Mafalda Minnozzi apresenta sua releitura para clássicos dos anos 1950 e 1960

Fã de Sarah Vaughan, Tom Jobim e Renato Russo, lombarda mora no Brasil desde 1996

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Conrado Carlos

Editor de Cultura

Daqui a 45 dias, Itália e Uruguai disputarão, na Arena das Dunas, um dos jogos mais interessantes da primeira fase da Copa do Mundo. Mas, enquanto a comunidade italiana em Natal espera a festa ludopédica, a cantora Mafalda Minnozzi dá o ponta pé inicial no congraçamento que a cultura italiana promete fazer com a brasileira. Na noite desta sexta-feira (09), às 21h, no Teatro Riachuelo, a lombarda radicada em São Paulo apresenta seu show Spritz Dal Vivo, com versões jazzísticas sofisticadas de alguns dos clássicos da música de seu país de origem, outrora frequente por estas bandas.

Fã de Sarah Vaughan, Dinar Washington, Frank Sinatra, Cole Porter, Duke Ellington e da bossa nova de Tom Jobim e João Gilberto, Mafalda tem 25 anos de carreira. Filha de Pavía, no norte da Itália, cidade cultural e sede de uma das mais antigas universidades do mundo, ela também mergulhou no cancioneiro francês, nas vozes de Edith Piaf e Yves Montand. Em 1996 veio ao Brasil pela primeira vez e se encantou pela beleza natural do Rio de Janeiro. “É o pais mais musical do mundo”, costuma dizer. A ‘visão do paraíso’ mudou sua vida – além da vasta colônia italiana que existe por aqui.

Naquele mesmo ano, Renato Russo lançou “Equilíbrio Distante”, álbum com músicas italianas de jovens autores que fez bastante sucesso comercial. Aquilo ratificou a ideia de morar nos trópicos. Desde então, emplacou canções em novelas da TV Globo, como Terra Nostra, Zazá e Andando nas Nuvens. No cinema, também trabalhou com cineastas renomados, casos de Bruno Barreto (O Casamento de Romeu e Julieta) e Jorge Furtado (Saneamento Básico). Ela já gravou faixas com Martinho da Vila, Leila Pinheiro, Fernanda Porto, Wilson Simoninha, e Bibí Ferreira. Em 2003, aceitou ser correspondente em São Paulo da RAI.

Com arranjos originais e forte viés jazzístico, o projeto Spritz Dal Vivo tem 16 faixas e foi lançado em DVD, após gravação no auditório Ibirapuera, na capital paulista. O som é aquele que, no final dos anos ’50 e começo dos anos ’60, fez da Itália uma exportadora de influências musicais – com Rita Pavone na dianteira dos iniciantes. Trata-se do período mais fértil e marcante da canção italiana para consumo. Em Spritz…Jazz, bossa nova e pop se misturam em temas reconhecíveis na primeira estrofe.

“Dizem que por bloqueio americano, a música italiana e a francesa não conseguem mais mercado no Brasil. Mas, na época de ouro delas, tocava em rádios, em festas e eram muito conhecidas por aqui. Marcaram a vida de muita gente. O italiano é um idioma muito sonoro, de fácil assimilação para quem fala português. Acho que esse show vai ser muito bom”, diz Paulo Medeiros de Lira, dentista que nas horas vagas imerge na música de países fora do eixo comercial com a mesma dedicação com que trata de bocas alheias. “Esse show da Mafalda tem tudo para ser muito bom, se o repertório for o mesmo do DVD”.

 

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