Runco fala da reação de Neymar e dificuldade em contar notícia do corte

José Luiz Runco estava com a Canarinho no pentacampeonato, quando precisou cortar o capitão Emerson da Copa do Mundo antes mesmo do início do torneio

Médico comparou o momento ao corte de Emerson em 2002. Foto: Divulgação
Médico comparou o momento ao corte de Emerson em 2002. Foto: Divulgação

Ao perceber o desespero de Marcelo para que o atendimento a Neymar fosse autorizado, José Luiz Runco se deu conta de que se tratava de algo grave. Assim que entrou em campo e viu que o atacante não conseguia se movimentar, teve a certeza de que havia um trauma lombar sério e solicitou a alteração. Mas o pior momento para o médico foi receber o resultado dos exames.

“Foi um momento muito desagradável e desgastante. No momento em que passo a informação, ele absorve e realmente fica muito triste, emociona-se muito. Evidentemente que, eu e o radiologista que passou os exames, nós também nos emocionamos. É uma situação extremamente desagradável quebrar o sonho de uma pessoa”, disse o chefe do departamento médico brasileiro.

Na Seleção Brasileira desde após a Copa do Mundo de 1998, Runco já passou por outras situações desagradáveis, mas admite que informar a Neymar que ele não teria mais condições de atuar no torneio, ficando fora já da semifinal contra a Alemanha, está entre as piores. Compara-se àquela de 2002, em que cortou Emerson, antes mesmo do início da competição, depois de o volante se machucar brincando como goleiro.

“Eram duas pessoas que tinham objetivos muito fortes. O Emerson, além do objetivo de lutar para ser campeão, era o capitão da equipe. E o Neymar tinha o objetivo de ser campeão tão jovem. Foram situações difíceis. De repente, o sujeito se machuca, e você se vê obrigado a tomar decisão. Outras situações de corte, em competições de menor porte, são até mais fáceis de tomar, porque a repercussão é menor”, comentou.

Apesar da tristeza que compartilha com o restante da comissão técnica e também os jogadores, o médico, na condição de torcedor, aposta na reação da equipe.

“Se dissesse que, inicialmente, o grupo não teve um choque com a notícia, eu estaria mentindo. Um jogador me disse que parecia que a gente tinha perdido o jogo. Foi uma reação natural, não poderia ter sido outra. Mas acho que isso vai ser motivo para o grupo crescer, ganhar estímulo para passar da próxima partida, chegar à partida final e ser campeão. Até para homenagear seu colega, que, durante o tempo todo, se dedicou muito”, opinou.

O primeiro desafio do time, que também não terá seu capitão, o zagueiro Thiago Silva, suspenso, será às 17 horas (de Brasília) desta terça-feira, contra a Alemanha, em Belo Horizonte.

Fonte: Yahoo

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