Lula ainda calado sobre o caso Rose

Por Júlia Rodrigues Um ano depois do desfecho da Operação Porto Seguro, promovida pela Polícia Federal para desbaratar uma quadrilha…

Por Júlia Rodrigues

Um ano depois do desfecho da Operação Porto Seguro, promovida pela Polícia Federal para desbaratar uma quadrilha especializada na comercialização de pareceres fraudulentos emitidos por agências reguladoras, a única mulher envolvida no escândalo é também a única integrante do bando cuja vida mudou para pior.

Chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo desde 2004, Rosemary Nóvoa de Noronha reinou no 17° andar do prédio do Banco do Brasil na Avenida Paulista até a descoberta de que o local fora reduzido a uma extensão de um grupo criminoso.
Passado um ano, o acervo de reveses é de bom tamanho. A perda do salário de R$ 12 mil é a menos relevante. Uma mesada negociada com Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, tem livrado a desempregada de dificuldades financeiras. O que a transformou numa mulher amargurada foi a perda de outros privilégios que lhe garantiam a vida de segunda-dama.

Perdeu até o direito aos mimos que levaram a Polícia Federal a qualificá-la de petequeira. Essa expressão, utilizada nos meios políticos e empresariais, designa quem se deixa corromper por ninharias, como ingressos para camarotes no Carnaval do Rio de Janeiro, cruzeiros no litoral paulista, financiamentos de pequenas cirurgias ou apartamentos.

Para a mulher que nomeava parentes e amigos com o amparo do presidente, nada foi mais penoso que a perda do prestígio. Ela nomeou, por exemplo, os irmãos Vieira. Até agora, os comparsas não foram demitidos. Embora denunciados pelo Ministério Público Federal, os demais integrantes da quadrilha continuam recebendo salários do governo, como informou a reportagem de VEJA publicada em 23 de novembro.

Chegou ao Partido dos Trabalhadores pelas mãos de José Dirceu, que a contratou como secretária. O chefe apresentou-a a Lula. Em 1994, ainda trabalhava com Dirceu quando passou a cuidar da agenda do futuro presidente. O estreitamento das ligações animou Lula a alojar a protegida no cargo de que foi destituída só em novembro de 2012.

Lula também mantém distância da história muito mal contada. Dois dias depois da explosão do escândalo, declarou-se traído. “Eu me senti apunhalado pelas costas”, lamuriou-se. “Tenho muito orgulho do escritório da Presidência, onde eram feitos encontros com empresários para projetos de interesse do país”.

Em março, numa entrevista ao jornal Valor Econômico, criticou a cobertura no noticiário da imprensa sobre o Caso Rose. “Quando as coisas são feitas de muito baixo nível, quando parecem mais um jogo rasteiro, eu não me dou nem ao luxo de ler nem de responder”, desconversou o entrevistado. “Porque tudo o que o Maquiavel quer é que ele plante uma sacanagem e você morda a sacanagem”.

Lula continuava procurando algum álibi consistente em setembro, mostrou a entrevista concedida ao Correio Braziliense. “A CGU julgou um relatório feito pela Casa Civil. E pelo que vi do relatório, ele confirma as conclusões da Casa Civil”, resumiu. “Todo servidor que comete algum ilícito tem de ser exonerado”.

No começo de dezembro, os brasileiros ainda continuam à espera de explicações menos rasas. O país quer saber, por exemplo, todos os detalhes da mesada que Rose recebe. Ou quem banca o batalhão milionário de 40 advogados incumbidos de defendê-la.

Lula faz de conta que não há o que explicar. É desmentido por, pelo menos, 40 perguntas formuladas pelo Brasil que presta. Fala, Lula. O país continua querendo saber. (JR, leia a íntegra na coluna de Augusto Nunes, no site da VEJA)

 

Inauguração
O cerimonial do Palácio do Planalto avalia como mais preocupante uma manifestação de sindicalistas fora do alcance da vista de Dilma Rousseff do que a ausência do Habite-se na obra e alguns questionamentos feitos pelo Ministério Público. É burrice.

Vaias
Os organizadores da manifestação que se concentra amanhã em frente ao Midway com destino à Arena carregarão dois bonecos gigantes, representando Dilma Rousseff e Rosalba Ciarlini. Portanto, as vaias serão para as duas. Simples assim.

Aeroporto
A Infraero e a Polícia Federal já sabem que a porta de entrada dos turistas que virão para Natal assistir a Copa do Mundo será no aeroporto Augusto Severo, em Parnamirim, e não no aeroporto Aluizio Alves, em São Gonçalo. Já começaram as providências.

Majoritária
Um wilmista com acesso livre à família Alves está sugerindo uma chapa que fará a “guerreira” entrar de sola na campanha como candidata a senadora ao lado do PMDB. Com Robinson Faria (PSD) de governador e a mossoroense Fafá Rosado de vice.

O nome
A pressão do PT com a presença de Ruy Falcão em Natal para definir a candidatura de Fátima Bezerra ao Senado deverá antecipar a definição do candidato a governador do PMDB para os primeiros dias de fevereiro. O partido quer Wilma de senadora.

Rolezinho bancário
Assim como Genoíno, os criminosos Zé Dirceu, João Paulo Cunha e Delúbio Soares também pedirão doação para pagar multas na Justiça. No Twitter, a galera está sugerindo depósitos fictícios para a conta 13.171 do Banco Rural. Que tal?

Investigação
A Receita Federal e a Polícia idem precisam urgentemente rastrear a origem do dinheiro arrecadado via site construído por familiares de José Genoíno. Militantes depositaram o suficiente para a quitação da multa de R$ 667,5 mil determinada pela Justiça.

Lepra
“Essa história de mensalão é quase uma doença. Em alguns lugares, as pessoas não podem encostar na gente”. Aspas de João Paulo Cunha, decepcionado com um ato de solidariedade a ele, mas que não teve a presença de nenhum dirigente do PT.

Fiasco
No ano da Copa, que teria, em tese, mais estímulo na sociedade para o futebol, os campeonatos estaduais iniciaram num verdadeiro fiasco de público e renda. A indiferença do torcedor com os jogos é generalizada, de Natal ao Rio de Janeiro.

Peladas
Duas partidinhas de várzea para inaugurar uma obra tão portentosa como a Arena das Dunas. Jogos sem qualquer tempero de rivalidade entre torcidas, fator principal de um espetáculo de futebol. Um ABC x América seria mais apropriado que a rodada dupla.

Desarranjos
Há indícios de que a ausência de gols no Barcelona e recentes problemas intestinais do jogador Neymar têm origem emocional, provocada pelo imbróglio fiscal e jurídico em que se transformou sua compra pelo time catalão. Muita grana no jogo paralelo.

Compartilhar: