MARCOS SALDANHA; CUM PERDÃO DA PALAVRA…

Já dizia o saudosíssimo Nelson Gonçalves, numa das suas canções inesquecíveis: - Sei que amanhã, quando eu morrer;/ os meus…

Já dizia o saudosíssimo Nelson Gonçalves, numa das suas canções inesquecíveis:
- Sei que amanhã, quando eu morrer;/ os meus amigos vão dizer,/ qui eu tinha bom coração./ Alguns até irão chorar/ e querer me homenagear;/ fazendo de ouro, um violão./ Mas, depois que o tempo passar,/ sei que ninguém vai se lembrar,/ que eu fui embora./ Por isso é que eu canto assim:/ Que quem quiser fazer por mim;/ que faça, agora…
Razões sobradas, tinha o maravilhoso artista que viveu entre nós e a todos encantou… É seguindo os conselhos dele, Saldanha; que eu repito essa homenagem que já lhe fiz alguns anos atrás, aqui mesmo no Cantinho do Zé Povo… Num vale chorar; “só se fô de tanto surrí”… E apôis ?!… Prá cumêço de cunversa, refresco a memora de Vossa Insolença e de Enildo Alves, qui sigundo você mêrmo; foi quem lhe ajudô junto cum uma ruma de cabra sem futuro, a inchê uma “latra de querozene JACARÉ”, de mijo; e derramaro in riba de um carro de num sei quem; se era de um professo ô de um colega de turma… Mais isso aí, meu fíi; foi o de menos… E no finá do ano, quando nóis terminemo o terceiro científico; era assim que na época se chamava o terceiro ano do segundo grau;  tu s’alembra do “c… de burro” qui deu, adispôi daquela dispidida qui a mundiça invento de inventá de fazê na Casa Duis Irmãos, lá in Ponta Negra ? Eu, puro menos; m’alembro cuma se fosse hoje, da aula da sodade da gente, naquela mêrma sala qui uma porta dava p’rú jardim e a ôta dava prá iscadinha de lado da quadra de cimento, adonde ficava o sino qui tocava p’rú recreio… Pois bem!… P’rá fechá cum chave de ôro; tu chegô atrasado, cum teu óculos incunfundíve; uma camisa sócia e “uma porra d’uma gravata de laço”… Isso, sem contá cum a tua “cara de rapariga, daquela mais fulêra qui pudesse inzistí naquele tempo”; tipo quenga qui se ofiricia a tôdo mundo… Isso, izatamente quando tava junto uis Irmão Júlio e André Parisotto (qui eles têja lá do ôto lado cum ais ôiça bem tapada mode num uví o qui nóis tamo falando deles…); justamente recramando da fulerage feita na casa de Ponta Negra, qui na época era tão longe qui se veraneava lá… Tu fosse entrando e dizendo de arto e bom som:
- Desculpem; chegando atrasado e entrando sem pedir licença, que é a nossa última aula aqui; e aproveitando prá dizer que não tenho nada a ver com essa confusão…
Foi a gôta d’água qui isborrotô o açude! Irmão André, qui tinha uma prótese de “ôi de vrido” e qui sufria cum Sid Fonseca quando êsse tava do lado do ôi cego; se virando um pôquíin p’rú teu lado; isbravêjô:
- Marcos Saldanha, você era o mais nojento de todos que estavam lá!…
Aí, meu fíi; eu inventei de me metê na “carrumbamba”:
- Era não; Irmão André; o mais nojento era “TIM”, ( e usando a minha verve matuta, já aflorada…) qui tava butando cinco fariseu mode isfolá um judeu; e obrigando êle a vomitá; aquilo qui num cumeu…
Foi quando Irmão Júlio pegô o apagadô e jogô in n’eu cum tôda fôrça, qui eu me abaixei e o bicho fêiz um rombo na parede… Naquele tempo, fora ais cachaça duis mais véio, num inzistia ôtas droga; prá se falá in maconha, era p’rú debaixo de sete capa; e munto baixo, por sinal. A gente era feliz… E sabia!… Intonce, Dr. Marcos Saldanha; saiba qui eu, Bob Motta, O Poeta Matuto Cum Nome de Americano; tenho um orgúio munto grande in pudê lhe chamá de AMIGO!…

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