Mães de pacientes com câncer expõem produtos artesanais
Organizada pela Casa Durval Paiva, a exposição de produtos artesanais confeccionados por mães e acompanhantes de crianças e adolescentes em tratamento ou já tratados de cânceres variados ocupou, durante toda a última sexta-feira (15), a área de eventos do Natal Shopping, como desfecho do projeto Novo Rumo Design, ação patrocinada pela Fundação Banco do Brasil. Ao capacitar pessoas que abandonaram a vida profissional para cuidar de enfermos, as 27 oficinas ofereceram um horizonte financeiro.
Cursos de depilação, pintura em tecido, produção de chocolate, pulseiras, colares, bolsas, dentre outras habilidades, fizeram parte das aulas empreendidas na própria instituição que cuida de pacientes com câncer. Uma das contempladas com a iniciativa foi dona Ione Soares, 40 anos. Mãe de Rayane Stefane, 17, ela viu o mundo ruir no dia em que descobriu a doença da filha. “Ali acabou tudo. Eu era costureira de fardamentos e parei com tudo. Fui viver em função dela”.
Os sintomas começaram com uma forte dor de cabeça, que durou um mês. Sem diagnóstico, a menina, então com dez anos, foi encaminhada para um oftalmologista, após os olhos apresentarem uma vista trocada e a freqüência de vômitos aumentar. Em 30 dias, ela perdeu cinco quilos. “Quando o oftalmologista falou que era uma coisa séria, vi que estava na mão de Deus”. Sete anos de tratamento ainda são insuficientes para Ione ficar tranqüila. “Até hoje eu tenho medo do câncer voltar”.
Com ciúme dos outros filhos, sem dinheiro no bolso e Rayane com seqüelas na fala e na visão, procurar trabalho virou prioridade. “Os gastos são grandes, mas a Casa me apoiou. Agora eu estou aqui para vender meu trabalho. Recentemente, participei de duas feiras, uma na Ribeira, outra no Nordestão [supermercado] da Salgado Filho. Foram fracas, mas tirei um dinheirinho”, diz Ione. “Como eu vivo em função de minha filha, esse pouco que ganho ajuda muito na despesa”.
Atento às camisetas e colares expostos no projeto Novo Rumo Design, o professor universitário aposentado, Ricardo Cabral, valoriza a iniciativa e enaltece o empenho da Casa Durval Paiva em sustentar a ajuda até concluir o tratamento. “Eles fazem uma obra voluntaria muito rica. Estão de parabéns mesmo. Acho que a pessoa se encontra fazendo o bem para os outros. Às vezes, ajudar o próximo faz mais bem para quem ajuda”. Quem quiser contribuir com a aquisição dos objetos, pode entrar em contato nos telefones 4006-1600, 9622-4544, 9981-3474.
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