Mãe recebe corpo errado do filho para o velório e IML alega que está ‘inchado’

Quando o caixão foi aberto, houve a surpresa e o espanto: era outra pessoa quem estava lá

Os familiares acusam o IML (Instituto Médico-Legal) de Santos de enviar o corpo errado para ser enterrado no Grande ABC. Foto: Divulgação
Os familiares acusam o IML (Instituto Médico-Legal) de Santos de enviar o corpo errado para ser enterrado no Grande ABC. Foto: Divulgação

Um erro irreparável gerou grande transtorno na tarde de ontem em São Bernardo. O eletricista Edson de Oliveira Fernandes, 32 anos, morador do bairro Demarchi, morreu afogado na tarde de domingo na praia do Parque Real, Praia Grande, onde alugou casa para aproveitar o calor do fim de semana. Na tarde de ontem, a família do rapaz aguardava o corpo para fazer o velório no Cemitério Jardim da Colina, no Sítio dos Vianas. Quando o caixão foi aberto, houve a surpresa e o espanto: era outra pessoa quem estava lá.

Os familiares acusam o IML (Instituto Médico-Legal) de Santos de enviar o corpo errado para ser enterrado no Grande ABC. “Só vi na hora que abriu o velório. Meu filho tem 32 anos e o homem que estava no caixão parecia ter uns 60. O Edson era careca, o outro, cabeludo. Eram totalmente diferentes. O pior é que ainda tentaram me convencer de que era o meu filho que estava lá, dizendo que o corpo tinha inchado. Como não iria reconhecer meu próprio filho?”, reclamou a mãe de Edson, Teresinha Estevão Fernandes, 53.

De acordo com o cunhado da vítima, Rogério Pereira Brito, 36, que resolveu toda a parte burocrática do caso, outro morto deu entrada no IML de Santos com o mesmo nome do morador de São Bernardo. “Fui o primeiro a chegar lá para fazer o reconhecimento e a liberação. Cheguei a ver o corpo dele. Por volta das 10h, chegaram outras pessoas para fazer a liberação de um homem, também chamado Edson, que havia morrido. Quando resolvi a papelada, chamei a funerária para levar meu cunhado ao cemitério e fui buscar o atestado de óbito. Não estava lá no momento da retirada.” O outro corpo foi identificado como de Edson Afonso de Oliveira.

O velório, que estava marcado para ter início às 14h, só começou às 17h30, quando o erro foi corrigido e o corpo chegou ao local. Cerca de 40 amigos e parentes de Edson aguardavam para a despedida. “Olha quanta gente aqui nessa angustia. Teve gente que veio de Belo Horizonte (Minas Gerais) e tem de ficar aguardando a definição”, disse Teresinha. O enterro foi realizado às 19h.

A administração do IML foi procurada, mas não se pronunciou sobre o caso. Segundo nota divulgada pela SSP (Secretaria de Segurança Pública), responsável pelo departamento, a diretoria do instituto de Santos informou que o funcionário da funerária não aguardou a autorização para retirar o corpo, o que ocasionou a troca. A Pasta estadual informou que será aberta sindicância para apurar se houve falha interna.

O coordenador do serviço funerário do Cemitério Jardim da Colina, Roberto Ubara, rebateu as informações oficiais e garantiu que o erro foi do IML de Santos, que liberou o corpo sem identificação. “Por conta de negligência de terceiros, fomos prejudicados, porque tivemos de segurar os funcionários até mais tarde para realizar o sepultamento. Mesmo assim, não cobramos taxa extra nenhuma da família, para tentar amenizar ocorrido.”

 

Fonte: Diário do Grande ABC

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