Laudo conclui que padrasto escreveu cartas para jovem morta com dinamites

Polícia diz não ter mais dúvidas de que ele planejou e executou, sozinho, todo o crime

Polícia disse que Joaquim Lourenço da Luz, de 47 anos, alimentava um sentimento doentio e de obsessão pela enteada. Foto: Reprodução / TV Record Goiás
Polícia disse que Joaquim Lourenço da Luz, de 47 anos, alimentava um sentimento doentio e de obsessão pela enteada. Foto: Reprodução / TV Record Goiás

A Polícia Civil de Goiás concluiu, por meio de um laudo grafotécnico, que as cartas de ameaça e bilhetes deixados à estudante de enfermagem Loanne Rodrigues da Silva Costa, de 19 anos, morta com dinamites em Pirenópolis (GO) no dia 17 de dezembro, realmente foram escritos pelo próprio padrasto, Joaquim Lourenço da Luz, de 47 anos, também encontrado morto e abraçado com a enteada.

O delegado responsável pelo caso, Rodrigo Luiz Jayme, explicou que com esse resultado não restam mais dúvidas de que o padrasto tinha uma obsessão pela enteada e alimentava sentimentos que iam muito além de algo paternal.

Para ele, Joaquim é o responsável pelo crime e fez tudo sozinho, sem contar com ajuda de mais ninguém.

— Está praticamente comprovado que ele planejou e executou todo o crime sem avisar nada. Por isso, tenho quase 100% de certeza de que não há nenhum outro envolvido neste caso, de forma direta ou indireta.

Em um dos bilhetes encontrados pela polícia, o padrasto se mostrava contrariado porque a enteada teria pintado o cabelo e demonstrava reprovação na mudança do visual, dizendo que não queria mais vê-la.

— Avaliamos e comparamos esta carta com uma outra que ela recebeu em maio do ano passado sofrendo várias ameaças.

Na ocasião, o autor da carta, até então desconhecido, lamentava que a jovem tinha sobrevivido a um ataque ocorrido no mês de abril na porta de casa e garantia que da próxima vez o “padrasto maldito” não estaria mais por perto.

Naquele mês, Loanne foi agredida com uma paulada na cabeça e os ferimentos foram tão graves que ela precisou ficar internada durante alguns dias no Hospital de Urgências de Anápolis, onde morava. A mãe da jovem, Sandra Rodrigues da Silva, chegou a registrar um boletim de ocorrência, mas as investigações não continuaram.

Desde então, a estudante passou a receber ameaças por telefone, sempre de números restritos, e até uma carta que dizia que “o inferno a esperava”.

— Tudo, incluindo esta mensagem, foi escrito pelo senhor Joaquim Lourenço da Luz. Acreditamos que ele fez tudo isso para disfarçar os sentimentos doentios que nutria pela enteada para não chamar a atenção das pessoas, porque já estava perdendo o controle da situação.

A mãe de Loanne esteve na delegacia diversas vezes nos últimos 30 dias para prestar esclarecimentos e chegou a admitir que o marido, com quem foi casada durante sete anos, tinha um carinho enorme e até um cuidado fora do comum pela moça.

Sandra também teve a quebra do sigilo telefônico decretado pela Justiça para ajudar nas investigações. A intenção da polícia era descobrir se ela tinha algum envolvimento com o duplo homicídio ou se sabia de algo, mas esta hipótese já foi descartada.

Na cena do crime, a polícia encontrou os corpos da padrasto e enteada “dilacerados”, com diversos ferimentos na barriga e alguns órgãos para fora. Os dois morreram por conta da explosão da dinamite, que foi cuidadosamente colocada entre eles. No local, foram encontradas cordas, correntes, barraca, faca e até um colchão que pertenciam ao padrasto da moça.

— Ele trabalhava na pedreira e tinha um amplo conhecimento de bombas e dinamites.

Agora, o delegado aguarda a conclusão dos demais laudos periciais, incluindo um de DNA, que devem ficar prontos ainda esta semana.

A expectativa é que os resultados tragam novidades “conclusivas para o caso”.

— Acredito que vou fechar esse processo até sexta-feira com 100% de certeza sobre toda a dinâmica desse crime bárbaro.

Os corpos foram enterrados no dia 18 no cemitério da cidade. Durante toda a madrugda, o velório aconteceu com os caixões fechados.

 

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