Manifestação tímida do Sinmed não atrai profissionais da categoria

Evento foi alusivo ao Dia Nacional de Advertência e Protesto aos Planos de Saúde

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Durante todo o dia de hoje, 7 de abril, quando se comemora o Dia Mundial da Saúde, entidades médicas de todo o país também organizam o Dia Nacional de Advertência e Protesto aos Planos de Saúde. A data está sendo marcada por atos públicos contra os problemas que afetam o setor suplementar de saúde e deverá ainda convergir com o início das mobilizações da categoria no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), também previsto para abril.

Em Natal, no entanto, o Dia Mundial da Saúde passou despercebido. O Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed-RN) programou um ato público na Praça Sete de Setembro, em frente à Assembleia Legislativa, para às 10h. O protesto começou com mais de uma hora de atraso, e contou com a presença de apenas duas médicas, além do presidente do Sindicato, o médico Geraldo Ferreira.

Mesmo com a baixa adesão da categoria médica ao protesto, a tenda permanecerá montada na Praça durante todo o dia, a fim de receber a população que deseje se informar a respeito da situação da saúde no Rio Grande do Norte, com distribuição de revistas e informativos sobre o tema. O presidente do Sindicato, Geraldo Ferreira, acredita que a baixa adesão da manifestação se deve, entre outros motivos, a se tratar de uma causa genérica. “Precisamos ter uma pauta especifica para conseguir mobilizar mais e melhor”, disse.

“Muita das dificuldades de avanço nas negociações com os gestores se deve pela resistência em paralisar os atendimentos. Se nós efetivamente paralisássemos os atendimentos nós teríamos uma forma de negociação mais rápida. Mas por outro lado, isso gera um desconforto para o profissional”, destacou o presidente do Sindicato, Geraldo Ferreira.

Para o presidente do Sindicato dos Médicos do RN é necessário entender saúde como prioridade para as gestões públicas. “Esperamos que nos processos eleitorais, a população entenda a responsabilidade. Esse alerta é para a importância que o Governo tem que dar e a população perceber que é a sua voz que vai provocar melhoria da assistência”, afirmou Geraldo Ferreira.

“Saúde é um direito garantido pela constituição, no entanto, sucessivos governos vêm falhando no oferecimento. Além de tudo, vivemos uma crise mundial em relação a saúde. Por mais que tenhamos melhoria em alguns setores, temos uma crise grande em abastecimento de água, no meio ambiente, um desmatamento significativo com riscos de doenças provocadas pelo ar e pela água. Esse dia nos alerta para compreendermos que a saúde é muito amplo, e envolve desde a área de assistência, como cuidar do meio ambiente”, destacou o presidente do Sindicato dos Médicos.

Em relação ao Dia Nacional de Advertência e Protesto aos Planos de Saúde, no Rio Grande do Norte, explica Geraldo Ferreira que não houve o sentimento nos médicos de especialidades para a paralisação no dia de hoje. “Essa manifestação de hoje é uma cobrança por medidas preventivas, por cuidados gerais, mas também na parte assistencial. Por que hoje, inegavelmente, nos temos um drama instalado na assistência, quer seja pública ou privada. Há na parte dos planos de saúde uma dificuldade grande de cumprir seus compromissos com os usuários”, alerta Geraldo Ferreira.

REIVINDICAÇÕES

Além de reivindicarem a recomposição de honorários, as entidades médicas defendem o fim da intervenção antiética das operadoras na autonomia profissional e a readequação da rede credenciada, para que seja garantido o acesso pleno e digno dos pacientes à assistência contratada. A saúde suplementar cresce cerca 4% ao ano em quantidade de beneficiários e, por isso, é preciso ter sua rede credenciada ampliada e seus prestadores de serviço valorizados.

Será o quarto ano consecutivo em que os médicos se mobilizam em prol de melhorias no setor. Desta vez, a categoria definiu quatro itens de reivindicação que exprimem o histórico de lutas das entidades médicas. Além do reajuste adequado dos valores das consultas e procedimentos – tendo como referência a Classificação Brasileira de Honorários e Procedimentos Médicos (CBHPM) em vigor -, a classe cobra da ANS uma nova contratualização e hierarquização dos procedimentos médicos baseadas nas propostas das entidades médicas nacionais apresentadas desde abril de 2012. O fim da intervenção antiética dos planos de saúde na autonomia da relação médico-paciente e a readequação da rede credenciada também serão bandeiras da mobilização.

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