Marina de Dirceu – Alex Medeiros

Quando Luiz Inácio venceu as eleições de 2002, superando enfim o trauma de duas derrotas seguidas para FHC, sem falar…

Quando Luiz Inácio venceu as eleições de 2002, superando enfim o trauma de duas derrotas seguidas para FHC, sem falar quando perdeu o segundo turno de 1989 para Fernando Collor, dois nomes se destacaram no time que ele escalou para o Planalto.

Entregou a Casa Civil para o mentor intelectual da sua chegada ao poder, Zé Dirceu, o cara que já havia fortalecido o PT em todo o Brasil. E deu sua própria caneta para Marina Silva assinar o termo de posse como sua ministra do Meio Ambiente.

No histórico dia da vitória, acompanhando a apuração dos votos num hotel de luxo em São Paulo, Lula recebeu beijos e abraços de todos e fez questão de dar um abraço em Dirceu. A foto de Marina com sua caneta rodou o mundo em manchetes ecológicas.

No roteiro de tomada do poder traçado no partido, que contou com os préstimos de Duda Mendonça para quebrar preceitos radicais, Lula seria naturalmente sucedido por Dirceu. Mas, no meio do caminho tinha uma pedra em forma de Roberto Jefferson.

O mensalão acabou com as chances do Zé e gerou uma enxurrada de deslizes morais e criminais que derrubaram também Antônio Palocci, segundo na linha sucessória partidária. Nesse ínterim, a crise interna espantou a recatada evangélica Marina Silva.

Dilma Rousseff, uma reles ex-funcionária pública em Porto Alegre, galgada ao emprego pelas mãos de um marido petista que a apresentou depois ao PDT, apareceu na manga do paletó de Lula e se tornou de repente um capataz de tailleur no cercado do governo.

Antes de saltar da pasta das Minas e Energia para a Casa Civil, herdando poderes partidários que foram de Dirceu e Palocci, Dilma peitou Marina e lhe cortou as asas que ao lado de Lula pareciam crescer a cada instante. O PT ficou com a mulher do PDT.

Durante o processo de julgamento do mensalão, Zé Dirceu deixou bem claro que a traição batia-lhe a porta, resmungando para amigos íntimos e insinuando em artigos no seu blog. Marina, por sua vez, pediu o boné no ministério e caiu fora do partido.

Com Palocci retomando sua vidinha provinciana, Marina boiando em busca de um porto partidário e Dirceu eleito inimigo público da pátria, Dilma tornou-se a Joana D’arc de Lula e da militância. Ganhou a eleição e viu a lojinha de 1,99 tornar-se um país inteiro.

Do julgamento à prisão, Dirceu nunca escondeu suas suspeitas de abandono por Lula e Dilma, enquanto Marina se tornou alvo da ira fundamentalista dos petistas, agora apaixonadamente cegos pela “presidenta dura”, a distribuidora de dentes e cartões.

Mas o Brasil é um lugar diferente e estranho, cheio de particularidades e paradoxos. Só aqui, um político cai de avião para fazer outro decolar. Vide os casos de Castelo Branco, Marcos Freire, Ulysses Guimarães… Eis que agora Marina é o calo de Dilma.

E lá na sua cela do presídio, exercitando seu talento e pensamento num blog, como uma versão terceiro milênio do poeta Tomaz Antônio Gonzaga escrevendo versos na masmorra, Zé Dirceu sonha com o troco e sua moeda tem um nome: Marina Silva.

O primeiro recado entre os íntimos é prognosticar a iminente derrota de Dilma e ainda fazer uma provocação com elogios à adversária, dizendo que “Marina é um Lula de saias”. Os fatos estão registrados no blog do jornalista Fernando Rodrigues, da Folha.

Alquebrado no orgulho, mas não na alma, como atestam seus seguidores que o olham como um herói martirizado, Dirceu tem motivos concretos para enaltecer Marina numa resposta ao que vem sentindo há dois anos, quando alertou sobre seu abandono.

