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Jr. Teixeira diz que ainda não há convite para a Agricultura

Data: 01 março 2013 - Hora: 18:00 - Por: Marcelo Hollanda

“Ainda não recebi nenhum convite oficial”. Com essa frase, o presidente da Associação Norte-riograndense dos Criadores (Anorc), José Teixeira de Souza Júnior, o Jr. Teixeira, respondeu nesta sexta-feira às especulações que davam como certas sua ida para a Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e da Pesca do RN no lugar de José Simplício Holanda, que desde o final do ano passado responde pela pasta com o retorno do deputado Betinho Rosado à Brasília.

Sem dizer se teria sido sondado pelo governo, Jr. Teixeira disse apenas que, na suposição de um convite oficial, ele teria que ouvir antes a opinião de seus pares na Anorc, seu partido (o PMDB) e seu deputado (Henrique Eduardo Alves) antes de aceitar ou não. “Não sei de nada, só estou aqui ouvindo o que estão dizendo”, afirmou Teixeira.

Pecuarista e um dos mais importantes criadores de cavalos da raça Quarto de Milha do Brasil, Jr. Teixeira protagonizou uma desinteligência com o governo estadual em outubro do ano passado ao falar da situação crítica enfrentada pelos produtores no estado por causa da seca durante a abertura da Festa do Boi.

Ele liderou uma modesta viagem às regiões atingidas pela seca em setembro, inicialmente criticada por alguns criadores, que serviu de inspiração para Federação da Agricultura empreender na semana passada a expedição “Retratos da Seca”, mostrando a realidade dos produtores para uma comitiva de mais de 40 jornalistas.

Passando boa parte da semana em seu haras na região agreste, Jr. Teixeira coleciona mais críticas do que elogios ao governo estadual e à morosidade com que as medidas de emergência contra os efeitos da seca têm chegado ao produtor.

Autor da previsão, ainda no primeiro semestre do ano passado, de que o estado perderia metade de seu rebanho bovino se providências urgentes não fossem tomadas contra a seca, nesta sexta-feira ele criticou a forma com que o BNB orienta sua postura diante de uma situação de emergência, criando mais dificuldades do que facilidades.

“Quando uma casa está pegando fogo, você primeiro apaga. Não pode exigir projeto, criar protocolos ou se esmerar nas exigências – você primeiro age”, comentou.

Para Jr. Teixeira, “as palavras urgência e emergência simplesmente não existem”. E acrescentou: “Não adianta o Governo Federal liberar milho com atraso em quantidades insuficientes, quando os produtores já não têm financiamento para adquirir o produto ou mesmo dinheiro para pagar trabalhadores para arrancar xique-xique para dar ao gado”, afirmou.

Jr. Teixeira lembrou que por ocasião da viagem que ele fez à região Central do estado, o Agreste ainda não passava pelas mesmas dificuldades. “Hoje não, todos estão no mesmo barco, democratizando as perdas enquanto as medidas urgentes ainda se perdiam pelo caminho e pela burocracia bancária”, disparou.

Perguntado se assumiria o comando da Secretaria de Agricultura do Estado na suposição de um convite oficial se concretizar, Jr. Teixeira disse que aceitaria sim desde que todos os seus pares, seu partido e seu deputado o apoiassem na decisão.

Sobre se a críticas feitas por ele ao governo estadual poderiam obstruir uma indicação sua ao cargo, o presidente da Anorc declarou: “Fiz o meu papel, o que minha consciência mandou. Não procurei agradar e nem afrontar. Não fiz nada mais do que um presidente de associação de criadores faria no meu lugar para ser digno da função”.

Enquanto isso continua a desorientação da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca do RN. Fontes ouvidas pelo JH na SAPE informaram que há um clima de “compasso de espera” entre os servidores. “A gente nunca sabe de nada como se não tivesse um comando claro para orientar as coisas”, afirmou um desses servidores.

Produtor como Jr.Teixeira, José Simplício Holanda também é agropecuarista da região Oeste. Esta semana, ele bateu com veemência as conclusões tiradas pelos jornalistas que acompanharam a expedição “Retratos da Seca” da Faern. Ele lembrou os programas de ampliação de barragens e recuperação de poços e citou o programa de sementes do governo, que distribuirá 450 toneladas em 150 municípios. “Todas essas acusações não têm fundamento”, reagiu o secretário esta emana.

Indagado, numa suposição, se não o preocupa a possibilidade de assumir um cargo dentro de um governo que centraliza suas decisões no gabinete civil, Jr. Teixeira, ainda achando engraçado responder a uma suposição, baseada em especulações, respondeu: “Olha, se estivermos falando aqui de realidade e não de uma vaga suposição, eu diria que a a questão da autonomia teria de ser muito bem resolvida”.

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