Justina Iva afirma que não há razão para greve dos professores de Natal

Secretária também apresentou investimentos da SME para melhorias da rede e projetos para 2014

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Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

O cenário de alunos fora das salas de aula poderá se repetir em Natal neste ano. Dessa vez, no que diz respeito àqueles que pertencem à rede municipal de ensino público. Os professores realizarão uma assembleia na próxima segunda-feira (31), onde será votado um indicativo de greve. Para a Secretária Municipal de Educação (SME), Justina Iva, não há razões para a categoria aderir à paralisação.

“Que razões haveria para essa greve? Há uma mesa permanente de negociação com o sindicato e nenhuma dívida com os professores”, comentou. “Reconhecemos que os salários da categoria ainda são baixos, mas estamos comprometendo quase 98% dos recursos do Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação] apenas com folha de pagamento. Temos outra fonte de recursos, mas também é necessário investimento em outros setores”, afirmou Justina.

O Jornal de Hoje tentou escutar Fátima Cardoso e José Teixeira, dois dos diretores gerais do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte-RN), sobre as pautas que levam ao indicativo da greve, mas ambos estavam com os telefones desligados. A categoria chegou a divulgar nas redes sociais que há necessidade de melhorias de trabalho para educadores infantis e contratação de profissionais para as escolas da rede.

Questionada sobre uma possível “motivação política” para greve dos professores, a secretária de Educação disse que preferia “não acreditar nessa hipótese”. “Prefiro pedir aos professores – que conhecem nossa capacidade de diálogo, que têm prova do esforço que fazemos – para não decretarem greve. Nada virá de vantagem com a greve, só desgastes. Eu acredito nos professores de Natal”, destacou Justina Iva.

Na manhã desta quinta-feira (27), a titular da pasta da educação em Natal reuniu a imprensa para apresentar as melhorias que foram realizadas na rede de ensino durante 2013, vantagens conquistadas pelos professores e as previsões de investimento em infraestrutura e projetos pedagógicos para este ano.

De acordo com o balanço apresentado, durante o primeiro ano da atual gestão municipal 135 escolas, de um total de 144 unidades, passaram por intervenções na estrutura física. “Fizemos manutenção em quase todas as escolas, as quais iniciaram o ano letivo de 2013 em estado deplorável, sofrido. Priorizamos aspectos de segurança dos alunos e investimos na melhoria das redes hidráulicas, elétricas, atelhamento. Só depois dessa prioridade passamos a pensar na melhoria estética das escolas”, disse Iva.

Conforme contou a secretária, todos os extintores de incêndio das escolas precisaram ser trocados, devido o prazo de validade ter esgotado. A Secretaria também viabilizou a compra de 5.700 ventiladores, 1.200 computadores para as unidades com necessidade mais urgente e formatação de novos laboratórios de informática. Três Centros Municipais de Educação (CMEIs) tiveram obras retomadas e finalizadas.

Justina Iva destacou que a secretaria iniciou o ano de 2013 em dívida com todos os terceirizados, os quais estavam com quatro meses de salários atrasados, além do 13º salário. “Quitamos essa dívida antes do mês de abril. Infelizmente herdamos esse problema, mas conseguimos pagar tudo”, afirmou. Sobre o que diz respeito ao Plano de Cargos e Carreira dos profissionais da rede, a gestora destacou um investimento de aproximadamente R$ 7 milhões para os professores.

“Pagamos dívidas referentes ao não cumprimento do Plano de Cargos e Carreiras, incluindo promoção, progressão vertical de nível, reajuste salarial e outros benefícios não concedidos. Ao todo, foram quase R$ 7 milhões de reais investidos nos professores”, contou.

Um dos destaques levantados pela secretária durante apresentação para a imprensa é o empenho da SME para unificar o Plano de Carreira dos professores e dos Educadores Infantis. Atualmente, existem dois planos que divergem em termos de benefícios. “Essa unificação é uma vontade nossa, do prefeito Carlos Eduardo e do próprio sindicato, mas exige um estudo de impacto. Estamos discutindo essa unificação do Plano para apresentar um novo projeto de lei aos professores e educadores infantis”, afirmou.

Atualmente, um educador infantil em Natal recebe um salário base de R$ 1.900,00 para 30 horas de jornada de trabalho. O professor das séries iniciais recebe cerca de R$ 1.500,00 para uma jornada de 20 horas.

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