Lucena afirma que o PT vai fechar com Robinson governador e Fátima senadora

Vereador do PT de Natal adianta que partido descartou intervenção para mudar rumos na eleição do RN

Robinson Faria e Fátima Bezerra estão cada vez mais próximos de formalizar chapa. Foto: Divulgação
Robinson Faria e Fátima Bezerra estão cada vez mais próximos de formalizar chapa. Foto: Divulgação

Alex Viana

Repórter de Política

O PT do Rio Grande do Norte acredita que PMDB do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, e do ministro da Previdência, Garibaldi Filho, não demoverá o PT nacional da candidatura da deputada federal Fátima Bezerra (PT) ao Senado. “Henrique e Garibaldi vão cansar os queixos de conversar com Lula e a presidente Dilma, mas eles não vão fazer o PT desistir da deputada Fátima Bezerra ao Senado de jeito nenhum. Nós também estamos quase fechados com Robinson Faria para governador”, afirma o ex-presidente do diretório do PT em Natal, vereador Fernando Lucena.

“Eles conversem o que quiserem. Nós não podemos abrir mão da nossa candidatura. Digo o que foi dito pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, que disse que não haveria a menor possibilidade, chance zero, de qualquer intervenção nacional no diretório estadual. Com isso, nem Lula, nem ninguém. Não existe. Eles excluíram o PT. O PMDB fez toda articulação para deixar o PT isolado”, completa o vereador.

As palavras de Lucena rebatem notícias de que a cúpula do PMDB local, formada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, e o ministro da Previdência, Garibaldi Filho, teria uma reunião nesta quarta-feira em Brasília com o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff, para negociar o apoio dos petistas potiguares a uma candidatura do PMDB a governador. Para isso, o PT terá de abrir mão da candidatura da deputada Fátima Bezerra ao Senado.

Segundo Lucena, porém, não há que se falar em o PMDB movendo peças no cenário nacional para interferir no diretório local do PT. “O PMDB querendo o que com Lula? Desistir a candidatura de Fátima? De jeito nenhum”, reage ele. “Lula está informado e é muito difícil o PT voltar e até mesmo aceitar a chapa de Fátima até mesmo com Henrique. Para isso passar, vai ter muita confusão no PT”.

Lucena afirma que “o PMDB esnobou, abusou, quis ditar, ganhar por WO”. No entanto, segundo ele, “o PMDB não vai, não foi, nem será”. “Não acredito que haverá intervenção do PT no diretório. O PMDB preferiu Rogério Marinho e Zé Agripino. Fique com eles. Estamos fora. E Lula não vai descumprir a resolução do diretório. Vão cansar os queixos de conversar com Lula e Dilma. Mas a decisão aqui será local, de prioridade a Dilma. Se o PMDB quiser vir, venha para o palanque do PT”, disse.

EXCLUSÃO

Lucena recorda que o PMDB está criando seu próprio destino, ao fazer e desfazer articulações. Só que o PT, segundo ele, não ficará a reboque dos peemedebistas. Ele recorda que um pré-acordo, apelidado de “acordão” à época, entre o PMDB e setor do PT ligado à deputada Fátima Bezerra foi firmado em outubro de 2013, mas, após o Processo de Eleições Diretas (PED) do PT, o PMDB iniciou um processo de afastamento do PT e de aproximação com o PSB da ex-governadora Wilma de Faria. “Tanto que na última conversa do PMDB com o PT, Garibaldi foi claro ao dizer que o PMDB teria uma aliança com Wilma para o Senado, e um candidato a governador”.

Segundo Lucena, a aliança do PMDB com o PSB incluiria ainda legendas contrárias ao PT, como o DEM, o PSDB e o PPS, nas coligações proporcionais. A partir daí, “criou-se um impasse, porque houve reação forte no PT”, lembra. “Aí vem o presidente nacional do partido, Rui Falcão, e, na primeira reunião do diretório estadual do PT, quando foi dado esse informe de que o PMDB estava isolando o PT, disse que o projeto do PT é a reeleição da presidente Dilma e a candidatura ao Senado. E que não haverá ameaça de intervenção. ‘O que vocês decidirem está decidido'”, afirmou Falcão, segundo o vereador.

“Robinson, que era patinho feio, virou um ganso forte”

Desde esse dia, segundo Lucena, “ganha força a proposta de aliança do PT com Robinson”, afirma, reforçando que a coligação do PT com o PSD tem tudo para crescer, já que o PSD de Robinson governa o segundo maior colégio eleitoral do Estado – Mossoró – e há possibilidade de o prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PDT), do maior colégio eleitoral do Estado, e o prefeito de Parnamirim, Maurício Marque (PDT), do terceiro maior colégio eleitoral, reforçarem o palanque em construção. “Temos Mossoró. O prefeito de Natal poderá vir para essa aliança, o prefeito de Parnamirim também”, ressalta Lucena.

Na avaliação do vereador, com a chapa Robinson governador, Fátima senadora, são reais as chances de haver segundo turno nas eleições deste ano no Rio Grande do Norte. “A possibilidade de a chapa Robinson/Fátima vir e garantir segundo turno é enorme”, diz ele, informando que a repercussão positiva da chapa tem sido violenta e que está corroendo o palanque adversário. “Robinson, que era um patinho feio, virou um ganso forte”, completou.

Segundo Lucena a repercussão da aliança Robinson e Fátima está incomodando até a candidatura de Wilma ao Senado. “Como Wilma viu que a aliança com o PMDB era um acordão, Wilma agora não está topando ser candidata ao Senado. Endureceu o cangote, quer ser governadora. É um direito que ela tem. É uma candidata forte hoje”, analisa, completando: “O PMDB ficou sem ninguém. O partido está se isolando, querendo tudo e ficando sem nada”.

PALANQUES

Ainda segundo o vereador Lucena, neste momento do processo sucessório, o PMDB percebeu que não haverá dois palanques para o partido, como aconteceu na eleição passada quando uma banda da legenda apoiou a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) e a outra o então governador Iberê Ferreira de Souza (PSB).

“Eles viram que não terá dois palanques. Ministro de Dilma não vai subir em palanque com Aécio Neves. Nem com Eduardo Campos. O palanque, como disse o nosso presidente Juliano Siqueira, é o palanque de Dilma, é do PT. Quem quiser que venha. O PT não vai correr atrás de ninguém. Estamos com aliança fechada quase com o PSD e vamos continuar conversando Quem procurou se isolar não fomos nós”, finalizou.

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