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Lágrimas de Ideli

Data: 04 janeiro 2013 - Hora: 18:00 - Por: Rubens Lemos Filho

Ainda há tempo. Os auxiliares municipais nomeados e aboletados em suas cadeiras pelo Rio Grande do Norte inteiro poderiam se unir em manifesto de solidariedade à Ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti(PT/SC), esgotada de tanta pressão sofrida da chefe, a Presidente Dilma Housseff.

Senadora derrotada em campanha para a reeleição em 2010, árdua defensora dos (à época) acusados pelo mensalão, Ideli Salvatti tenta recuperar energias após um ano sob o chicote verbal do furacão chamado Dilma Rousseff, a quem o sorriso é um supérfluo pequeno-burguês.

Dilma, diga-se uma executiva de primeira linhagem, cobra dos seus ministros e assessores a capacidade que lhe sobra e que eles não conseguem ter.  Daí seu permanente estado de espírito refletir a cobrança tirana e o exercício central do poder pelo qual lutou ainda guerrilheira.

Odeia bajuladores, desanca o primeiro que lhe contraria(eu já vi, infelizmente por obrigação profissional) e parece refratária às concessões corriqueiras do antecessor, cada vez mais distante do sonho de voltar ao Planalto daqui a dois anos.

Dilma escolheu, segundo a Revista Veja, leitura obrigatória desde os tempos de combate à Ditadura e pelas Diretas Já, a ministra Ideli para crucificada. Pelas derrotas dos projetos do Código Florestal, da Lei dos Royalties e do Plano Nacional de Educação.

A pancadaria chega ao sadismo. Via portadores, a presidente pergunta: “Cadê minha Ministra da Desarticulação?”. Ou “Digam para a sem noção da Ideli que…” A ministra desabou, ensaiou pedir demissão, trocar de ministério, mas Dilma nem continuou os ensaios de conversa.

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O poder, para alguns é assim. É despotismo e submissão. Convivi com ele e hoje sou um ser humano estressado por natureza, mas livre de humores terríveis não causados por mim. Nada paga o trabalho reconhecido e o respeito.

O senador Fernando Collor de Mello, da bancada de apoio a Dilma e que foi apeado da presidência por impeachment, demitiu o porta-voz Pedro Paulo Rodrigues aos palavrões, PPP, um diplomata, chorou sozinho no corredor do palácio.

Collor de Mello, ao ser questionado sobre a melhor parte do poder, anos depois de sua saída, não se fez de rogado: “Melhor era mandar um ministro, com mestrados e doutorados, graduações e pós no exterior, reescrever cinco vezes o mesmo discurso, mesmo sabendo que estava bom.”

O poder é sádico e por quanto mais tempo exercido, piora a pessoa. Torna-o parte dela. No Rio Grande do Norte quem governou com autoritarismo foi varrido pelas urnas e isolado até por puxa-sacos contumazes.

O exemplo da ministra Ideli Salvatti, professora universitária e sindicalista histórica, humilhada e tratada com ironia de péssimo tato, deve ser guardado. A culpa é mais de Ideli do que da presidente.

Quando se tem personalidade verdadeira, nenhum poder é sedutor. Ele passa, a saúde, a paz e a vida, muitas vezes se perdem nos seus inferninhos e intrigas.  Basta lembrar que auxiliar não é serviçal.

 

Pimenta
As declarações do meia Cascata ao chegar ao América, mais preocupado em soltar pimenta no acarajé do ABC, deram uma esquentada no noticiário morno de começo de ano. Cascata estava entalado desde que foi liberado pelo alvinegro e só esperava voltar a Natal para desabafar.

Novo time
Cascata deveria ter se preocupado mais com seu novo time. É fato. Cascata magoou a torcida do ABC ao comemorar soltando bananas para a arquibancadas um gol salvador que fez contra o Bragantino e que consolidou a permanência do clube na Série B após pífia campanha. Cascata, aliás, foi trazido como o Messias para evitar o rebaixamento.

Bateu
Cascata bateu. Citou ex-companheiros dispensados: Basílio, volante, Renatinho Potiguar e defendeu o atacante Ederson no América para, juntos, formarem uma “panelinha”pelo bicampeonato estadual e pelo título da Copa do Nordeste.

Bateu. levou
No primeiro momento, Cascata não foi rebatido pelo presidente do ABC nem pelos seus assessores de imprensa oficiais. A tática manhosa, que não é de Rubens Guilherme, um seguidor cartesiano, foi a de sempre: Usar a bateria de opiniões simpatizantes à direção na imprensa e os comentários de torcedores nas redes sociais.

Nota e insinuação
Depois, o ABC emitiu nota oficial de cinco itens. Quatro deles, polidos. O último, malicioso, ao atribuir a “questões éticas”, o silêncio sobre as razões da dispensa. Patada mais cavalar, impossível.

Cifrões
Cascata apanhou e apanha. Nos próximos dias, não será surpresa mais uma ação trabalhista contra o clube por salários atrasados que Cascata alega ter para receber. Ele disse que não põe o clube na Justiça por respeito à torcida, mas também já disse que amava o ABC. E hoje, no futebol,  vale o que está e$crito, assim mesmo, com cifrão.

Controvérsias
O tempo resolverá, foi a frase curta do presidente alvinegro. Tempo que corre para frente mas tem na memória recente o seu contraditório. Afinal, Cascata, o “desagregador”, foi o craque do decantado campeonato brasileiro da Série C em 2010, bicampeão e melhor jogador do clube em 2010 e 2011.

O tempo
Em 2012, emprestado ao Náutico onde se machucou, fez falta ao ABC vice-campeão perdendo um campeonato tido como ganho para o América.  Foi resgatado pela atual diretoria para salvar o clube do rebaixamento. É, o tempo vai dizer se Cascata, melhor jogando do que falando, será o endeusado de antes ou  o satanizado agora na Rota do Sol.

Empreiteira
Melhor seria a OAS destinar verba que recebe do Estado para construir a Arena das Dunas a ABC e América na Série B, tornando-os fortes de verdade, do que esmolar um Campeonato Estadual sem graça e, de longe, mais fraco que a Copa do Nordeste, que deveria ocupar definitivamente o espaço recuperando a autoestima do futebol regional.

Montillo
Melhor para o Santos a sua chegada do que Diego Souza no Cruzeiro de substituto. O argentino é o melhor camisa 10 brasileiro.

Chocolate
Amanhã, 4 de janeiro, faz 32 anos que o Brasil , sem Falcão, Zico e Reinaldo, empatou contra a Argentina, completa, pelo Mundialito do Uruguai em Montevidéu. Maradona fez 1×0 para os hermanos e o lateral-direito Edevaldo empatou. Estádio Centenário com 60 mil pessoas.

Times
Brasil: Carlos(João Leite); Edevaldo, Oscar, Luisinho  e Júnior; Batista, Cerezo e Renato Pé-Murcho; Tita(Paulo Isidoro), Sócrates e Zé Sérgio; Argentina: Fillol, Olguin, Galván, Passarela e Tarantini; Gallego, Ardiles e Maradona; Barbas(Luque), Ramon Diaz e Bertoni(Valencia).

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