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Marcado pelas lesões

Data: 08 janeiro 2013 - Hora: 17:45 - Por: Gabriel Negreiros

Alguns jogadores ficam marcados em suas trajetórias pelo grande número de lesões que carregam durante a carreira. Não precisa se esforçar muito para lembrar de alguns nomes que poderiam ter sido sucesso absoluto e ficaram estagnados por conviver mais tempo no departamento médico do que no campo de jogo. Antigamente, um jogador com problemas no joelho estava praticamente eliminado do futebol. Um dos maiores exemplos disso é Reinaldo, que jogou pelo Atlético Mineiro e seleção brasileira. Eleito praticamente por unanimidade um dos maiores atacantes do futebol nacional. Sem tanto brilho, mas com a mesma saga de lesões eu lembro bem de Pedrinho, do Vasco e Palmeiras. Meia de muita habilidade e visão de jogo, mas que foi perseguido de perto pelos problemas médicos. Ganhou até o apelido de “Podrinho”, que é ridículo se pensarmos no tamanho do sofrimento para um atleta passar sua vida lutando contra esses obstáculos. Ronaldo Fenômeno é outro, porém de uma forma diferente. Ele conseguiu vencer lesões inacreditáveis e brilhar nos momentos mais cruciais, se transformando em uma das grandes lendas do futebol.

Eu citei nomes bem conhecidos do futebol nacional e que de certa forma, mesmo com as lesões, conseguiram fazer do futebol seu meio de vida, de reconhecimento e até de fortuna. E quantos jogadores não ficaram perdidos pelo meio do caminho devido a um tratamento mal elaborado ou simplesmente por treinar em clubes que não oferecem a mínima condição estrutural para atender seus atletas? É uma conta praticamente impossível de fazer.

No Rio Grande do Norte alguns exemplos são bem específicos. Souza, ex-América, Corinthians, São Paulo, Flamengo e Seleção Brasileira, teria ido muito mais longe se as lesões não o fizesse se retirar tão cedo do futebol e o perseguido em momentos tão significativos. Wallyson, que hoje deve assinar com o São Paulo, mas que passou pelo ABC e Cruzeiro, também sofre desse mal. Sempre que está em pleno desenvolvimento, surge um problema sério. Mais recentemente, após ser artilheiro da Libertadores e ter diversos clubes o sondando, foi o tornozelo que o deixou na mão. O que dizer então do galego Sandro, que saiu do ABC para o Cruzeiro, brilhou, e as lesões depois o fizeram peregrinar por diversos times. É mais um caso simbólico. Jean Carioca, que hoje veste novamente a camisa do ABC e que é destaque nesta página de hoje, é um exemplo bem claro do assunto. Jean tem apenas 24 anos e talvez tenha passado mais tempo no departamento médico do que em campo. Alguns jogadores são mais propícios a isso. Genética? É uma das explicações. Meu pai, que era doutor em bioquímica, dizia sempre que a subnutrição na infância, em vários casos, poderia ser uma das principais explicações, afinal, grande parte dos jogadores são oriundos da pobreza. Em alguns casos passaram fome e não tiveram a estrutura corporal bem formada.

Há também o inverso. Jogadores que praticamente não se lesionam. E vou citar três atletas que hoje estão praticamente no topo do futebol mundial. Lionel Messi, quatro vezes eleito o melhor do mundo, por exemplo. Eu só o vi deixar o campo lesionado uma única vez e foi até recente. Logo voltou aos gramados sem maiores problemas. Cristiano Ronaldo, eterno vice de Messi, também dificilmente deixa o campo por ter alguma lesão. Eu não consigo lembrar de nenhuma grave. Neymar, é outro exemplo. Quantas vezes, apesar de apanhar o tempo inteiro, você viu o jogador santista ser retirado do campo ou do treinamento por uma lesão? Também não consigo recordar.

Estar lesionado, para um jogador de futebol, representa o mesmo que um jornalista sem caneta ou computador. Que um médico sem bisturi ou com as mãos trêmulas. Que um engenheiro sem a planta ou impossibilitado de calcular. Um professor sem alunos. Por isso meu respeito aos jogadores que batalham muito para poder exercer sua profissão, mas que são retirados de campo por algo que geralmente é mais forte que eles.

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