Médico Farah Jorge Farah condenado a 16 anos por esquartejar amante

A sentença que condenou o médico foi lida por volta da 1h desta quinta-feira. Farah Jorge Farah poderá recorrer da decisão em liberdade

Foto: Diuvlgação
Foto: Diuvlgação

O médico Farah Jorge Farah, de 64 anos, acusado de matar e esquartejar a paciente Maria do Carmo em 2003, foi condenado a 16 anos de prisão na madrugada desta quinta-feira (15). O julgamento, que ocorreu no Fórum da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista, começou na última segunda-feira.  A sentença que condenou o médico foi lida por volta da 1h desta quinta-feira. Farah Jorge Farah poderá recorrer da decisão em liberdade.

Horas antes da decisão, em cinco horas de interrogatório durante a quarta-feira (14), o médico fez mais uma confissão, com fortes referências a Deus e aos pais. Com uma longa bengala no colo, ele disse calmamente que não tinha lembrança de todos os fatos, alegou que agiu em legítima defesa e não assumiu o esquartejamento.

“Eu vou continuar dizendo até que Jesus volte, eu não tenho certeza da ordem dos fatos”.

A principal tese da defesa foi de que o ex-cirurgião estava fora de si e não pode ser julgado pelos crimes que cometeu naquele momento. Farah usou no interrogatório uma voz suave, com o mesmo tom descrito pelos peritos do Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo), que o declararam lúcido, mas com personalidade “dramática”. O réu contou que sentiu vontade de morrer no dia em que matou a vítima. “Ainda tenho vontade de morrer.”

“Eu não estava no meu normal e não lembro de nada, nem de colocar os sacos no carro [...] Foi terrível. Não dá pra lembrar, pois não foi premeditado e nem consciente. No domingo, quando caiu minha ficha e me dei conta do que havia ocorrido, eu disse que queria morrer e talvez eu ainda queira”.

Segundo Farah, o assassinato foi um ato de “legítima defesa” pela sua vida e por seu pai e sua mãe. Ambos foram citados constantemente no depoimento — o laudo oficial feito a pedido do juiz afirmou que Farah tinha sérios problemas por causa do relacionamento com os pais, no qual a mãe assumia um poder fálico na sua mente.

Terça-feira

Na terça, os peritos responsáveis pelo laudo que provocou a anulação do júri, no qual o ex-cirurgião Farah Jorge Farah foi condenado a 13 anos de prisão, voltaram a ser ouvidos. Dois psiquiatras do Imesc (Instituto de Medicina Social e de Criminologia) de São Paulo confirmaram que o réu tinha problemas de personalidade que o levaram ao crime, apesar de ele não ser louco.

“Ele se sentia inferiorizado em relação à mulher”, disse aos jurados o psiquiatra Marco Antonio da Silva Beltrão. Segundo ele, o acusado sofre de uma “personalidade limítrofe”, com características que faziam com que ele, diante da situação, “não pudesse agir de uma forma diferente da forma que agiu”.

A defesa sustenta que Farah era perseguido pela paciente e, no momento do assassinato, ficou com a consciência ausente por cerca de 12 horas. O laudo do Imesc foi feito em um incidente de insanidade mental, a pedido do juiz do caso. Em janeiro do ano passado, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) mandou refazer o júri porque essa prova havia sido desconsiderada no julgamento realizado em 2008.

Psicanalista, Beltrão entrou em detalhes psicológicos da mente de Farah. “Havia uma figura materna — uma poderosa mãe fálica — e um pai com uma posição ausente.” O médico diz que o réu não teria a mesma atitude contra um homem.

A psiquiatra Hilda Clotilde Penteado Morana explicou as conclusões que teve com testes psicológicos aplicados no réu. Ela analisou o padrão das respostas que o ex-cirurgião deu ao olhar desenhos em pranchas, com formatos simétricos.

“Quando ele sente uma aflição muito intensa, ele se descontrola”.

Hilda descreveu o réu como uma pessoa “instável” e “que sofria demais”.

Acusação

A acusação utilizou um outro lado, elaborado pelo Cremesp, elaborado no processo que cassou a licença para Farah exercer a profissão. Dois médicos que participaram da junta que analisou o réu foram testemunhas da Promotoria na segunda-feira. Ambos descreveram Farah como um ser humano com personalidade “dramática” e descartaram que ele possa sofrer de um problema mental ou estivesse incapaz quando cometeu o crime.

Fonte: R7

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