Júlio César resume 4 anos de calvário com choro e desabafo

Desde a falha contra a Holanda, herói da classificação para as quartas de final da Copa do Mundo lida com questionamentos por conta de irregularidade

Júlio César defende a cobrança de Aléxis Sánchez. Foto: Divulgação
Júlio César defende a cobrança de Aléxis Sánchez. Foto: Divulgação

A imagem de Júlio César chorando antes mesmo das cobranças de pênaltis no Estádio do Mineirão dá a dimensão do quanto a atual Copa do Mundo significa para o goleiro da Seleção Brasileira. Quatro anos depois de deixar a África do Sul como vilão, o camisa 12 extravasou todas as suas emoções após pegar dois pênaltis e ajudar na classificação sobre o Chile após empate por 1 a 1 no tempo normal e prorrogação.

Ainda faltam possíveis três partidas no caminho até o sonhado hexacampeonato, mas para o goleiro a passagem para as quartas de final já valeu como uma pequena redenção do que enfrentou nos últimos quatro anos. Somada à desconfiança pela falha em 2010, Júlio César ainda sofreu na carreira nos clubes e era carta fora do baralho no final da era Mano Menezes. Conjunto de fatores que contribuíram para um desabafo.

“É uma coisa que venho falando muito. Ocorreram muitos questionamentos sobre a minha convocação. Mas me preparei psicologicamente muito bem para essa Copa. Não posso deixar de agradecer Parreira, Felipão e toda a comissão por isso”, afirmou.

Os questionamentos citados por Júlio César são explicados por sua irregularidade nos últimos quatro anos. De melhor goleiro do mundo em 2010, o brasileiro perdeu espaço na Inter de Milão e foi jogar no Queens Park Rangers. Logo na primeira temporada acabou na lanterna, rebaixado. O calvário aumentou ao ser relegado à terceira opção do time na segunda divisão inglesa, o que forçou ele a buscar o futebol canadense neste último semestre, onde atua pelo Toronto FC.

Tal período turbulento foi bancado por Felipão. Resgatado na primeira convocação do novo comandante, Júlio César não deixou mais as convocações e foi confirmado na Copa com quase um ano de antecedência em uma tentativa de o treinador acabar com os questionamentos pela pouca atividade do goleiro. A confiança deu a Júlio César uma segunda chance em Mundiais.

“Realmente você sair da forma que aconteceu, ser taxado como vilão é muito complicado. Tive de ter um equilíbrio mental muito grande, nada é por acaso. Se você tem um sonho, corra atrás. Não desista nunca”, disse em desabafo após ser escolhido o melhor jogador em campo.

O troféu foi conquistado por conta de três defesas. A primeira delas, ao final do segundo tempo, em cabeçada defendida à queima-roupa que poderia significar o adeus brasileiro. As outras duas nas cobranças de Sanchez e Pinilla, dando tranquilidade para o Brasil completar o desempate.

O choro antes das cobranças poderia, a um primeiro momento, transparecer nervosismo, descontrole. Mas Júlio César disse não ter vergonha de expor seu sentimento, que no momento era provocado pelo apoio que recebeu antes das cobranças.

“O que os companheiros têm feito por mim é incrível. Carinho, motivação. Isso me tranquiliza. O quanto as pessoas estão torcendo pro mim, quanto elas querem que eu ganhe pelo que aconteceu. Sei que não conquistamos nada, mas nos dá uma força para o próximo jogo”, disse.

Antes de se despedir, Júlio César ainda brincou com a extensão de suas respostas: “desculpe se falo bastante, mas resumi quatro anos em minutos”. Na próxima entrevista, ele espera por uma nova história para contar. “Já tive vários sentimentos grandiosos na carreira. Sou um cara realizado, mas falta o troféu da Copa do Mundo”, finalizou.

Fonte: Terra

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