, razão pela qual (os policiais) resolveram abordá-lo". Foto: Divulgação
Boletim de ocorrência afirma que o jovem, “ao perceber a presença da polícia, se portou de maneira suspeita, caminhando de forma apressada, razão pela qual (os policiais) resolveram abordá-lo”. Foto: Divulgação

Um jovem foi abordado e detido por policiais militares na quarta-feira na avenida Heitor Penteado, zona oeste de São Paulo, depois de fotografar uma viatura da PM estacionada em cima de uma calçada. O ativista Everton Rodrigues, integrante do Coletivo Sacode, foi revistado, algemado e levado para a delegacia. Na 7ª DP, foi lavrado um boletim de ocorrência, que afirma que o jovem, “ao perceber a presença da polícia, se portou de maneira suspeita, caminhando de forma apressada, razão pela qual (os policiais) resolveram abordá-lo”.

De acordo com Everton, ele voltava do almoço quando viu a base móvel comunitária da PM obstruindo a passagem de pedestres na calçada. “Resolvi tirar foto para registrar o péssimo exemplo da PM”, relatou. “Após tirar duas fotos, saí andando na calçada e observei que um PM nos seguia. Sem informar o que estava acontecendo e sem mencionar o motivo da abordagem, um dos PMs segurou o meu braço por traz dizendo que queria me revistar para ver seu eu estava armado. Perguntei o motivo da abordagem, e o PM disse que era porque era suspeito. Neste momento, tentei me livrar do PM, que me segurava e me constrangia, repetindo por diversas vezes que ele não podia fazer este tipo de abordagem, que tinha que informar o motivo.”

Segundo o ativista, o PM começou a mexer em seus bolsos. “Falei para ele que ele não podia fazer isto. Ele disse que era policial e que tinha total autorização da lei para fazer esta abordagem, e que, se eu não levantasse os braços, ele iria me algemar. Eu persisti meu questionamento do motivo da abordagem, e o cabo não informou”, conta. O PM, então, resolveu algemar Everton e o levar para a delegacia.

Segundo os PMs que fizeram a abordagem, o ativista se recusou a informar seus dados e ser submetido a uma revista, razão pela qual ele foi algemado. “Alegam os policiais que foram obrigados a utilizar o uso da algema para conter o averiguado”, diz o boletim de ocorrência. Everton, no entanto, afirma que não reagiu com violência e que um vídeo feito por amigos que estavam com ele no local prova isso.

Ao ser levado para a 7ª DP, o ativista teve seu telefone confiscado pelo policial militar, que teria apagado as fotos que ele fez da viatura estacionada na calçada. “Após entregar meu RG, peguei meu telefone para informar amigos onde estava. Imediatamente o cabo Aurélio confiscou meu telefone. Falei que ele não podia confiscar meu telefone pessoal sem mandado. Ele saiu de minha vista, violou minha correspondência pessoal e apagou as duas fotos que provam que a base militar estava em cima da calçada obstruindo a passagem de pedestres”, relata Everton.

Ainda conforme o ativista, o delegado responsável pela ocorrência, Orivaldo Volpato, não teria registrado no boletim sua versão dos fatos. “O delegado Volpato entrou na sala e ditou o que tinha acontecido ao escrivão, dizendo que essa era a minha versão. Eu disse que não era essa a versão e que queria dizer com minhas próprias palavras. Ele disse que não e que, se abrir inquérito, eu e minhas testemunhas seremos ouvidos”, diz.

Procuradas pela reportagem, as polícias Civil e Militar ainda não se manifestaram sobre o caso.

Fonte: Terra

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