Junta, mas não entrosa – Walter Gomes

Há três meses, mais ou menos, Carlos Augusto Montenegro profetizou a crise na aliança (?) de Marina Silva com Eduardo…

Há três meses, mais ou menos, Carlos Augusto Montenegro profetizou a crise na aliança (?) de Marina Silva com Eduardo Campos. O economista dirigente do Ibope fez a previsão durante jantar, no Rio de Janeiro, com três jornalistas, um deles da cúpula de um diário carioca. O que prognosticou foi confirmado pelos fatos registrados pela imprensa nas duas últimas semanas.

Palavras de Montenegro:

“Eles se juntam, mas não se entrosam. Reuniram-se em instante de sonho, mas a política se alicerça na realidade.”

– Então, vai dar errado? – questionou um colunista de jornal paulista.

“Vai dar confusão” – respondeu o presidente do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística.

Assim aconteceu. A partir de maio, ampliaram-se as divergências. A ex-senadora e ex-ministra (Meio Ambiente) do PT, depois candidata do PV ao Palácio do Planalto, não conseguiu o registro da Rede Sustentabilidade, legenda pela qual voltaria a concorrer. Aderiu ao PSB e aceitou compor a chapa presidencial. Na sequência, entretanto, iniciou série de resistências a alianças do socialismo com grupos políticos que lhe desagradam.

O imbróglio chegou a tal ponto que parceiros de Campos protestam. Um deles, da cúpula do PPS, acusa o entorno da senhora Silva de boicotar “composições estratégicas” que fortaleceriam o projeto de Campos.

Na exposição do nervosismo de socialistas aflitos com os índices de apoio ao ex-governador de Pernambuco, uma cobrança é inevitável:

“Cadê a transferência de votos da Marina para o Eduardo?”

Inversão

na rota

Fechada a chapa dos verdes à Presidência da República.

É formada por Eduardo Jorge e Célia Sacramento (foto).

Postulante à sucessão de Dilma Rousseff, ele, baiano, tem base política em São Paulo, estado que representou na Câmara dos Deputados. Ela, paulista, ganhou a vice-prefeitura de Salvador em 2012, quando Antonio Carlos Magalhães, neto, (DEM) se elegeu prefeito.

Na Bahia, o PV apoia Paulo Souto (DEM) para governador e Aécio Neves (PSDB) para o Planalto.

– Se a opção fosse por representante do Nordeste, o vice de Aécio Neves seria Tasso Jereissati (PSDB-CE). O comando da campanha do mineiro ainda espera (?) por Henrique Meirelles (PSD-SP), presidente do Banco Central sob o governo Lula da Silva. O senador Aloysio Nunes Ferreira, tucano paulista, volta à cena da possibilidade.

– Amanhã, a CPMI da Petrobras interroga a presidente da empresa, Maria da Graça Foster.

– Governador do Amazonas duas vezes consecutivas, Eduardo Braga (PMDB) é favorito a retornar ao cargo. Líder da bancada palaciana no Senado, ele pode ganhar no primeiro turno.

– O PSD ocupa hoje rede nacional de rádio (20h às 20h10) e tevê (20h30 às 20h40).

– Quinta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, chega a São Paulo. A convite do governo brasileiro, Ki-moon assiste à partida de abertura da Copa do Mundo. Logo depois do jogo, segue para Santa Cruz de La Sierra (Bolívia), aonde participa de reunião do G-77 (Cúpula do Grupo de Países em Desenvolvimento).

t Mirian Leitão lança amanhã, em Brasília, o livro ‘Tempos extremos’. É a estreia da jornalista no romance.

t Sexta-feira, em Teresina, convenção do PT para homologar a candidatura de Wellington Dias ao Executivo do Piauí. Em campanha para voltar ao governo estadual, o senador lidera as sondagens de intenção de voto.

– Walterpress: a coluna de ontem seguiu a rotina de anos do birô. Foi Joaquim Pinheiro quem a redigiu. Como ocorre, aliás, sempre às segundas-feiras.

– Para refletir: “Político não é tudo igual, não. Eu não sou melhor que ninguém; mas muitos são piores que eu” (Mário Covas, político brasileiro).

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