Líderes da greve nos presídios do RN são transferidos de unidades

Em protesto, alguns presos negaram se alimentar, desde o início da semana

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Diego Hervani

diegohervani@gmail.com

Depois de quatro dias com detentos de oito unidades prisionais do Rio Grande do Norte fazendo greve de fome, a Coordenadoria de Administração Penitenciária do Estado (Coape), identificou e transferiu 15 deles – considerados os principais articuladores do movimento – para outras unidades.

Sem confirmar nomes, a Coape informou que os detentos transferidos estavam no Presídio Rogério Coutinho Madruga, em Nísia Floresta, e na Penitenciária Estadual de Parnamirim. Eles foram levados para a Cadeia Pública de Nova Cruz, que fica a pouco mais de 100 quilômetros da capital. Lá não existe qualidade no sinal de celular, o que deverá dificultar a comunicação entre os presos.

As transferências foram autorizadas pelos juízes Henrique Baltazar, titular da Vara de Execuções Penais, e Cinthia Cibele, da Comarca de Parnamirim.

De acordo com a diretora da Coape, Dinorá Simas, outros envolvidos na greve estão sendo identificados. “Estamos trabalhando para saber quem está por trás do comando do movimento. Assim que identificarmos, vamos tomar as medidas cabíveis”.

O principal motivo para a mudança dos presos foram as ameaças veladas contidas em cartas, que chegaram ao conhecimento das autoridades do sistema prisional.

Em uma delas, os detentos listaram alguns pontos para que a greve de fome chegasse ao fim. O principal deles é a cobrança pela saída do diretor do Presídio Rogério Coutinho Madruga, mais conhecido como Pavilhão 5 de Alcaçuz, Osvaldo Rossato Júnior. Os presos ainda pedem a liberação para o uso de aparelhos de televisão nas unidades, já que lá não é permitido; fim de supostos atos de tortura; dois dias para visitas – sendo um para visita íntima e outro para visita social; fim das sanções coletivas; facilitação para atendimento médico e odontológico; e diminuição do rigor nas revistas das visitas. Também na carta, os detentos ameaçam transformar o sistema prisional do RN em um verdadeiro “caos”, caso não sejam atendidos.

Segundo o juiz Henrique Baltazar, alguns presos já estão começando a aceitar a alimentação. “Como já tínhamos falado anteriormente, os detentos começaram a greve de fome, após receberem alimentação dos familiares no final de semana. Agora, com a comida acabando, muitos já começam a aceitar as refeições”. A greve de fome ocorre nas seguintes unidades: Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta; Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, conhecida como Pavilhão 5 de Alcaçuz; Penitenciária Estadual de Parnamirim; Cadeia Pública de Natal; Penitenciária Estadual do Seridó, em Caicó; Centro de Detenção Provisória de Ceará-Mirim; Penitenciária Agrícola Dr. Mário Negócio, em Mossoró; e Cadeia Pública de Mossoró.

Nessa quarta, os presos de Alcaçuz se negaram a receber visitas íntimas. Nesta quinta-feira, foi a vez dos detentos do Rogério Coutinho Madruga também se negaram a receber os familiares. A Coape deixou claro que não proibiu nenhuma visita. “Os presos quem quiseram receber as famílias, fizeram isso normalmente”, destacou Dinorá.

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