Médicos de Natal paralisam atividades por melhores condições de trabalho

Indicativo de greve foi aprovado para o dia 26. Categoria espera retorno das negociações com a SMS

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Alessandra Bernardo

Repórter

Em protesto contra a falta de materiais e equipamentos básicos para atendimento de pacientes, de leitos e de reajuste e reposição salarial, os 200 médicos servidores do município de Natal paralisaram as atividades nesta terça-feira (20) e realizaram ato público em frente à Maternidade das Quintas, na zona Oeste da cidade. Eles aguardam um aceno da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para dar início às negociações e já aprovaram indicativo de greve por tempo indeterminado para a próxima segunda-feira. Apenas os atendimentos de urgência e emergência foram mantidos.

Segundo a vice-presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed-RN), Mônica Andrade, além da precariedade das condições de trabalho, a categoria cobra ainda a incorporação de parte do adicional de insalubridade ao salário base e a revisão da Portaria nº 50 do Ministério da Saúde, que estabelece regras complementares sobre os critérios de fixação do número de plantões permitidos para a rede municipal.

“Há seis meses que estamos em negociação com o município e até o momento, nada foi feito ou definido. Por isso, decidimos pela greve por tempo indeterminado, que deve começar no próximo dia 26 de maio, até que o prefeito e o secretário de Saúde tenham uma definição. A nossa expectativa é que até lá, algo seja resolvido e possamos suspender a greve, sem atingir a população”, explicou.

Mônica afirmou que as condições de trabalho enfrentadas hoje pelos médicos do município são precaríssimas, com falta de materiais simples como luvas, medicamentos, materiais para atendimento de pacientes e até leitos. Sem contar que não há reajuste salarial para a categoria desde a gestão passada e que a portaria do Ministério da Saúde não define o limite máximo de plantões que um médico deve trabalhar, o que deixa os profissionais à mercê da administração das unidades.

A pediatra Sônia Godeiro, médica concursada há 19 anos em Natal, disse que a maioria dos 200 médicos do município tenta, sem sucesso, incorporar o adicional de insalubridade no contracheque. Ela revelou ainda que, quem conseguiu incorporá-lo, não recebe retroativo e também não conta para a aposentadoria. “Quando um profissional entra com processo administrativo para receber o adicional, ficam enrolando e jogando de um lado para o outro, chegando a passar meses assim”, afirmou.

A reportagem de O Jornal de Hoje tentou falar com o secretário de Saúde de Natal, Cipriano Maia, sobre as reclamações e reivindicações alegadas pela categoria, mas ele não atendeu e não retornou as ligações até o fechamento desta edição.

Atendimentos eletivos foram suspensos

Durante as 24h de paralisação dos médicos de Natal, somente os atendimentos de urgência e emergência foram feitos e muitos pacientes, agendados para consultas eletivas, tiveram que voltar para casa. Na Maternidade das Quintas, segundo a diretora geral Aloma Fonseca, houve redução de 50% nos atendimentos durante a manhã desta terça-feira.

Ela disse que, apesar da paralisação, todos os pacientes que procuraram a unidade hoje devem passar por triagem para identificar se podem ser atendidos ou se devem ser transferidos para outros hospitais. “Temos uma média de 50 atendimentos por dia e até agora, houve redução de 50%. No entanto, só depois é que vamos saber o impacto da paralisação na unidade. A nossa expectativa é que essa situação com os médicos seja resolvida sem que o paciente seja penalizado”, afirmou.

A pediatra Sônia Godeiro, que trabalha na Maternidade das Quintas, revelou que a situação é complicada principalmente por causa da superlotação, já que a unidade recebe toda a demanda obstétrica que seria da Leide Morais, fechada para reforma desde o ano passado, da Santa Catarina e os atendimentos de baixo risco vindos da Maternidade Januário Cicco.

“É uma situação muito difícil e a falta de material complica e até impede alguns exames, para se ter ideia, falta camisinha para a realização de ultrassonografia transvaginal e o procedimento só é feito se a paciente trouxer o preservativo. Mas, faltam também alimentos para as pacientes, medicamentos, leitos e itens básicos como luvas. É uma situação difícil”, disse.

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