Leilão de energia eólica salva semana do Governo do Rio Grande do Norte

Para o secretário Rogério Marinho o resultado foi surpreendente

Dos 687 empreendimentos negociados no leilão, 539 eram de energia eólica, habilitando ao todo  21.13 GW. Foto: Divulgação
Dos 687 empreendimentos negociados no leilão, 539 eram de energia eólica, habilitando ao todo 21.13 GW. Foto: Divulgação

Marcelo Hollanda
hollandajornalista@gmail.com

O próprio secretário de Desenvolvimento Econômico, Rogério Marinho, foi pego de surpresa com o resultado obtido pelo RN no último leilão de energia do ano – o A-5 -, ontem, quando o Estado obteve segundo melhor desempenho com 25 parques contratados, 25% do total negociado em todo o país.

Numa semana difícil para a governadora Rosalba Ciarlini, ameaçada de afastamento do cargo pelo Tribunal Regional Eleitoral, o resultado do leilão não deixou de ser recebido com alívio dentro e fora do governo estadual. Mais dentro do que fora.

Foi também uma vitória pessoal para o estilo do secretário Rogério Marinho, que há pelo menos 10 meses costura alianças para obter vitórias que, como se viu, são arrancadas do árido terreno de onde brotam as decisões de Brasília.

No caso do leilão de ontem, que veio depois do fracasso retumbante do anterior em que o RN não emplacou projetos, nem Rogério Marinho esperava tanto.

“O fracasso no leilão anterior foi puro reflexo da mudança nas regras do jogo do governo federal, beneficiando as unidades federativas mais estruturadas do ponto de vista da infraestrutura”, afirmou.

“Daí a importância da articulação com empresários e a bancada potiguar se mostrar tão valiosa a ponto de nos tirar do nada e nos colocar na posição conquistada no leilão de ontem, só perdendo para a Bahia”, comentou neste sábado o secretário de Desenvolvimento Econômico.

Num estado em desvantagem na concorrência direta com seus vizinhos maiores, Rogério Marinho deu a entender que a vitória de ontem, em grande parte, deve-se à forma que o assunto foi conduzido – sem personalismo, ouvindo e dando voz a todos os segmentos.

“A vitória é sempre boa, mas ela é de todos que participaram dela”, reiretou hoje. E, no futuro próximo, ele espera, com as conexões estabelecidas, “que o RN possa multiplicar por 10 sua capacidade de energia, transformando-se num respeitável exportador”.

Dos 687 empreendimentos negociados no leilão, 539 eram de energia eólica, habilitando ao todo  21.13 GW. Em números absolutos, o leilão contratou 1.599,5 MW médios de energia – 2,338 GW de fonte eólica – representando 97 parques.

Eólicas e solares partiram de um preço teto de R$ 122/MWh, sendo negociadas ao final por R$ 119,03/MWh. Só nas eólicas, o contrato é de 20 anos, enquanto nas térmicas de 25 e para as hidrelétricas o contrato de fornecimento é de 30 anos.

O Jornal de Hoje não conseguiu falar neste sábado com o presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates. Por ocasião do leilão anterior voltado para energias renováveis, no qual o RN teve um resultado decepcionante, ele acusou em carta o governo estadual de não ter acompanhado como devia o processo de negociação em Brasília.

Hoje,  o secretário Rogério Marinho não quis comentar as declarações de Jean Paul Prates, mas disse que nos últimos meses gastou boa parte de seu tempo acompanhando o andamento da questão, inclusive com vários encontros com o Ministro Edison Lobão, das Minas e Energia.

E acrescentou que, apesar das dificuldades, a presença da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeiólica) e das empresas com interesse no parque eólico potiguar fez a diferença no momento em que o estado se impõe como um player de respeito no rol de fornecedores de energia limpa.

Compartilhar:
    • Jean-Paul Prates ★彡

      Caro Jornalista Marcelo Holanda.

      Ao agradecer sempre pela atenção usual ao me entrevistar, e pela tentativa no sábado passado, passo apenas para esclarecer que, de fato, afirmei e reafirmo que houve um período de “dormência” do lado do Governo do Estado quanto ao acompanhamento não somente da questão das LTs como de outras relativas à implantação dos parques oriundos dos leilões de 2009 e 2010.

      No entanto, sempre que faço tal colocação, faço também questão de deixar claro que isso ocorreu no período entre o final de 2010 e o final de 2012, totalizando aproximadamente 23 meses bem definidos no tempo.

      Portanto, a questão não se refere à gestão do atual Secretário Rogério Marinho, a quem, por justiça, sempre também me refiro como quem, tendo assumido o cargo em fins de 2012, compreendeu e abraçou a causa do setor eólico e passou a trabalhar diuturnamente no acompanhamento e pleitos junto ao Governo Federal a respeito do assunto.

      Esta é a minha análise usual quanto ao atraso (exatamente de 2 anos) desta questão. É claro, também, que não se trata de culpa exclusiva do gestor anterior. Houve leniência absoluta (já admitida publicamente) da CHESF quanto aos prazos. Mas é papel da Secretaria responsável pelo setor acompanhar, cobrar e, onde possível e devido, ajudar os processos de licenciamento, acesso, implantação e construção das linhas – além de relatar e planejar junto ao Governo Federal quanto à necessidade de futuras linhas. E este papel NÃO foi desempenhado a contento nos anos de 2011 e 2012. Fato!

      Espero que este comentário esclareça o contexto e o foco temporal preciso das minhas colocações anteriores. Mais detalhes sobre o assunto, no link http://cerne.org.br/pt-BR/noticias/eolicas-tres-licoes-para-o-rn e nas demais entrevistas diretas, todas com a mesma ressalva temporal, e fazendo justiça ao trabalho do atual secretário. Não há interesse político ou qualquer outro que me leve a cometer injustiças ou não reconhecer quem merece sê-lo. Acima de tudo, está ser justo e honesto com os fatos.

      Um abraço a todos do JH e parabéns a vc pelas coberturas sobre o assunto, mais uma vez agradecendo pela tentativa de contato.

      Jean-Paul Prates
      Diretor-Presidente
      CERNE – Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia
      SEERN – Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN

    • Jean-Paul Prates ★彡

      Caro Jornalista Marcelo Hollanda, caros amigos do JH.

      Ontem enviei um comentário aqui mas creio que não conseguiu chegar. Tento repetí-lo agora.

      A respeito da crítica quanto à ação do Governo do Estado por ocasião do leilão que teve o RN deserto (0MW), e quanto a este, gostaria de esclarecer o seguinte:

      Tanto em artigo assinado quanto nas entrevistas que concedi a respeito, ao apontar a falta de acompanhamento do assunto por parte do Governo do RN, fiz questão de frisar que tal apontamento refere-se ao período que se iniciou com o ano eleitoral de 2010 (particularmente a partir de setembro) até o fim do ano de 2012. Mais em http://jpprates.blogspot.com.br/media/2013/11/tres-licoes-para-o-rn-em-eolicas.html

      É claro que todos sabem que a então leniência da CHESF (que subestimou o novo mercado imobiliário e as exigências burocráticas e ambientais do projeto das LTs a serem construídas sob sua concessão no RN) estão na base do atraso gerado na sua entrega. Entretanto, também é parte da atribuição do Estado cobrar, assistir, acompanhar e ajudar nestes processos, até mesmo indo ao Governo Federal – como recentemente passou a ocorrer de novo. Se não fosse assim, não teríamos tido papel preponderante, pelo RN, na decisão federal de incluir as eólicas no leilão de 2009, ou de planejar as ICGs para João Câmara e para a Serra de Santana, em 2009 e 2010 – iniciativas que partiram do Governo do Estado à época, entre outras cobranças e acompanhamentos regulares.

      Por isso, apontei – e confirmo meu entendimento – a gestão estadual como co-responsável pelo problema, e responsável principal pelo fomento, apoio e assistência local aos empreendimentos.

      No entanto, sempre fiz a ressalva temporal ao período em que tal inércia ocorreu. E não é justo colocar-me em contra-ponto ao atual secretário, que assumiu justamente ao final daquele período crítico, e cujo trabalho tenho realçado e elogiado por merecimento, e acima de cores partidárias, políticas ou amizades.

      Portanto, que fique registrado que
      (i) ratifico as minhas críticas ao período inercial da ação estadual quanto a energia no RN, entre final de 2010 e final de 2012 – exatos dois anos que são o atraso das linhas atualmente, e
      (ii) o justo reconhecimento pelo trabalho possível realizado pelo Secretário Rogerio Marinho, a partir de sua chegada à SEDEC em dezembro de 2012.

      Por fim, uma prova do que tenho afirmado é justamente o fato de que, tendo o RN se mobilizado – unindo governo, industriais e outros interessados no crescimento da geração de energia local ao Governo Federal recentemente para cobrar celeridade e novas LTs necessárias ao desenvolvimento das eólicas aqui – imediatamente o efeito foi positivo, somando-se, claro ao fato de este leilão mais recente ser um “A menos 5″ (A-5), ao invés de um “A menos 3″ (A-3) como o imediatamente anterior onde o RN não teve projetos qualificados justamente devido ao lapso causado pelos dois anos de atraso explicados anteriormente.

      Agradeço pela tentativa de contato no sábado, e fico sempre à disposição para debater sobre os assuntos de interesse econômico do RN, em especial a área de energia e petróleo, objeto de análise das entidades que dirijo.

      Um abraço a todos e parabéns pelo novo portal e pelo trabalho de todos vcs.

      Jean-Paul Terra Prates
      Diretor-Presidente
      CERNE – Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia
      SEERN – Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN