Leilão de emergência poderá aumentar energia em mais 10%

Processo gera economia de R$ 5 bi no primeiro ano, mas déficit passará de R$ 15 bi em três anos

Leito do São Francisco em Pirapora já fica à vista. Foto: Divulgação
Leito do São Francisco em Pirapora já fica à vista. Foto: Divulgação

O leilão de emergência aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a compra pelas distribuidoras da energia elétrica não contratada, marcado para o próximo dia 30, poderá implicar em outros 10% de reajuste a serem aplicados nas próximas revisões tarifárias. Esse percentual será somado aos 25% já represados em função da utilização das termelétricas.

A intenção da Aneel com o leilão é convencer as usinas a venderem para as distribuidoras o excedente de energia por um preço pré-estabelecido. O leilão determina um teto de R$ 271 para o megawatt/hora. Nesta sexta, as distribuidoras que não possuem contrato para compra de energia precisam pagar R$ 822 para comprar energia à vista (mercado “spot”). Embora hoje o preço no mercado “spot” seja bem mais alto que o do edital, o leilão estabelece garantias de preço para os próximos anos – o que traz segurança financeira para as empresas.

“Avaliamos os termos do edital e constatamos que ele vai gerar uma economia de R$ 5 bilhões para as distribuidoras no primeiro ano, mas nos três anos seguintes, o déficit será de R$ 15 bilhões a R$ 19 bilhões”, explica Walter Fróes, diretor da CMU, empresa comercializadora de energia. “O leilão vai ter comprador porque, na verdade, quem vai pagar a conta é o consumidor, que vai precisar cobrir esses custos nos próximos reajustes tarifários”.

Segundo ele, o problema será postergado, mas não resolvido. “Ele vai causar uma previsão de reajuste extra de 10%, que vai se somar aos cerca de 25%, em razão da utilização das termelétricas”. Qual seria então a solução? Segundo ele, o racionamento de energia. “É uma palavra proibida pelo desgaste político, mas não vejo outra alternativa”, afirma Fróes.

Planejamento

O diretor da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Amílcar Guerreiro, refutou a ideia de que a capacidade do Brasil de gerar energia não é suficiente para sustentar um crescimento mais significativo da economia. “Não concordo com isso. Nosso planejamento é de aumentar a capacidade de geração em 4,5% ao ano, algo entre 5.000 MW e 6.000 MW, e estamos cumprindo essa meta”, declarou, após palestra para empresários do setor, na manhã dessa quinta, na sede da Associação Comercial de Minas Gerais (ACMinas), em Belo Horizonte. Segundo estimativas da EPE, até 2021, a matriz energética do país será dividida em 65% para a hidrelétrica, 20% renováveis (eólica, solar etc), 13% para térmicas e 2% nuclear.

Entidades pedem ICMS menor em MG

O governador de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho, recebeu nessa quinta de presidentes de entidades de classe do Estado um documento com sugestões para fortalecer os setores produtivos do Estado. As propostas abrangem áreas fundamentais: política tributária e fiscal, infraestrutura, meio ambiente, educação, saúde e segurança. Entre as sugestões está a “redução da alíquota do ICMS incidente sobre as tarifas de energia elétrica e gás destinadas ao setor produtivo como um todo”. Fiemg, Federaminas, ACMinas, CDL, Ciemg, Faemg, FCDL, Fecomércio, Fetcemg, Ocemg e Sebrae assinam o documento.

Fonte: IG

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