Juiz vilão da Itália em 2002 traficou drogas e manipulou jogo

Byron Moreno foi pivô de eliminação da Itália contra Coreia do Sul, teve atuação escandalosa no Campeonato Equatoriano e foi flagrado traficando heroína no principal aeroporto de Nova York

Byron Moreno expulsou Totti por simulação e ainda anulou um gol italiano em 2002. Foto: Divulgação
Byron Moreno expulsou Totti por simulação e ainda anulou um gol italiano em 2002. Foto: Divulgação

Byron Moreno virou uma personalidade relevante para o mundo do futebol no dia 18 de junho de 2002, no Estádio de Daejon, Coreia do Sul, onde apitou a partida entre Itália e a seleção da casa nas oitavas de final do Mundial daquele ano. No tempo normal, o árbitro equatoriano fez o que se espera de um profissional do ramo: pouco foi notado em campo, assinalando corretamente um pênalti a favor dos sul-coreanos – desperdiçado – e punindo Totti com um cartão amarelo.

De dentro do gramado, Moreno viu Vieri abrir o placar para os italianos e Seol empatar para a Coreia do Sul aos 43min do segundo tempo. Foi na prorrogação que a “estrela” do árbitro apareceu, dando um segundo cartão amarelo, discutível, a Totti por uma suposta simulação de pênalti e anulando um gol legal de Tommasi que teria resultado na classificação dos italianos por meio do gol de ouro. Decisivo, ele foi o pivô da eliminação dos, então, tricampeões do mundo, pois um gol de Ahn selou a ida dos sul-coreanos às quartas de final.

O resultado tornou Byron Moreno em uma persona non grata dentro da Itália, uma figura detestada no país europeu. Mas Joseph Blatter eximiu a arbitragem da ocasião de culpa, afirmando na época: “a eliminação da Itália não é só de responsabilidade de árbitros e assistentes que cometeram erros humanos, não premeditados. A Itália errou tanto na defesa quando no ataque”.

Apesar de defender a categoria neste caso específico, o presidente da Fifa apontou a arbitragem, em especial os bandeirinhas, como ponto fraco daquela Copa do Mundo. O discurso em torno de um dos protagonistas da eliminação italiana mudaria meses depois, quando Moreno protagonizou uma atuação escandalosamente tendenciosa em uma partida do Campeonato Equatoriano entre LDU e Barcelona de Guayaquil.

Realizado também em 2002, o duelo se encaminhava para uma vitória da equipe visitante em Quito no final do segundo tempo, para o qual o árbitro assinalou seis minutos de acréscimo. Não satisfeito, Byron Moreno deixou o jogo correr por um total de 13 minutos extras, encerrando a etapa complementar aos 57min com vitória da LDU por 4 a 3. A atitude inusitada chamou a atenção da Fifa, que combinou o ocorrido no campeonato local com o da Copa do Mundo e decidiu suspendê-lo por 20 jogos, além de retirá-lo do quadro de profissionais filiados à federação e iniciar uma investigação sobre seu desempenho.

Ao retornar do perído afastado dos gramados, o equatoriano precisou de três partidas para receber mais uma punição, aplicada depois de uma nova atuação “caseira” em um torneio local. Desta vez, em um confronto entre Deportivo Cuenca e Deportivo Quito, Moreno expulsou três jogadores da equipe da capital, que atuava fora de casa, em partida que terminou empatada por 1 a 1. Este jogo foi a gota d’água para sua carreira na profissão, a qual abandonou em junho de 2003.

Fora dos holofotes, Byron Moreno chegou a se tornar comentarista esportivo no Equador e foi praticamente esquecido pelo mundo do futebol até 2010, quando foi flagrado transportando mais de 6 kg de heroína no Aeroporto John F. Kennedy, em Nova York. Com a droga escondida em 10 sacolas plásticas espalhadas na barriga, costas e nas duas pernas, o equatoriano foi detido no dia 21 de setembro, sem a chance de pagar fiança por ter sido enquadrado no crime de tráfico de drogas.

Preso nos Estados Unidos, o ex-árbitro assumiu o crime em um tribunal em Manhattan no dia 13 de janeiro de 2011, ação que resultou na sua condenação por 30 meses. O equatoriano não ficou encarcerado por tanto tempo, tendo sido libertado depois de 26 meses graças ao seu bom comportamento na prisão. Em 4 de dezembro de 2012, Byron Moreno retornou deportado ao Equador, onde revelou no início de 2013 o porquê começou a traficar drogas.

Em entrevista a um canal de televisão do seu país, Moreno revelou que uma emergência médica familiar e a necessidade de conseguir dinheiro fácil e rápido o puseram neste caminho, pois ele se endividou com empréstimos os quais não conseguia pagar, e passou a ser ameaçado pela inadimplência. Segundo o ex-árbitro, não só sua vida, mas a de sua mulher e filho estavam em perigo. Quando a oportunidade de levar a droga para o exterior surgiu, Byron Moreno argumentou que ele não tinha outras opções para solucionar seus problemas.

“Minha mulher estava grávida. Já eram três vidas em perigo”, justificou o equatoriano, que garantiu jamais ter testado nenhuma das substâncias que transportou e desconhecer quais eram os produtos que ele levava ilegalmente para o exterior. “Nunca provei estas substâncias na minha vida. Eu sabia que era droga, mas não sabia o que era. Queriam que eu transportasse”, explicou o ex-árbitro, que, às vésperas da Copa do Mundo do Brasil, tem 44 anos e está bem distante do futebol.

Fonte: Terra

Compartilhar: