‘Lembrancinhas’ dominam a véspera do Dia das Mães no comércio natalense

Especificamente para o comércio de eletrodomésticos, o cenário é um pouco mais animador

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Marcelo Lima

Repórter

Nem as mães conseguem impulsionar o consumo. A previsão do comércio é que o crescimento das vendas deste ano seja menor se comparado com o mesmo período do ano passado. Pelo menos é o que já se confirma em algumas lojas do Centro da Cidade, um dos principais pontos de comércio popular de Natal.

Segundo o gerente de uma loja de eletrodomésticos, Marcelo Patrício Araújo, a procura pelo presente das mães ainda era pequena até a manhã de hoje. Mas, reconhece, “nessa primeira semana o movimento foi menor que no ano passado”, analisou.

Araújo observou que o movimento que até agora era majoritariamente de consumidores pesquisando preços e hoje, finalmente, se reverterá em compras. Para atender a clientela que aproveita os últimos instantes, a loja vai ficar aberta até às 16 horas caso tenha demanda. Em sábados normais, os estabelecimentos do centro da cidade ficam abertos até 13 horas.

O gerente está otimista com crescimento nas vendas em relação ao Dia das Mães do ano passado. “A gente tem um meta bem agressiva que é de 10%. Mas acreditamos, pelo menos, chegar a 5% ou 7%. Inclusive nós demos um incremento no estoque de fritadeiras elétricas, panela elétrica. Todos esses produtos modernos tendem a sair muito nesse Dia das Mães”, disse o gerente.

Apesar do otimismo do gerente, para o comércio como um todo, a data será mais fraca. É o que prevê a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (Fecomércio/RN). O crescimento desse ano será de 4,5% segundo a entidade. O percentual é menor do que o crescimento das vendas do ano passado, 6,5%. A escalada do endividamento das famílias, produtos com preços inflacionados e juros mais altos contribuem para intimidar filhos e pais na hora de presentear as mães.

Especificamente para o comércio de eletrodomésticos, o cenário é um pouco mais animador, como explica o gerente da loja: “tem muita gente que vai aproveitar essa ocasião para adquirir a televisão para ver a Copa do Mundo. Por ser dia das mães e véspera da Copa, a gente acha que vai ser bom. No ano passado, não tinha Copa”.

Presente mais simples

Quando o consumo está mais retraído, como demonstra a Fecomércio/RN, quem não quer deixar de presentear a mãe sempre encontra uma saída. Os produtos com preços mais em conta, as “lembrancinhas”, tornam-se mais visados. É assim que as estudantes Ana Beatriz do Nascimento, de 11 anos, e a irmã Ingrid do Nascimento, de 6 anos, pretendem homenagear a mãe.

“O presente vai ser uma roupa porque a gente vai pra um aniversário e tem que comprar uma roupa nova pra ela. Acho que vai ser uma blusa”, disse Ana Beatriz. O problema é que o presente não é surpresa visto que as irmãs estavam acompanhadas da mãe. Apesar da pouca idade, as filhas já ficam atentas ao desejo da mãe. “Eu não pergunto porque já sei o que ela quer”, disse. O dinheiro para a compra vem do pai.

Neste ano, além do presente delas, o pai falou para as meninas que daria um forno microondas. Esse é um antigo desejo de Flávia Nascimento de 31 anos. Mas ela não acredita que possa se confirmar. “Eu pedi, mas não sei se vou ganhar porque meu marido nunca lembra”, disse ressentida.

Mas para a mãe, “o mais importante é ficar perto deles”, completou. Para aplacar qualquer ressentimento da data, a filha Ana Beatriz demonstrou o que nenhuma crise econômica pode impedir: “Eu vou dizer a ela que amo muito e desejo um dia das mães muito feliz”, finalizou.

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