Lição dos alemães

O alemão o é tipo do sujeito nascido para equilibrar energia e tempo. Quando a tirania de um louco quis…

O alemão o é tipo do sujeito nascido para equilibrar energia e tempo. Quando a tirania de um louco quis mudar sua gênese, apelando para a sanha desenfreada pelo ódio, o mundo pagou caro e à custa de sangue e milhões de mortos, o nazismo de Adolf Hitler não prosperou.

O alemão de verdade não representa aquele insano e tampouco seus sádicos adeptos. O alemão é um simplista e pronto a fazer bem feita sua tarefa. Seja urbano ou montanhês, seu rigor perde o aspecto de intransigência quando levantam hectolitros de cerveja, que tomam na proporção em que bebemos água.

A síntese alemã no futebol ou o futebol em nova síntese é o Bayern de Munique. Sua conquista do Campeonato Mundial de Clubes foi fácil, fincada na serenidade do magnífico técnico espanhol Pep Guardiola, e no desempenho universal do futebol em seus princípios seculares.

Ora, quero ver a cara de quem minimizava a competência de Pep Guardiola à extraordinária constelação de que dispunha no Barcelona de Messi, Xavi, Iniesta, Pedro e Fábregas, por ele montada e construída em bases ideológicas simbolizadas no programa conceitual do Brasil de 1982, o Brasil que não venceu e dignificou a derrota pela sofisticação e a magia eternizadas. Em Zico, Sócrates, Falcão e Júnior.

O Bayern venceu o Mundial que pareceu tratar como um torneio que verdadeiramente significa, ao trocar passes. Certos, medidos e objetivos. O Bayern venceu por contar em seu meio-campo com um organizador de jogo capaz de distribuir lançamentos, mudar o urso da partida em viradas de jogo e deslocamentos constantes.

O menino Thiago Alcântara, filho do tetracampeão brasileiro Mazinho nunca foi lembrado pelos nossos técnicos. É um meia, um termômetro de jogo ambulante, capaz de fazer a agradável função peladeira de prender e soltar a bola, como se um delegado de polícia fosse, calçando chuteiras e impondo a lei da beleza em campo.

Na seleção brasileira do técnico Felipão, de modelos e instintos brutais e frios como sempre atribuídos aos alemães em especial, nenhum jogador se assemelha à manhosa forma de se movimentar de Thiago Alcântara. No seu lugar, correm desenfreados maratonistas, homens para quem é preciso primeiro anular o perigo oponente e não iniciar o movimento de ataque e fustigar o adversário, prendendo-o à defesa.

Em qualquer campeonato de várzea ou de bairro, hoje ainda existe, com raridade, os boleiros malandros sabiam que a melhor maneira de destruir o inimigo era atacar. E atacar não necessariamente estando com a bola.
Pressionando a saída dos zagueiros, fustigando-os, retomando o controle da bola e impondo a superioridade lógica. O gozo do futebol é o gol, assim como para o selvagem capitalista é o lucro e ao narcisista placentário, o aplauso idiotizado.

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Os alemães sempre me foram apresentados como brutais, calculistas e mastodontes, incapazes da criação e fazendo a transpiração derrotar seleções de melhor categoria e inspiração. Assim cresci concordando.

Os alemães e seus chutões nunca deixaram de ter craques em sua seleção três vezes campeã mundial. Nomes brilhantes que ganharam ou passaram perto da Copa do Mundo: Beckenbauer, Overath, Gerd Muller, Hansi Muller, Rummennigge, Littbarski, Magath, Matthaus, Klismann e Voller me fizeram entender que a bola rolava redonda com eles.

É que no Brasil havia e muito mais homens de brilho raro. Gente qualificada quando nos juntávamos para formar até quatro times fortes para disputar Copas do Mundo e sobravam 22 daqueles que escolhíamos. Se você nunca ouviu falar em Ailton Lira, perfeito lançador e cobrador de faltas campeão pelo Santos em 1978, saiba que ele não tinha chance na época de esbanjamento clássico.

Sem modéstia, nossas convocações inúteis eram muito melhores do as que foram feitas pelos técnicos que levaram o zagueiro Edinho para jogar de lateral-esquerdo e o volante Chicão no lugar de Falcão em 1978, puseram Serginho Chulapa de centroavante em 1982 e incluíram Paulo Sérgio (1994) Anderson Polga e Vampeta (2002) em elencos campeões.
Os alemães do Bayern de Munique comemoraram com moderação o título conquistado na África. Os brasileiros se comoveram pelo esquelético papelão do Atlético Mineiro em sua derrota para o Raja Casablanca e no terceiro lugar conquistado na bacia das almas.

Sem canhões, os alemães comprovaram a supremacia do conteúdo sobre a força e da inteligência sobre a física. Ganharam com a naturalidade ancestral, no toque, na malícia e no controle do jogo e do tempo. O Bayer de Munique é o futebol de verdade. As viúvas do Atlético Mineiro escaparam de ver o Galo depenado como cadáver ao som tribal marroquino.

 

Cabeção e o Bom Senso
Uma boa pauta para o Bom Senso Futebol Clube foram as declarações do jogador Ruy Cabeção, dispensado pelo Alecrim, com quem tinha assinado contrato até 2016. Ruy Cabeção revelou os escombros de um profissionalismo fajuto que raras menções jornalísticas tratam de abordar.

Miserê
Ruy Cabeção narrou o miserê de salários atrasados e condições de trabalho indignas. Ele falou ao portal Globo Esporte e imediatamente vozes raivosas passaram a desqualificá-lo, como jogador superado e incompetente para ter direito ao protesto.

Alguém contratou
Ruy Cabeção veio ao Alecrim por contrato e se aqui chegou foi alguém que o trouxe, aceitou suas condições, o apresentou como símbolo. Ruy Cabeção parecia porta-voz da diretoria do Alecrim e quando explode em indignação, retrata somente um filme que começa errado e termina pior que o enredo.

Amém, não mais
A mentalidade de colonizado deve ser abolida das cabeças que defendem o modelo de gestão importado e anunciado como solução mágica para o Alecrim. O Alecrim é uma entidade, uma instituição e como tal, é maior do que seus passageiros e ocasionais.

Conivência
É preciso acabar com esse manto de conivência diante de tamanha agonia imposta ao Verdão, inspirado no bairro que é a essência do que há de mais legítimo em Natal: o seu povo.

Fabiano
Campeão pelo ABC em 2007 e com boas passagens por América, Alecrim e ASA (AL), Fabiano, zagueiro e volante, é reforço do Maringá (PR), que está montando time forte como em suas gloriosas épocas de duelo contra os grandes de Curitiba.

Opção
Aos 30 anos, Fabiano ainda seria útil em Natal, mas decidiu caminhar ao Sul.

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