Matemática tem a vida transformada após ingressar no serviço secreto britânico

“Serena”, de Ian McEwan, conta a história incrível de uma jovem espiã do serviço secreto britânico

Conrado Carlos
Editor de Cultura

Depois dos aclamados “Amsterdã” (1998) e “Reparação” (2001), Ian McEwan tirou o pé do acelerador, ainda que tenha mantido a quinta marcha engatada, em “Sábado” (2006) e “Solar” (2010).  Um dos principais autores em língua inglesa das últimas décadas, ele atingiu àquela meta que todo romancista deseja, a de poder arriscar formas e temas sem, necessariamente, responder ao desespero do mercado.

Enquanto o Nobel não chega, prêmios diversos preenchem sua estante – como o Booker Prize por “Amsterdã”; da mesma forma que o cinema o consagrou na adaptação de “Reparação” no ótimo filme “Desejo e Reparação”. Por isso, tudo que consta seu nome movimenta editorias culturais. Em “Serena” (Companhia das Letras), ele volta a misturar amor e política em tempos conturbados.

Entre namoros fracassados, leituras do russo Alexander Soljenítsin e a insatisfação com um burocrático curso de matemática em Cambridge, a jovem Serena Frome tem sua vida transformada após o convite para ingressar no Serviço Secreto Britânico, o MI5. Bonita e inteligente, ela tem tudo para executar com louvor uma operação anticomunista.

A ideia é que Serena convença escritores em início de carreira, quando o ganha pão sai de horas passadas em escritórios e salas de aula, a aceitar dinheiro do governo para produzirem panfletos pró-Ocidente de forma subliminar – para saber mais sobre a atuação de russos, britânicos e americanos no choque intelectual travado durante a Guerra Fria, fica dica do livro “Quem Pagou a Conta?”, da jornalista Frances Stonor Saunders.

Eis que Tom Haley é o escolhido. Como de costume em tramas de espionagem que envolvem mulheres sensuais, os dois começam um caso que será o guia da segunda metade da narrativa de McEwan. Serena vive o dilema de enganar o amado, ao mesmo tempo em que usufrui do dinheiro público e esquece o mundo em volta (e de sua verdadeira missão). Sua consciência política é superficial e os arapongas não perdoam – mas Haley está atento.

Se a voz que McEwan emprestou a Serena, uma menina de 23 anos esperta demais para uma operação em um período de surgimento do IRA, é forçada; e o final não apresenta surpresas (com dois terços das páginas percorridas, temos noção do que virá); a fluidez da escrita garante boas doses de diversão. Vale espionar a história de um amor impossível, afinal concretizado?, em meio a disputa internacional pela primazia de uma ideologia.

 

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Voo Rosalba 2014
Saber que a governadora zanzou pra cima e pra baixo no avião do Estado para fazer campanha na quentura de Mossoró, como diz a Justiça, e que atletas potiguares mendigam meia dúzia de passagens aéreas para disputar competições nacionais é de ferver o juízo. O clichê de que esporte e cultura é bom para a juventude fica no VT da campanha e no papel de projetos fantasmas. Depois vem com papo de comprar viaturas e coletes para segurar a carnificina que tem matado mais gente na periferia do que os doidos lá no Iraque.

Voo Rosalba 2014 – II
Outro dia, 100 mil chilenos foram às ruas exigir melhorias no sistema educacional. Com pauta de reivindicações, bem bonitinho, item por item. Poderíamos copiar e reunir uma multidão para cobrar o mesmo, com arte e esporte no mesmo pacote. Ou tem como dissociar uma coisa da outra? Aliás, o que é educar uma pessoa? Será que música, literatura, teatro, atletismo, futebol, natação, etc, estão fora da lista? Porque chamar de educação física o que é oferecido em cimentados (quando tem!) carcomidos é abusar de nossa ingenuidade.

Voo Rosalba 2014 – III
Quem teve o desprazer de pisar nas escolas mais degradas da capital e de cidades do interior sabe que biblioteca é um eufemismo dos mais tristes para descrever uma salinha fuleira com meia dúzia de gibis e livros básicos (Um Machado de Assis aqui, outro Guimarães Rosa li, e estamos conversados), administrada por uma tia que sabe abrir a porta e dizer “tem ou não tem”. Bibliotecário é um palavrão dos mais cabeludos, por aquelas bandas. Quadras poliesportivas, então, contamos nos dedos de uma mão.

Peça
Sucesso nas bilheterias de todo o país, o espetáculo “Minha mãe é uma peça”, estrelado pelo ator Paulo Gustavo, volta a Natal no dia 25 de janeiro e promete repetir o sucesso das últimas apresentações de setembro e outubro de 2012.  A apresentação será no Teatro Riachuelo e já está com ingressos de plateia A esgotados e B prestes a acabar. Portanto, corra para adquirir a entrada na bilheteria do Teatro ou no site Ingresso Rápido www.ingressorapido.com.br.

White Party
Festa das mais badaladas no jet potiguar, a White Party tem nova data para acontecer. Será no próximo dia 17, na Arena Ecomax, em Pirangi. Dentre as atrações confirmadas, o DJ Mario Fischetti e o cantor sertanejo Thiago Farra. Serviço de open bar com uísque Johnny Walker Black Label, Vodka Ciroc, Chandon, Skol Beats Extreme, Red Bull e água mineral garantirá o combustível da noitada cujos ingressos estão à venda nas lojas Graciosa – Natal Shopping, Praia Shopping e Midway Mall.

Salinger
A Intrínseca, editora carioca que publica poucos e bons livros, segundo o próprio slogan, acaba de lançar a esperada biografia de J.D. Salinger, autor de O Apanhador no Campo de Centeio. Após nove anos de pesquisa e mais de 200 entrevistas, o roteirista e diretor Shane Salerno e o escritor David Shields publicaram o retrato vívido de um dos maiores autores do século XX, famoso por sua misantropia e aversão à publicidade, mesmo após o grande sucesso do livro publicado em 1951.

No blog
Você pode escutar a nova música da banda Camarones Orquestra Guitarrística no conradocarlos.jornaldehoje.com.br. A principal expressão do rock instrumental potiguar lançou ontem (03) a faixa “Cat Friend” antes de sair em turnê pelo Nordeste, onde cumprirá treze datas até o final de fevereiro – de Salvador à Mossoró. Para quem aguardava a sequência do ótimo disco O Curioso Caso da Música Invisível (2013), trabalho incluído na lista de melhores do ano de muita gente boa, vale uma conferida.

Mavericks
Terminei de ler “Mavericks: A onda sinistra” (Zahar Editora), do americano Mark Kreidler. Digo que foi um dos livros-reportagens mais legais que li nos últimos tempos. É a história de um pico de ondas gigantes no norte da Califórnia, que virou mítico entre os surfistas. Ele partiu da competição oficial de 2010 para retroceder no tempo até a descoberta do local pelo nativo Jeff Clark, em 1975. Brigas de bastidores entre promotores, surfistas malucos e uma natureza macabra protagonizam a narrativa que ganhará destaque na edição de O Jornal de Hoje da próxima terça-feira (7), pós-feriado.

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