Jovens começam a beber com menos de 15 anos, três antes do permitido por lei

De acordo com pesquisa da Unifesp, 36% consome álcool de forma nociva semanalmente

Jovens consomem álcool no Brasil sem moderação. Foto:  Getty Images
Jovens consomem álcool no Brasil sem moderação. Foto:
Getty Images

O início de consumo do álcool é abaixo dos 15 anos — três anos antes da idade permitida por lei, de acordo com o II Lenad (Levantamento Nacional de Álcool de Drogas) realizado pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e divulgado nesta quarta-feira (26). O Brasil tem 20% da população com idade entre 15 e 24 anos, ou seja, é um País jovem, mas que consome álcool sem moderação e cada vez mais cedo, sem distinção entre homens e mulheres.

Ainda conforme os dados da pesquisa, praticamente metade dos jovens consomem álcool e esta taxa é de 26% entre os menores de idade. Entre os que relataram beber, 36% fazem uso nocivo do álcool semanalmente — mulheres consomem quatro ou mais doses e homens cinco ou mais. A cerveja é a bebida que mais participa destes eventos sociais.

A pesquisa, que ouviu 1.742 jovens de 14 anos a 25 anos de 149 municípios do Brasil, também mostrou que dirigir alcoolizado é um dos comportamentos mais frequentes associados ao consumo de álcool. Quase 35% dos rapazes com carta de motorista admitiu já ter dirigido alcoolizado pelo menos uma vez no último ano. A prática é menos frequente entre o público feminino (4%). No entanto, quase ¼ das meninas já foi passageira de veículo em que o motorista estava embriagado, o que também caracteriza um risco.

Sobre o consumo de tabaco, os jovens relataram iniciar concomitantemente com o álcool, por volta dos 15 anos. A pesquisa mostrou que 5% dos meninos menores de 18 anos e quase 18% dos homens entre 18 e 25 anos ainda fuma.

A maconha é a droga ilícita mais usada no Brasil, com quase 5% da população tendo consumido a substância no último ano. O uso é mais comum no sexo masculino (8,3%), contra 1,4% entre as meninas. No entanto, as mulheres consomem mais cocaína do que os homens.

Segundo o coordenador do levantamento, o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, do Inpad (Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas), o comportamento feminino chama a atenção.

— As mulheres jovens estão se modificando e esta tendência nesta geração isso ficou bem claro na pesquisa. É a luz amarela piscando.

Em relação ao uso de preservativo, os dados chamaram a atenção. Quase 1/3 dos rapazes e 38% das mulheres declararam não utilizar camisinha quase nunca/nunca em suas relações sexuais. Quase 32% das meninas entre 14 e 20 anos já engravidaram ao menos uma vez.

Para a pesquisadora Ilana Pinsky, as mulheres ganharam mais espaço na sociedade, mas precisam entender que seu organismo é diferente do masculino.

— As mulheres se sentem mais independentes, o que é positivo, mas precisam entender que algumas atitudes geram consequências negativas e as colocam em situações de risco.

O II Lenad revelou que a maioria dos adolescentes de até 16 anos está na escola e o analfabetismo nessa faixa etária é quase inexistente. Entretanto, 18% dos jovens estudados não trabalham nem estudam e quase 20% desta população inativa recebe auxílio financeiro do governo, na sua maioria (85%) proveniente do Bolsa Família.

 

Fonte: R7

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