Maguila
No tempo do Esporte Total, da Bandeirantes na televisão, a preguiça natural do domingo mantinha relação incestuosa com o tesão juvenil por overdose de campeonatos. Quem podia ter um aparelho de TV no quarto, saía da cama apenas quando tinha jogo à tarde no finado Castelão(Machadão) e delirava ao prazer de coçar o dedo do pé com a unha do outro(pé) e assistir peladas até dormir.
O trabalho do narrador Luciano do Valle foi muito importante para a minha geração, excluída dos jogos do Campeonato Carioca, direitos de transmissão pertencentes à poderosa Rede Globo. Assistíamos Vasco x Flamengo, Fla x Flu ou Botafogo x Vasco já sabendo do resultado.
Fomos da geração videoteipe com narração de Januário de Oliveira na TV Educativa, sempre a repetição dos clássicos às 22 horas, quando Léo Batista terminava de apresentar os Gols do Fantástico. “Taí o que você queria, bola rolando no Maracanã”, foi o bordão criado por Januário de Oliveira.
A Bandeirantes mostrava partidas do Paulistão( até os clássicos) e confrontos terríveis feito São Bento de Sorocaba x Araçatuba. Serelepe, um atacante ligeiro, jogava pelo São Bento e até fez gol no ABC quando o Brasileiro tinha 74 clubes por ordem expressa da Ditadura e a sua sigla de fachada, a Arena.
Pelas lentes do Esporte Total, criavam-se heróis sem brilho e um deles foi o, digamos, pugilista, Adilson Maguila. O mundo vivia a febre do demolidor Mike Tyson e Luciano do Valle, empolgado pela febre do boxe, parecida com a do UFC atual, criou Maguila e o expôs como um Cassis Clay mambembe.
O coitado do Maguila, com frases engraçadas e barrigão, fazia lutas contra americanos gordos, panamenhos com aspecto alcóolatra, salvadorenhos ávidos por uma mulata e uma cerveja gelada. Batia em todos eles e a televisão explodia em audiência, brigando com a Globo.
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Até que apareceu um Falconi, argentino. Também com cintura cheia de pneus, mas grandalhão e com algum fundamento. Falconi deve ter passado por um ringue nem que fosse assistindo a um filme de Rocky.
Rocky, o lutador, uma desgraça cinematográfica criada para consagrar a superioridade dos Estados Unidos na pele de um brutamontes sentimental, o Stallone com clichês e murros salvadores quando estava prestes a ser nocauteado.
Maguila tomou um direto de Falconi e cai duro, pronto, estático, como se um caminhão o houvesse triturado na BR-3. Maguila tornava-se um saco de areia. Faltava-lhe técnica e a mídia forçando a barra o colocou nos ringues. Até seu técnico, o famoso Ralph Zumbano, desistiu.
Maguina, contaminado pelo veneno da fama efêmera, insistiu e bateu Falconi numa revanche cheia de malícia. O argentino parecia doidão e praticamente dava o rosto para o brasileiro e sertanejo lhe acertar. Maguila voltou ao apogeu de barro e a emissora garantiu patrocínios milionários.
Ousaram, jogaram Maguila em covas de leão. Desafiou o mito George Foreman e foi surrado por nocaute. Menos por masoquismo, mais pela bolsa(prêmio por participar da luta), apanhou ainda mais de outra lenda, Evander Holyfield, que o deixou adormecido na lona.
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Fabricaram uma farsa, enganaram um inocente, despreparado. Foi assim com Jacozinho, o ponta-direita que reivindicava uma vaga na seleção de “Seu Avaristo”, Evaristo de Macedo, técnico do Brasil no primeiro semestre de 1985.
Fizeram Jacozinho de palhaço, ele rodou por trocentos times, entre eles o ABC, e terminou disputando peladas de futebol de salão no interior do Nordeste, por cachês de 25 a 30 reais. Jacozinho foi o Maguila da bola.
Maguila ainda se submeteu a programas econômicos(calcule o ridículo) e humorísticos no SBT e na Record. Gravou um CD, naturalmente encalhado e foi candidato a deputado federal com pífia votação em 2010.
Hoje, com rosto disforme e cabeça atormentada, Maguila está apenas com a família e repórteres fugazes no Hospital das Clínicas. Sofre do Mal de Alzheimer e reluta em tomar a medicação prescrita pelos especialistas.
Maguila nem comove a imprensa. Sempre foi tratado com desdém e no ridículo, como é praxe quando o assunto é algum nordestino. Maguila é a prova(ainda) viva, mas inerte ao mundo, de que a mídia, feiticeira que produz mentiras fatais e ídolos falsos, é incurável. Ainda falta a vacina contra o mal do poder plantado por quem quer apenas dinheiro, danem-se os Maguilas da vida.
ABC x Bahia
Três pontos e nada de conversa fiada, que não é característica do técnico Givanildo Oliveira, discreto e eficiente. O ABC tem que vencer o Bahia para não precisar buscar três pontos fora de casa, o que é muito complicado.
Ritmo
O jogo de amanhã no Frasqueirão, embora a torcida esteja pressionando e reclamando de algumas contratações, deve ser de boa estratégia. A torcida não pode deixar o time intranquilo e os 11 precisam tentar matar o Bahia, tinhoso que só acarajé condimentado, logo no primeiro tempo.
ASA
Lá vai o América enfrentar o ASA. Com o técnico Leandro Campos e uma batalhão de ex-jogadores do ABC. O América sentiu que recuar além da conta representa castigo. COmo fazia o ABC no Estadual e o América liquidava a fatura jogando para a frente.
No meio
RIcardo Baiano, Fabinho, Jérson e, aí a dúvida. Cascata, se jogar, tem que ser no meio-campo. Será, na verdade, sua estreia na Copa Nordeste
Alecrim
E o Verdão? Imagino a dor de cabeça dos batalhadores da FERA. Gosto demais do Alecrim por Normando, Chcio, Pastel e os Macedos falecidos. É o segundo time de todo mundo. Contratou um centroavante uruguaio com prenome inglês, Maureen Franco. Tudo no Alecrim é britânico. Está faltando é molho no time. Pode até ser inglês.
Caiu o chato
Marcos Sorato(Pipoca), aquele chato de galocha que perseguia Falcão na seleção brasileira de futebol de salão, caiu. Quis usar a mesma tática que alguns secretários desavidados aplicavam no governador Aluizio Alves: “Governador estou pensando em sair(tudo mentira).”Aluizio matava o assunto: O que é que você acha de fulano para o seu lugar?” E demitia. Sabia mandar.
Ney Pereira
Pipoca virou torreiro e o seu substituto é o gente boa Ney Pereira, da Velha Guarda, revelador de grandes jogadores. Chamou para auxiliá-lo um gënio: Manoel Tobias, o terceiro melhor do mundo. Primeiro sempre Falcão, depois Jackson(1982/1985), aí vem Manoel Tobias.
Felipe Alves
Quanta falta faz ao ABC.


