Mais de 163 meninas foram estupradas no RN em 2013 nos registros da Polícia Civil

Em 54% dos casos, os crimes foram cometidos em casa por pessoas da própria família da vítima

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Diego Hervani

Repórter

Nessa quinta-feira, O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), divulgou o resultado de uma pesquisa que fez o balanço nacional dos casos de estupros. Segundo os dados, 70% dos cerca de 527 mil casos registrados todos os anos no Brasil acontecem com crianças e adolescentes. No Rio Grande do Norte, os estupros contra menores de idade passaram dos 160.

De acordo com o delegado Reginaldo Pereira, titular da Delegacia Especializada de Atendimento ao Adolescente (DCA), no ano de 2013 mais de 163 crianças ou adolescentes foram vítimas de estupro. Em sua maioria os abusos foram causados por pessoas da própria família. “De acordo com os nossos levantamentos, 54% dos casos são de pessoas da própria família dos menores. Já tivemos casos em que o estupro foi feito pelo pai, padrasto, tio, primo e até mesmo o irmão mais velho”, afirmou Reginaldo, que ainda lembrou que nos dados de 2013 não foram contabilizados os meses de novembro e dezembro, já que na época os policiais estavam em greve. O município que mais casos aconteceram no RN foi em Natal, com 111 ocorrências, com a Zona Norte apresentando o maior número de abusos, com 48.

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Reginaldo também confirmou que, desde que a DCA foi criada em 2001, o número de denúncias tem aumentado a cada ano. “Sem uma delegacia especializada, as pessoas não buscavam a polícia para denunciar, pois os policiais que faziam o atendimento não eram especializados naquele assunto e muitas vezes não resolviam os casos”, explicou.

Para tentar diminuir o número de casos de abuso contra menores, a DCA busca fazer um trabalho rápido quando qualquer tipo de denúncia é feita. “É muito importante conseguir analisar o material da cena onde supostamente ocorreu o estupro. Por isso as primeiras horas são importantes, pois podemos pegar manchas no corpo das vítimas, até mesmo o esperma do acusado para fazer uma comparação. O importante é a população denunciar, pois estamos aqui para fazer as investigações necessárias”, afirmou Reginaldo Pereira.

Sem saber precisar a quantidade exata, o delegado lembrou que em mais de 95% das denúncias de estupros acabam com o suspeito sendo preso. Além disso, quando chegam na prisão eles precisam ser colocados em locais com a menor quantidade possível de detentos.

“Os presídios são formados por pessoas que cometeram diversos crimes. Porém, mesmo eles sendo criminosos, muitos ainda apresentam alguns princípios. Eles não aceitam qualquer tipo de estupro, muito menos quando é feito contra mulheres e menores de idade. Quando os estupradores chegam ao presídio, eles sofrem, os outros detentos não perdoam mesmo. Já tivemos casos de morte por causa disso. Então é preciso tomar cautela com isso, em onde colocar os presos por estupro”.

“As consequências, em termos psicológicos, para esses garotos e garotas são devastadoras, uma vez que o processo de formação da autoestima – que se dá exatamente nessa fase – estará comprometido, ocasionando inúmeras vicissitudes nos relacionamentos sociais desses indivíduos”, aponta a pesquisa do Ipea, que é assinada pelo diretor de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia, Daniel Cerqueira, que fez a apresentação, e pelo técnico de Planejamento e Pesquisa Danilo Santa Cruz Coelho.

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Campanha contra os abusos

Além dos números de estupros, a pesquisa do Ipea também trouxe um dado que causou revolta entre as mulheres. De acordo com os números, 65% dos brasileiros acham que as mulheres que andam de roupa curta merecem ser estupradas. Com isso, as mulheres de todo o Brasil estão sendo convidadas, pelo Facebook, a participar, durante toda esta sexta-feira (28), de um protesto online chamado “Eu não mereço ser estuprada”.

Uma das organizadoras da campanha convoca as outras mulheres dessa forma: “Você não concorda com isso? Nem eu! Então bora mostrar o corpo pra mostrar o quão revoltadas estamos? A ideia é que a gente tire a roupa e se fotografe, da cintura para cima, com um cartaz tampando os seios com os dizeres “Eu também não mereço ser estuprada” e postemos, todas juntas, ao mesmo tempo, online. Quem tá dentro?”. Além disso, a hashtag: #EuNãoMereçoSerEstuprada também foi criada para acompanhar o movimento.

As organizadoras também pedem para que as mulheres que não se sintam à vontade em tirar a foto de topless, que se fotografem de outras formas. “Pode postar uma foto como quiser (de burca, de roupa de futebol, de biquíni, sei lá) e os dizeres “Eu não Mereço Ser estuprada”. O que importa é que nós, como mulheres, demonstremos como ninguém é dono do nosso corpo além de nós mesmas”.

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