Judiciário federal em greve prejudica fiscalização de campanhas eleitorais

Servidores reivindicam aumento salarial. Proposta de 15% do Governo Federal foi rejeitada pela categoria

Leandro Gonçalves, coordenador geral do Sintrajurn, explica que o último reajuste foi concedido há oito anos. Na manhã de hoje, concentração de servidores na Praça André de Albuquerque marcou início da greve por tempo indeterminado. Foto: Divulgação
Leandro Gonçalves, coordenador geral do Sintrajurn, explica que o último reajuste foi concedido há oito anos. Na manhã de hoje, concentração de servidores na Praça André de Albuquerque marcou início da greve por tempo indeterminado. Foto: Divulgação

Alessandra Bernardo

alessabsl@gmail.com

 

Faltando apenas 48 dias para as eleições 2014, quando os brasileiros escolherão presidente, governadores e deputados estaduais e federais para um novo mandato eleitoral, os servidores do judiciário federal no Rio Grande do Norte iniciaram greve por tempo indeterminado nesta quinta-feira (21). Reunidos em frente ao prédio do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), no Centro de Natal, eles discutiram a falta de autonomia financeira do órgão e a defasagem salarial da categoria, que está há oito anos sem reajuste.

Segundo o coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário no Rio Grande do Norte (Sintrajurn), Leandro Gonçalves, o último reajuste da categoria foi concedido em 2006 e desde então, ela tem sofrido defasagem em relação à inflação durante esse período. Ele disse que, em 2012, o Governo Federal ofereceu um reajuste de 15%, parcelado em três anos, mas a proposta não foi aceita. “Seria 5% ao ano, o mesmo que foi pago a várias categorias federais, mas significava um percentual abaixo da inflação real vigente e não aceitamos porque já somamos 56% de perdas salariais. O que eu recebo hoje é o mesmo que recebia em 2008, em poder de compra e isso gera impactos não só na vida financeira dos servidores, mas também na emocional, porque mexe em toda a nossa estrutura”, desabafou.

Leandro explicou que, com a greve, a fiscalização das campanhas eleitorais em todo o Rio Grande do Norte será prejudicada, já que serão mantidos apenas os atendimentos em casos de urgência e emergência, nas três forças que compõem o judiciário federal no Estado. E que o impacto será sentido em todo país, já que o TRE-RN está aderindo ao movimento nacional dos servidores do judiciário federal, que conta com a adesão de outros seis estados.

Ele lembrou que a paralisação das atividades engloba ainda os servidores do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e da Justiça Federal, que lutam também pela inclusão do orçamento que contempla o reajuste da categoria na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que deve ser aprovada pelo executivo até o dia 31 de agosto, prazo final para a Presidência da República enviar a proposta orçamentária da União referente a 2015 ao Congresso Nacional.

“Queremos que seja concedido um reajuste salarial com base na reposição inflacionária e também a contratação de mais servidores públicos para o órgão, para melhores condições de trabalho”, disse Leandro. Ele lembrou ainda que amanhã (22), os servidores que aderiram à greve devem realizar piquete em frente ao TRT, no bairro de Lagoa Nova.

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