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Mãe nega trechos da entrevista de mulher que matou filho de oito meses

Data: 23 fevereiro 2013 - Hora: 18:15 - Por: Portal JH

Ao saber que a filha era acusada de ter agredido e matado o filho de oito meses, duas semanas atrás, Dona Evanilde estava na fase final de um tratamento para labirintite. Sob efeito de fortes medicamentos, ela viu sua vida ser transformada e a confirmação da expectativa de que algo trágico aconteceria com Josenilde Lopes de Mendonça – mulher que botou no mundo 36 anos atrás. Ela procurou a reportagem para desmentir trechos da entrevista concedida pela assassina confessa do bebê na edição de quinta-feira (21/02) d’O Jornal de Hoje, ainda que tenha se recusado a lê-la. “Não tive coragem”.

“O que eu gostaria de negar era que o pai batia nela como foi dito. Na verdade, o pai bateu, sim, mas foram apenas três vezes e só quando percebeu que ela começou a beber muito e a se drogar. E jamais ele me agrediu. Isso é mentira dela. Josenilde, desde pequena, era diferente. Tem um QI muito alto, sempre gostou de ler, mas sofre de problemas mentais. Inclusive fazia tratamento psiquiátrico. Tem várias entrada na Casa de Saúde. Só dormia com remédios controlados. Nos últimos três anos foi que começou a reduzir e usar apenas remédios naturais”.

A professora universitária, que pediu para ter o nome completo e a imagem preservadas, diz que fez o possível para que a filha fosse uma pessoa centrada, desde pagar despesas,  até dar o apartamento onde foi encontrado o corpo da criança – com traumatismo crânio encefálico. “Paguei inúmeras internações. Ela ficava um tempo sem usar droga, e virava uma pessoa boa, sadia, que estudava. Ela passou em concursos públicos e entrava com facilidade na faculdade. Mas, de uma hora para outra, tinha uma recaída”.

Dona Evanilde cria ‘Fernandinho’, filho de Josenilde com 15 anos. “Ela dizia que esse [o que morreu] ela iria cuidar. E cuidava. Era carinhosa, dava muito amor à criança. Não sei o que houve naquela noite. Eu estava em casa medicada, por causa da labirintite. Estou trabalhando porque tenho contrato, mas minha vida está destruída”. A desconfiança de que a filha tinha voltado a se drogar veio com as tentativas frustradas de estabelecer contato com ela durante os dois dias anteriores ao crime (09 de fevereiro). “Como o telefone estava desligado, liguei para um porteiro do prédio dela. Ele disse que ela tinha saído correndo, dizendo que o filho estava morto. Foi quando pedi para meu irmão ir até lá”.

Segundo a mãe da homicida confessa, “desde que o menino nasceu ela estava bem. Se usava alguma coisa, era algo mais leve. Pelo jeito que tratava a criança, eu achava que ela nunca seria capaz de deixá-lo sozinho em casa. A coisa começou a piorar nos últimos quinze dias, quando ela voltou a se drogar” – em depoimento a’O Jornal de Hoje, Eustachio Lima dos Santos, o homem que viveu por 12 anos com Josenilde, afirmou que eram cerca de 40 pedras de crack em dois dias. “Como mãe de uma mulher adulta, eu não tinha o que fazer”.

Outro ponto destacado por Dona Evanilde é a violência do pai da criança morta, o paulista Ramon Ramalho. Ela assegura que os dois se conheceram nas ruas de São Paulo, pois ambos usavam droga e bebiam muito. “Soube que ela estava bancando o bom moço, dizendo que era preocupado com o filho e que estava terminado com minha filha. Isso não é verdade. Eu paguei a passagem área dele para Limeira [interior de São Paulo onde reside] e estava tudo certo de ele voltar em fevereiro. Ele batia muito, muito nela. Com sete meses de gravidez, ela voltou a Natal cheia de hematomas. Cheia. Mas não quis dar queixa da Delegacia da Mulher, como eu queria”.
Sem ver a filha desde que esta foi presa, Dona Evanilde afirma desconhecer os procedimentos para localizá-la. “Disseram que ela apanhou de uma presa. Não sei até que ponto é verdade. Sei que estou arrasada com isso tudo. Vamos aguardar o desenrolar do caso para ver, realmente, o que foi que aconteceu”.

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