Mandrake e Copinha
Vai começar amanhã a Copa São Paulo de futebol júnior. No longe dos tempos, filé de esperanças. Hoje, filão aberto a finórios nascido para em enriquecer sem escrúpulos com o futebol. E a patota, o PCC de terno de gravata, pode meter a faca que a carne é fraca: São 100 clubes na disputa. Muito mais menino do que em shows da Xuxa e em antigos filmes dos Trapalhões.
ABC e América fazem parte da Copinha. Viajam mais para colocar “na vitrine”, sua matéria-prima e conseguir vender um ou dois jogadores do que para chegar bem na classificação ou mesmo observar, nos ditos grandes, alguém que não esteja para ser aproveitado entre os titulares mas tenha bola para ajudar no Campeonato Estadual e no Nordestão.
A Copa São Paulo seria uma maravilha para o finado milionário João Paulo Birman, um cretino em estágio insuportável. Birman, que se deu bem(eles sempre se acertam) em todo tipo de falcatrua, meteu-se no futebol e a ele dirigiu os dutos de sua lavanderia de dinheiro. Foi assassinado.
Birman é o vilão e a vítima de dois ótimos episódios de Mandrake, produzidos pelo canal de tevê paga HBO e inspirados na obra do escritor, roteirista, contista e mais dez posições que só polivalente joga, Rubem Fonseca, o recluso. Seu herói é o detetive Mandrake, vivido pelo ator Marcos Palmeira.
Mandrake, que encontra-se nos livros a interessar a pouca gente. Um advogado criminalista malandro, sedutor e viciado na profissão um pouco menos do que em sexo.
Cabe a Mandrake descobriu quem matou João Paulo Birman, interpretado pelo veterano Carlos Alberto Riccelli, campeão brasileiro hors-concours de bom gosto. É marido há três décadas da atriz e teatróloga Bruna Lombardi, um monumento em desafio às magrelas ou popozudas subcelebridas de Big Brother Bial.
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Quando tem o primeiro contato com Birman, Mandrake não precisa de mais de quatro segundos para compreender que está diante de um canalha construído talvez por Hitler , embora nem Hitler , desconfiam alguns historiadores, tenha usado seu veneno para a ilustração de alguém tão perfeito desprezível.
O negócio de Birman é vender um lateral-direito para o exterior e ele conta com os préstimos subalternos de um quase-genro e advogado, a quem cabe subornar repórteres para conseguir cada vez mais espaços na mídia para o jovem jogador.
Também seduz, com prostitutas e farras homéricas, dirigentes estrangeiros e agentes da FIFA em viagens com tudo pago ao Brasil. Birman morre e não fica sabendo – talvez Riccelli tenha assistido ao capítulo final, que o jogador é negociado por milhões de euros nos quais o personagem, comendo capim pela raiz, jamais porá suas mãos.
A história dá um drible seco no futebol e cai na trama de suspense e investigações com todos, menos Mandrake e o sócio, de suspeitos. Eu também me incluí, tamanha a maldade gratuita de João Paulo Birman.
A Copinha que começa agora nos apresenta autênticas fachadas de time de futebol. No Grupo 1, saudações ao Espigão, de Rondônia. No Grupo F, a Penapolense, do interior de São Paulo, aposta sua caixa registradora no meia Kayque, muito elogiado pelos coleguinhas de lá. Kayque deve pintar em algum time do Leste Europeu.
Monte Azul(primeiro adversário do ABC), Guaicurus, Sumaré, Lideral, RB Brasil(todos os recheios de uma ponte para o exterior), Itaúna e Tocantinópolis são algumas atrações.
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Molecada geralmente vai de ônibus, dorme em beliches e recebe a lavagem psicológica padronizada: “Aí está o sonho de vocês que nós(eles, os espertos), proporcionamos. Joguem o futebol que sabem e o futuro vai apenas começar”.
Os habilidosos, nem tanto, mas os grandões, fortificados por academias, são observados com maior prazer e atenção. Servem para zagueiro e atacante em campeonatos duros de se ver na China,. Coréia do Norte, Austrália ou Uzbequistão.
Assinam procurações que garantem aos seus padrinhos dinheiro para carros de luxo e investidas permanentes em viagens pelo Brasil no restante do ano. É a raiz para o futebol que ostenta Hulk, Fernandinho, Lucas Leiva, Fábio Santos e outros precários.
A Copinha, que todo mundo assiste porque é impossível viver sem futebol e sexo, ainda que ruins, revelou quando, laboratório e celeiro, craques verdadeiros: Falcão, Carlos Alberto Pintinho, Enéas, Toninho Cerezo, Edinho, Arthurzinho, Mário, Raí, Romário, Cafu, Djalminha, Marcelinho Carioca, Dida e, mais recentemente, Lucas, Neymar e o formoso Kaká.
Dentre todos, o mais reluzente, imprevisível, rebelde, inquieto, aquele que se fez e foi de repente, o Augusto dos Anjos da bola, Denner, revelado numa Portuguesa(SP) que jogava como o samba paulistano de Adoniran Barbosa, Paulinho Vanzolini e os Demônios da Garoa. Radioso em 1991, Denner foi apagado pela morte quando jogava no Vasco em abril de 1994.
Escapou dos zagueiros, não viveu para enfrentar empresários da escória de um cada vez mais real João Paulo Birman. Achava o drible mais bonito que o gol. Um cinto de segurança o degolou ao nascer do sol da Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro. Denner é o espírito verdadeiro da Copa São Paulo.
Menos um
O ABC tem menos um problema para a estreia contra o Ceará na Copa do Nordeste dia 19 de janeiro no Presidente Vargas em Fortaleza. A torcida do Vovô está em prantos pela saída do atacante Mota, artilheiro de 2012 com 27 gols. Ele não aceitou a proposta do Ceará que contratou Valdeir, do Criciúma, para o seu lugar.
Dupla
Cascata deve jogar adiantado no América, fazendo dupla com Rico. Do jeito que era com Leandrão no ABC em 2010.
Mazurka
Depois do drible que levou de Pelé(deu de um lado para pegar de outro) e fazer uma defesa sensacional após um chute de primeira do Rei na semifinal Brasil 3×1 Uruguai em 1970, o goleiro Ladislao Mazurkiewicz virou lenda. Morreu ontem, aos 67 anos, de problemas respiratórios e renais.
Em Natal
No dia 24 de setembro de 1972, Mazurkiewicz, pelo Atlético(MG), enfrentou e venceu o ABC no Estádio Castelão(Machadão). Foi 2×1 com Petinha marcando para o ABC, Dario e Romeu virando para o Galo, com 21. 450 pagantes.
Times
O Atlético(MG): Mazurkiewicz; Zé Maria, Fernandes, Vantuir e Cláudio(Odair); Vanderlei, Oldair(Humberto Ramos) e China; Guerino, Dario e Romeu. ABC: Tião; Sabará, Edson, Quelé e Anchieta; Nilson Andrade, Maranhão e Alberi; Libânio, Petinha(Everaldo) e Soares.


