Mal chegaram as chuvas e Natal já apresenta quatro áreas com risco alto de deslizamento

Chuva de mais de 100 milímetros causou transtornos nas quatro regiões da capital potiguar

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Roberto Campello

Roberto_campello1@yahoo.com.br

A manhã desta sexta-feira (14) foi de pouca chuva, mas o natalense ainda estava contabilizando as perdas e os prejuízos causados pelas fortes chuvas que caíram na capital potiguar durante esta quinta-feira (13). Alagamentos, risco de desabamentos e crateras abertas em via pública. Além disso, quatro áreas da cidade apresentam alto risco de deslizamento: Mãe Luiza, Jacó, Cidade Nova e Paço da Pátria, onde já foi constatado na manhã de hoje que há uma área que representa perigo às famílias na região próxima a linha férrea, na rua Ocidental de Cima. Todas as áreas estão sendo monitoradas diariamente pela Defesa Civil de Natal.

O diretor do Departamento de Defesa Civil de Natal, Cabo Jeoás Santos, explicou que, se necessário, os 30 agentes de Defesa Civil, que atuam em escala de plantão, entrarão em campo, na tentativa de prestar o melhor serviço para a população de Natal. “A missão da Defesa Civil é fazer o monitoramento dessas áreas de risco e, em caso de alguns desastres, prestar apoio à população de Natal. Alagamentos que acontecem nas vias que causam transtorno ao trânsito não está dentro das atuações da Defesa Civil. Atendemos os casos que tragam risco para a população”, destacou o cabo Jeoas Santos.

Nesta quinta-feira (13), foram registradas 17 ocorrências, sendo sete referentes a inundações nas zonas Norte e Leste. Somente em um caso foi necessário o resgate à família, que ficou ‘ilhada’ em casa inundada em Lagoa Nova.

Avenida Cap. Mor Gouveia
Moradores se deslocaram com bote na Avenida Cap. Mor Gouveia. Foto: José Aldeia

Com a chegada do período chuvoso, a situação das áreas de Mãe Luiza, comunidade do Jacó, Paço da Pátria e Cidade Nova, que já vivem em constante risco de deslizamento, piora. “Esse risco já é considerável e estamos orientando a população a ficar em alerta constante. Havendo qualquer precipitação de deslizamento ou de transbordamento de rio ou lagoa, essa população que vive nessas áreas de risco deve comunicar imediatamente a Defesa Civil e qualquer desmoronamento de massa, por menor que seja, já deve deixar a sua residência, evitando qualquer tipo de soterramento”, afirmou o diretor do Departamento da Defesa Civil de Natal.

Chuva abriu cratera na avenida João Medeiros Filho, em Igapó. Foto: José Aldenir
Chuva abriu cratera na avenida João Medeiros Filho, em Igapó. Foto: José Aldenir

Alagamento

Há décadas, a chuva em Natal causa enormes prejuízos à população. Para quem mora ou trabalha nas proximidades do cruzamento da Avenida Capitão-Mor Gouveia com a Rua São João, a situação é uma das piores da cidade. Na manhã de hoje, apesar da chuva fraca, formou-se uma lagoa na via pública e mesmo a máquina utilizada para bombear a água não foi suficiente para diminuir o nível da água. Para transitar pela via, os comerciantes improvisaram e estavam utilizando um bote inflável como transporte.

No encontro das ruas Carnaúbas dos Dantas com a Lucrécia, a situação também era crítica. O nível da água subiu ao ponto de invadir as casas. A marca da água nas paredes da casa demonstra que o nível da água já chegou a ultrapassar um metro de altura. O aposentado José de Anchieta tem um imóvel fechado há mais de quatro anos na Rua Lucrécia e conta que não consegue vender ou alugar em função dos problemas de alagamento. “Desde 1988 que tenho essa casa e a situação é a mesma. Saímos no prejuízo e ninguém faz nada, sequer mandam uma bomba para retirar a água”, disse o morador.

Vários pontos de alagamento também foram formados na Avenida Jaguarari. Foto: José Aldenir
Vários pontos de alagamento também foram formados na Avenida Jaguarari. Foto: José Aldenir

No cruzamento das avenidas Jaguarari com a Jerônimo Câmara, a situação era semelhante. O alto nível de água impedia o trânsito de veículos pequenos. No entanto, caminhões e ônibus conseguiam passar pelas águas, jogando parte da água para dentro das residências e estabelecimentos comerciais. Revoltados com a situação, moradores e comerciantes queimaram pneus em protesto contra o acúmulo de água e cobraram providências urgentes em relação à drenagem da área.

Cratera

Os motoristas que trafegam da zona Norte com destino à ponte de Igapó através da avenida João Medeiros Filho enfrentaram problemas na manhã desta sexta-feira (14). Uma cratera de aproximadamente cinco metros de diâmetro se abriu na via, antes do túnel que dá acesso à avenida Tomaz Landim. Duas das três faixas da avenida estão fechadas.

Desde as primeiras horas da manhã, policiais militares do CPRE estão orientando os motoristas, isolando a área da cratera. O trânsito está lendo e, com a continuidade das chuvas, os policiais não descartam que o buraco fique ainda maior. Os motoristas que saem da zona Norte com destino ao centro e zona Sul de Natal, passando pela João Medeiros Filho, podem optar pelo sentido contrário da via, que dá acesso à ponte Newton Navarro e está com tráfego normal.

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