Médicos de Natal reforçam paralisação e promovem novo protesto

Categoria luta por melhores salários e condições de trabalho

Protesto-dos-medicos-do-municipio--WR

Os profissionais médicos da rede pública municipal de Natal voltaram a fazer mobilização em protesto à falta de condições de trabalho. Retomando uma paralisação iniciada em 15 de junho, os médicos em greve deliberaram a continuidade da paralisação da categoria e nesta terça-feira (29), promoveram um a to em frente ao Palácio Felipe Camarão, questionando ao Executivo Municipal a ineficiência da saúde pública.

No final do mês de junho, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, sob despacho do desembargador Cláudio Santos, determinou que o Sindicato dos Médicos do Estado do Rio Grande do Norte (Sinmed) respeite, durante a realização da greve em curso, percentuais mínimos de 50% dos médicos servidores trabalhando regularmente no atendimento ambulatorial e 100% no de urgência. Geraldo Ferreira, anestesiologista e presidente do Sindicato, alega que determinação será cumprida, desde que haja condições de atendimento.

“Não seremos cúmplices da Prefeitura ao trabalhar sem condições, colocando em risco os atendimentos. Respeitaremos a ordem, desde que haja segurança para o paciente. Sem condições de trabalho, evidentemente não teremos como cumprir com a determinação”, afirmou Geraldo Ferreira. Segundo o médico, novas manifestações serão realizadas ao longo da semana, em reivindicação à qualidade dos serviços.

“A grande deficiência da rede pública de saúde não se deve à falta de médicos e/ou recursos humanos, mas sim a falta de equipamentos, medicamentos e leitos. Há um ano e dois meses a Maternidade Leide Morais está fechada, sem perspectiva de reabertura. Esse é só um dos inúmeros exemplos que estamos mostrando desse cenário caótico que enfrentamos”, destacou o sindicalista. Na próxima quinta-feira (31) os profissionais irão se concentrar em frente à maternidade para um novo protesto.

Além de estabelecer o percentual de médicos nos postos de trabalho, o Tribunal de Justiça ainda estabelece que os profissionais em greve devam abster-se de ocupar quaisquer unidades de saúde ou outros bens públicos, ou realizar qualquer ato que venha a prejudicar o bom atendimento dos serviços públicos à população.

O desembargador Cláudio Santos também determina o desconto nos vencimentos dos servidores grevistas dos dias não trabalhados, porém, segundo o Sinmed, a paralisação deve seguir por tempo indeterminado. Além de melhores condições de trabalho, a greve dos médicos cobra a reorganização da central de regulação da Secretaria Municipal de Saúde, responsável pelo processo de marcação de consultas, exames e cirurgias eletivas, e incorporação de parte das gratificações aos salários base até 2015.

“A Prefeitura alega que não pode atender às novas reivindicações. Ontem tivemos uma audiência com o secretário de Saúde [Cipriano Maia], mas não tivemos nenhum avanço. Hoje estamos na estaca zero de negociação. Parece que existe alguma diretriz na Prefeitura para protelar e empurrar os problemas com a barriga”, criticou Geraldo Ferreira.

SMS

O titular da Secretaria Municipal de Saúde, Cipriano Maia, explicou que a Prefeitura de Natal, após análise e discussão de aspectos jurídico-orçamentários, alegou que não pode atender a demanda pleiteada pelos médicos. “Essa não é uma decisão da Secretaria de Saúde, mas da Prefeitura. A incorporação de gratificações, por exemplo, tem um impacto financeiro insustentável e não temos como viabilizar esse impacto neste ano”, disse.

Cipriano alega ainda que, aprovando a incorporação das gratificações dos médicos, outros servidores passariam a ‘brigar’ na Justiça pelos mesmos direitos. “Ao longo dos anos estamos atendendo algumas necessidades da categoria, como a regularização de qüinqüênios, correção da insalubridade, reabertura de plano de cargos, mas ainda não é possível atender tudo”, afirmou.

O Secretário de Saúde do município informou que apresentou a possibilidade de correção da gratificação em 10%, a partir de setembro deste ano, apenas para os profissionais da Saúde da Família, uma vez que há aporte financeiro do Governo Federal que pode cobrir os custos. “O Sinmed fez uma contraposta, incluindo correções dos plantões. Estamos esperando eles documentarem e nos apresentarem isso, e assim vamos tentando avançar nas negociações”.

Compartilhar:
    Publicidade