Vai mandar recados, como fazia Dirceu com a musa Marília. Suas palavras remetem ao vate inconfidente no verso “Já não cinjo de louro a minha testa; Nem sonoras canções o Deus me inspira: Ah! que nem me resta, uma já quebrada, mal sonora Lira!”

Quando compara Marina a Lula, atinge a vaidade dilmista e se reaproxima à distância da ex-companheira de partido e governo. É Dirceu cantando Marília, ou Marina: “Oh! quanto são duráveis as cadeias / de uma amizade, quando / se dão iguais ideias! / se apesar dos estorvos se sustinha / nossa união sincera / foi por ser a minha alma igual à tua / e a tua igual à minha.” (AM)

Debate

Finalmente houve um ensaio de debate entre os candidatos a governador do RN, mas não no campo das propostas e sim das acusações. Robinson Faria e Henrique Alves trocaram gentilezas, algumas muito duras, que pode arranhar a amizade pessoal.

Acordão

Robinson sabe que a múltipla aliança do PMDB gerou uma palavra maldita aos ouvidos do eleitorado, principalmente a fatia mais barulhenta que forma opinião. Henrique rebate acusando o vice de ter conversado várias vezes com ele para fazer parte.

De longe

Pelas redes sociais, o deputado federal Fábio Faria tem sido ainda mais agressivo do que o pai candidato e vem batendo duro no acordão, com palavras duras diretamente dirigidas a Henrique, de quem é colega na composição da mesa diretora da Câmara.

Marina e Wilma

A onda Marina poderá ser a salvação da lavoura para Wilma de Faria na corrida ao Senado contra Fátima Bezerra (PT). A presença da candidata a presidente no guia da TV de Wilma deverá suprir a ausência de votos dos chamados bacuraus do PMDB.

Bacuraus

Antes das convenções, Henrique Alves declarou no Portal No Ar que não aceitaria o voto dos militantes do PMDB se não fosse casado com Wilma. Há sinais claros que os mais radicais, os bacuraus, resistem em atender ao pedido do candidato ao governo.

Panfletário

O candidato Robério Paulino (Psol) continua usando do discurso como palmatória do mundo e esquecendo de apresentar propostas palpáveis e objetivas. Tem sido um craque na retórica e na verborragia do oito, quando bate em todos e não consegue concluir.

Cães de aluguel

Já era visível a ação de blogueiros, tuiteiros e piadistas postando mensagens de críticas a um candidato para favorecer outro, devidamente contratados para o papel. Mas não basta se vender, tem que publicar quantas curtidas ou retweets obteve a encomenda.

Jingle a galope

A paródia gravada e produzida pelo cantor Alcymar Monteiro para a canção “Cometa Mambembe” tem sido, disparadamente, o melhor jingle da atual campanha e tem tido grande efeito em favor de Robinson Faria. Não à toa, gerou reações do adversário.

Vídeo

A prática dos “mavs” e robôs petistas na internet é mais manjada do que os dribles do Robinho e as entrevistas de políticos nas rádios locais. Risível editar um vídeo com Lula pedindo votos em Marina e depois latir e grunhir como sendo o PT a única vítima.

Rio de Janeiro

Os ratos esquerdistas indignados com a escolha de Dilma Rousseff no Rio, ao posar com Anthony Garotinho num restaurante de pratos a R$ 1,00. A mais infantil verdade, é que a “presidenta dura” optou por um garotinho no lugar de um moleque. Só isso.

A rainha nua

Os produtores do seriado “Game of Thrones” rodarão na cidade croata de Dubrovnik uma cena em que a rainha Cersei, interpretada pela atriz inglesa Lena Headey, entra nua na igreja católica de São Nicolau e depois vai ao palácio renascentista de Sponza. A filmagem contraria a proibição dos bispos locais, mas foi aceita pelos políticos que enxergam marketing turístico para a cidade. A produção vai encenar noutro lugar o ambiente da igreja, irritando os católicos.

Compartilhar: