Mãe Luíza tem novos desabamentos e moradores intensificam mutirão

Seis casas que já haviam sido atingidas pelos deslizamentos de terra desabaram

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Alessandra Bernardo

alessabsl@gmail.com

Mais uma noite de chuvas e medo para os moradores de Mãe Luíza e do entorno da lagoa de captação São Conrado, em Dix-Sept Rosado, zona Oeste de Natal. Durante a madrugada, seis casas que haviam sido atingidas pelo deslizamento de terra entre as ruas Guanabara e Atalaia, na semana passada, não resistiram e desabaram, aumentando a apreensão e a tensão entre as pessoas que residem próximo à cratera em Mãe Luíza.

Na manhã desta terça-feira (24), os moradores voltaram a se reunir em mutirão para tentar diminuir os efeitos das águas das chuvas e da rede de esgotamento sanitário na área.

Uma equipe da Secretaria do Município de Obras Públicas (Semopi) e do Ministério da Integração Nacional visitou a área afetada para uma nova avaliação da atual situação da comunidade. Segundo o titular da Semopi, Tomaz Neto, o trabalho de reposição de terra em uma parte da cratera, feita antes das chuvas deste final de semana, foi fundamental para impedir que ocorressem novos desabamentos de imóveis e que a erosão fosse maior na área.

“Perdemos parte do que foi feito, mas ainda assim, o aterramento ajudou muito, porque conseguimos impedir que outros imóveis que ainda estão em pé fossem atingidos. Agora, com os dados desta avaliação feita pelo Ministério da Integração, vamos traçar o plano de estruturação do terreno e o que será feito em favor dos moradores que perderam suas residências”, afirmou.

Enquanto os técnicos da Prefeitura e do Ministério avaliam e discutem uma possível solução para a região, os moradores das áreas ameaçadas de novos deslizamentos e desabamentos passaram mais uma noite em claro, com medo de uma nova tragédia. Pela manhã, eles voltaram a fazer o escoamento das águas das chuvas e do sistema de esgotamento sanitário com os canos deixados na Rua Guanabara, apesar do risco de acidentes.

“Aqui tem muito pedreiro e mestre de obra, que sabe o que tem que ser feito para evitar que mais pessoas percam suas casas, por isso, estamos trabalhando em conjunto e vamos usar estes canos para o escoamento da água, levá-la o mais longe possível para evitar mais deslizamentos. Infelizmente, isso deveria ser feito pela Prefeitura, mas é a segunda vez que você vem aqui e nos encontra trabalhando, porque eles não vieram. Enquanto isso, o buraco só aumenta”, desabafou o morador José Washington.

Quem também estava ajudando nos serviços foi o comerciante Francisco Gomes, que perdeu duas casas na Guanabara na semana passada, engolidas pela cratera que já ameaça os imóveis da Atalaia. “É arriscado sim, mas temos que pensar nas pessoas que já perderam tudo e nas que estão em risco de passar pela mesma situação e isso é o que nos move a estarmos aqui, tentando diminuir o impacto dessa água toda que desce do morro e vem para cá, aumentando a erosão e fazendo com que a cratera aumente e atinja outras casas. Se deixarmos isso acontecer, o buraco vai atingir a Rua João XXVII, do outro lado de Mãe Luíza”, desabafou.

NOITE EM CLARO

Na madrugada desta terça-feiravoltou a chover em Natal e mais uma vez, os moradores de Mãe Luíza passaram a noite em claro. A dona de casa Noêmia Pereira disse que não conseguia tirar da cabeça as imagens chocantes que viu ao presenciar o deslizamento de terra que levou as casas de vários amigos, no início da semana passada. Angustiada, ela chorou ao perceber que voltaria a chover nas próximas horas.

“Basta um pingo de chuva para ficarmos apavorados, com medo de um novo deslizamento e que a nossa casa, que construímos com tanto sacrifício e trabalho, desça morro abaixo. É muito triste relembrar tudo o que vi e sempre me emociono ao olhar para o céu e perceber que vai chover novamente, como agora, meu Deus. Quem mora lá embaixo não sabe o sofrimento de quem vive aqui em cima, sem condições de recuperar tudo o que perdeu”, falou.

Sua vizinha, Luíza Ferreira, também lamentou o retorno das chuvas e afirmou que sempre que começa a chover, ela fica nervosa, temendo pelo pior, mas que ainda não vai sair de sua residência, também na Rua Atalaia. “Mesmo uma chuva fina já me deixa angustiada, com medo mesmo. Não sabemos a situação do terreno e a cada dia que passa, vemos mais casas sendo engolidas pelo buraco, então, o medo é que isso nos atinja também”, desabafou.

Bombas de São Conrado funcionam, mas moradores continuam com medo

A noite também foi de medo entre os moradores do entorno da lagoa de São Conrado, em Dix-Sept Rosado, que chegou a atingir seu limite máximo ontem (23), sem transbordar. As duas bombas existentes no reservatório estavam funcionando normalmente na manhã de hoje (24), o que, segundo os moradores, pode ter ajudado a evitar um novo transbordamento. Ainda assim, alguns disseram que não conseguiram dormir, por causa das chuvas.

“Quando chove, ninguém tem sossego, mesmo com as bombas funcionando como hoje. E ainda estamos sofrendo com os estragos provocados na semana passada, porque a água era muito suja, cheia de insetos e lixo. Ainda hoje, a minha família está sofrendo com doenças de pele, micose e problemas respiratórios por causa das paredes úmidas, depois da enchente”, explicou a dona de casa Míriam de Araújo.

Segundo o secretário da Semopi, Tomaz Neto, as bombas da lagoa foram consertadas e devem impedir que ocorra novas enchentes na área até o fim das obras de drenagem do entorno do Arena das Dunas, que é levada para o reservatório. Ele disse ainda que outras cinco bombas também foram renovadas e devem evitar mais problemas nas lagoas do Preá, Potiguares, Jiqui e na Zona Norte, até o fim das obras, previsto para acontecer em outubro próximo.

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