Nelter Queiroz era alvo de quadrilha que já tinha contratado pistoleiros para matá-lo

Os dois são apontados, respectivamente, como líder e um dos mais violentos integrantes de quadrilha que cometia crimes de homicídios na região do Vale do Assu

Bandido chegou a contratar dois pistoleiros para matar o Deputado Estadual Nelter Queiroz. Foto:Divulgação
Bandido chegou a contratar dois pistoleiros para matar o Deputado Estadual Nelter Queiroz. Foto:Divulgação

O Juízo da 3ª Vara Criminal da Comarca de Natal admitiu a acusação e pronunciou os irmãos Odelmo de Moura Rodrigues e Aureliano Rodrigues da Silva, denunciados pelo Ministério Público Estadual em decorrência da Operação Mal Assombro do Rio do Meio, numa atuação conjunta com a Polícia Civil, que descobriu uma série de crimes de homicídios cometidos há anos na região do Vale do Assu.

A decisão do Juízo da 3ª Vara Criminal foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico disponibilizado no dia 11 de dezembro de 2013 (fls. 527 e ss.).

Com a deflagração da Operação Mal Assombro, em maio de 2012, iniciou-se o desbaratamento de uma quadrilha integrada por pessoas que cometiam homicídios com o ranço funesto da pistolagem ainda existente na região do Vale do Assu, sendo apreendidas armas de fogo e executadas as prisões de diversos suspeitos.

Um desses suspeitos é Odelmo de Moura Rodrigues, à época vereador e Presidente da Câmara Municipal de Assu, apontado como o suposto líder da quadrilha e, inclusive, tendo ele contratado dois “pistoleiros” para matar um deputado estadual potiguar.

Aureliano Rodrigues da Silva é irmão de Odelmo Rodrigues e foi apontado como um dos mais cruéis e violentos “pistoleiros” dessa quadrilha. Vivia foragido há aproximadamente 15 anos, sendo localizado e preso no Rio de Janeiro, graças ao trabalho desenvolvido pelos policiais e promotores de justiça durante a Operação Mal Assombro. Logo após ser preso e encaminhado ao Rio Grande do Norte, Aureliano Rodrigues foi julgado em júri popular e condenado a 18 anos por acusação de duplo homicídio praticado na cidade de Paraú.

A quadrilha se valia da violência de suas ações e da influência política e econômica de seu suposto líder para fazer reinar o temor diante da população e a inércia dos responsáveis pela elucidação dos crimes praticados. E contava com um código de conduta próprio no qual se determinava a execução sumária (“queima de arquivo”) daqueles que bandeavam ou davam sinais de que delatariam os crimes perpetrados.

Foi por Aureliano que, em fevereiro de 2000, Joaquim Gomes, um ex-integrante da quadrilha, foi executado enquanto dirigia seu veículo na Avenida Prudente de Morais em Natal. Retornando do trabalho, Joaquim Gomes foi alvejado por vários disparos de arma de fogo efetuados do interior de outro veículo que emparelhou ao lado do seu. Neste outro veículo, haviam quatro homens e o executor dos disparos foi reconhecido por uma testemunha que presenciou o ocorrido e que também foi alvo dos disparos, mas que saiu ilesa.

A investigação desse crime encontrava-se estagnada há anos e só foi concluída com o êxito da Operação Mal Assombro. O prosseguimento da averiguação levou aos nomes de Odelmo Rodrigues –como mandante –e de Aureliano Rodrigues responsável pelos disparos contra Joaquim Gomes e contra a testemunha ocular. Em razão das desavenças entre Joaquim Gomes e integrantes da família Rodrigues e do receio de que aquele se revelasse futuramente como um delator, teria sido orquestrada e levada a efeito a “queima de arquivo” com a execução de Joaquim Gomes.

Por este fato, Odelmo de Moura Rodrigues e Aureliano Rodrigues da Silva serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri Popular da Comarca de Natal em data a ser ainda definida.

Fonte:Assessoria

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