Maternidade Divino Amor está sem realizar ultrassonografia transvaginal

Enfermarias passam por reparos, mas ainda há mofo nos corredores da unidade

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Marcelo Lima

Repórter

Basta passar pela calçada da Maternidade Divino Amor, em Parnamirim, para observar uma série de denúncias do Sindicato dos Servidores da Saúde. Uma dos cartazes fixados na fachada exclama o seguinte: “aparelho de ultra transvaginal quebrado”.

Para Glaúcia Soraya de Araújo, de 36 anos, nem precisa de cartaz para saber disso, porque ela vivencia essa deficiência na pele. Durante os nove meses de gestação, ela nunca conseguiu fazer uma ultrassonografia transvaginal na Maternidade de Parnamirim. “Eu estava fazendo particular porque a demora aqui é muito grande. É tanto que a primeira que eu marquei com dois meses ainda nem fui chamada”, contou.

A assistente administrativo já está prestes a ter o filho, que vai nascer até o dia seis julho. Por todo esse tempo, o seu médico solicitou a transvaginal cinco vezes. Cada exame, segundo ela, teve que ser feito em uma clínica particular por R$ 80,00 cada um. No total, foram gastos R$ 400,00 em razão da ineficiência do poder público.

“É difícil essa situação, mas sei que também tem gente que precisa e não tem como pagar e aí passa os nove meses sem saber como está a criança”, disse a gestante.

De acordo com a diretora técnica da maternidade, Júlia Ferreira, essa é a segunda vez que o aparelho está quebrado desde o ano passado.

Segundo a dirigente técnica, não há uma previsão de quando o equipamento possa voltar a atender as mulheres. “Ele quebrou e está em conserto na semana passada. O tempo que vai passar para consertar depende muito do que foi o problema. Da outra vez demorou 30 dias”, informou.

Conforme a diretora, o defeito ocorreu no aparelho chamado de transdutor que é acoplado ao resto da máquina. É esse aparelho que é introduzido na mulher para visualizar com mais precisão o aparelho reprodutor. “Esse tipo de ultra é mais utilizada no início da gestação e em casos de aborto”, disse.

Dessa forma, outros tipos de ultrassonografias continuam a ser realizadas na unidade de saúde. Júlia Ferreira disse também que há uma licitação para a compra outro transdutor para o procedimento transvaginal.

Estrutura física

Depois das intensas chuvas que caíram sobre a Região Metropolitana de Natal, a maternidade também sofreu com infiltrações nas paredes e a conseqüente aparição de fungos nas paredes. “Mas a gente já está com a equipe de obras da Prefeitura aqui para fazer reparos”, falou a diretora técnica.

Segundo Júlia Ferreira, a unidade de atendimento clínico materno e duas enfermarias alojamento já passaram por reparos. Faltam outras duas enfermarias. Segundo ela, o serviço está sendo feito aos poucos para não afetar fortemente o atendimento da maternidade. A Maternidade do Divino Amor possui 24 leitos. Hoje pela manhã (26), a enfermaria que abriga os leitos de 07 a 12 estava interditada, pois havia passado por pequenos ajustes estruturais recentemente e ainda estava com cheiro de tinta. Apesar do cuidado dentro das enfermarias, ainda é possível observar que algumas paredes dos corredores estavam com sinais de mofo

Sindicato denuncia

Além da falta do aparelho para realizar um procedimento importante do pré-natal, o Sindicado dos Servidores de Saúde também fixou várias outras faixas com denúncias sobre a unidade de saúde: “torneiras quebradas e lâmpadas queimadas”, expunha um dos cartazes na parede; “faltam medicamentos e materiais hospitalares” comunicavam outras faixas e cartazes.

Conforme o sindicato, faltam insumos básicos como álcool 70%, sondas, seringas, agulhas, luvas de látex, máscara cirúrgica e medicamentos. No total, são 62 itens indispensáveis para o funcionamento de uma unidade de saúde. Até mesmo pulseirinhas de identificação de recém-nascidos estavam em falta. Segundo a entidade, foi feito um pedido na semana passada em caráter de emergência.

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