Magnata egípcio reúne grupo para tentar comprar a TIM no Brasil

Oficialmente, a Telecom Italia afirma que a TIM não está à venda. Mas, nos bastidores, essa é uma possibilidade

Naguib Sawiris, magnata do ramo das telecomunicações no Egito. Foto: Divulgação
Naguib Sawiris, magnata do ramo das telecomunicações no Egito. Foto: Divulgação

O bilionário egípcio Naguib Sawiris, 59, é o comprador potencial da TIM caso a Telecom Italia, dona da subsidiária brasileira, seja vendida. “Farei uma proposta”, disse em entrevista à Folha.

Caso ocorra, o negócio pode chegar a € 20 bilhões, segundo alguns acionistas da companhia italiana.

Com uma fortuna de US$ 2,5 bilhões, Sawiris é o líder de um grupo de investidores que já está pronto para a compra da TIM no Brasil.

O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) recebeu o empresário egípcio no final do ano passado. Segundo o ministério, o encontro não foi registrado na agenda do ministro por uma “por falha da assessoria”. Também não entrou na internet, porque houve um “erro de digitação”.

“Falei ao ministro que seria uma péssima ideia o governo brasileiro permitir a venda da TIM fatiada”, disse o empresário egípcio.

Segundo ele, essa ideia, que tem o apoio nos bastidores das outras operadoras, é defendida pela Telefónica no conselho da Telecom Italia. “Mas é absurda”, disse Sawiris, que também é minoritário na operadora italiana.

Oficialmente, a Telecom Italia afirma que a TIM não está à venda. Mas, nos bastidores, essa é uma possibilidade para reduzir o endividamento da companhia, hoje de cerca de € 58 bilhões (cerca de R$ 190 bilhões), e manter o plano de investimento.

ANTECEDENTES

A pressão da Telefónica pela venda da TIM se explica por um suposto conflito de interesse. O grupo espanhol é dono da Vivo e, indiretamente, também está na TIM.

O imbróglio começou em setembro. A Telefónica é sócia da Telecom Italia por meio de uma empresa chamada Telco, que tem outros sócios e detém 22,4% da Telecom Italia. Em setembro, dois deles, o Mediobanca e a Generali, pediram para sair.

Para evitar a dissolução da Telco, a Telefónica aumentou sua participação de 46,5% para 66% com a opção de assumir o controle. Na ocasião, o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) afirmou que isso não seria permitido por restrições legais do setor.

O ministro foi desautorizado pela presidente Dilma Rousseff, que disse que o assunto seria resolvido pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

A venda da TIM é a solução para o impasse dos espanhóis. A Folha apurou que, sem o interesse de grandes grupos pelo controle da TIM, o governo daria aval para a venda fatiada. Mas agora, com a chegada de Naguib Sawiris, a situação pode mudar.

 

Fonte: Folha de SP

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